Botafogo vence, mas segue sem saber jogar futebol
Vitória não esconde escalação equivocada, substituições questionáveis e a preocupante falta de organização de uma equipe que parece ter desaprendido a jogar
Apesar da vitória contra o Atlético-MG, o Botafogo segue apresentando um futebol pobre, desorganizado e sem identidade tática sob o comando de Tite. Mesmo demonstrando entrega em campo, a equipe peca pela falta de inteligência coletiva, comete erros primários e depende de lampejos individuais, agravados por escolhas ruins do treinador. Em nítido contraste com o auge vivido em 2024, o resultado positivo não mascara a profunda decadência e a preocupante ausência de padrão para o futuro do time.
O Botafogo ganhou. Mas, sinceramente, não sei se é para comemorar ou chorar. O resultado positivo contra o Atlético-MG não apaga o futebol pobre de uma equipe que continua sem identidade, organização ou padrão de jogo.
A escalação foi muito ruim. As substituições, ainda piores. O que Tite faz no Botafogo, meu Deus?
Não é implicância com treinador nem procura por defeitos depois de uma vitória. É olhar para o campo e perceber que o Botafogo parece um amontoado de jogadores. Cada um faz o que pode, mas o conjunto não apresenta uma ideia reconhecível.
O time corre, disputa e demonstra vontade. Mas isso não basta. Se jogasse o campeonato inteiro com essa disposição, provavelmente estaria em uma situação muito melhor. O problema é que vontade não substitui organização, assim como intensidade não significa qualidade.
O Botafogo também insiste em cometer faltas desnecessárias perto da própria área. São erros que oferecem perigo ao adversário sem qualquer necessidade. Falta leitura de jogo, concentração e, principalmente, inteligência para entender o momento da partida.
Não há continuidade nas ações, os setores não funcionam em sintonia e a equipe parece depender de lampejos para conseguir alguma coisa. Quando o treinador também não ajuda, com escolhas difíceis de compreender antes e durante o jogo, a situação fica ainda mais complicada.
De 2024 ao futebol de 2026: uma queda absurda
O contraste com o Botafogo de 2024 é uma bizarrice gigantesca. Como um clube que chegou ao topo, apresentou organização, competitividade e um modelo de jogo tão bem definido pode chegar a 2026 com um futebol tão desfigurado?
Não se exige que o time repita eternamente o desempenho de sua melhor temporada. Mas é razoável esperar que exista um planejamento, uma identidade e alguma evolução coletiva. Hoje, o que se vê é justamente o contrário.
A vitória não pode servir de cortina de fumaça. Ganhar é importante, evidentemente. Mas também é preciso avaliar como se ganha e, sobretudo, o que a equipe apresenta para os próximos compromissos.
Torcer pelo Botafogo está muito difícil. Até quando vence, o time deixa dúvidas, irritação e uma sensação de que poderia entregar muito mais.
O placar foi positivo. O futebol, não. E essa é a parte que deveria preocupar quem comanda o clube.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.