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Artigo: 'A bandeirinha'

'Este simpático símbolo de uma área do campo de jogo vem sofrendo com toda a violência que nossos atletas andam distribuindo às pobres coitadas ...'

24 mai 2022 15h34
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Calma, pessoal. Não se trata de um texto homofóbico afirmando que a função de bandeirinha não é adequada para mulheres, por exemplo, ou qualquer outro gênero. Me refiro a bandeirinha. Sim, aquela que fica na intersecção da linha lateral com a linha de fundo em nossos estádios.

Erison, atacante do Botafogo, costuma comemorar seus gols dando uma 'voadora' nas bandeirinhas de escanteio (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
Erison, atacante do Botafogo, costuma comemorar seus gols dando uma 'voadora' nas bandeirinhas de escanteio (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
Foto: Lance!

Pois bem, este simpático símbolo de uma área do campo de jogo, de onde podem sair lances fantásticos - os gols olímpicos são inesquecíveis pela sua plasticidade e pela destreza de quem bate na bola - está agora sofrendo toda a violência que nossos atletas, mais chegados ao MMA do que ao futebol, andam distribuindo as pobres coitadas. Não é raro ver, na comemoração de um gol, um atleta correr à bandeirinha, saltar e acertar um chute na coitada. Uma covardia.

No passado, os mastros das bandeirinhas eram de madeira. Aí a conversa era outra. Hoje, o material é muito flexível e o atleta não sofre nenhum tipo de lesão com o chute.

Uma curiosidade. Me lembro uma vez no Maracanã, assistindo a um jogo do Rio/São Paulo, também conhecido como Torneio Roberto Gomes Pedrosa, quando o ponta esquerda de um time paulista foi bater o escanteio, errou a bola, chutou a bandeirinha e caiu imediatamente no chão, se contorcendo em dores. Mas deixemos as histórias do futebol do passado, e voltemos à nossa conversa.

Com o mando de campo, uma parte das equipes passou a usar as suas bandeiras nos mastros localizados na área do escanteio. Ora, ora, quando este tipo de ação acontece e o jogador adversário, ao comemorar um gol, chuta a bandeira de seu rival. Sabe o que acontece? Nada. No máximo, caso a bandeira caia, a gandula vai lá e a põe no lugar. E ficamos assim.

Mas Luiz, você está se tornando um chato com estes seus comentários. Pode ser, respondo eu. Mas é a partir destes pequenos detalhes impunes que começamos a desrespeitar o principal interessado no espetáculo: aquele que paga o ingresso. Mas os caras não estão nem aí para isso ... Concordo, mas na medida em que chutar a bandeira adversária pode e não é punida enquanto ação, começamos a pisar num terreno pantanoso, não é verdade?

Estamos em uma fase de criação de uma Liga dos clubes, onde torcedores ardorosos, travestidos de dirigentes, brigam para tentarem se entender. É a festa do estica e puxa, e tudo sob o conceito de construirmos um futebol profissional de melhor nível.

São muitos os detalhes relativos ao espetáculo que me incomodam como torcedor, como profissional da área de marketing do esporte e como cidadão.

Alguns pontos:

- Por que executar o Hino Nacional, se ninguém canta, nem presta atenção;

- Os parentes dos mortos na pandemia de COVID 19 agradeceriam sinceramente se o tal minuto de silêncio parasse de acontecer, já que não tem ninguém em silêncio mesmo;

- Fez gol, tirou a camisa: amarelo. Três cartões: igual a dia de descanso. O patrocinador fica sem a exposição da marca, o torcedor sem poder ver seu ídolo;

- Entrevista coletiva ao final do jogo tem: sapato, garrafinha, boneco, logo no microfone. Resultado: uma imagem horrorosa, pela qual o assinante pagou, em muitos casos;

- E o tal chute na bandeirinha. Um baita desrespeito a todos

- Mais uma que merece ser citada ... Uma vez fui assistir à transmissão de uma partida na MEU TIME TV. Que coisa horrorosa. Não se falavam os nomes dos jogadores adversários. O time fez um gol e a narração foi ridícula. Mais parecia um novo tiro de meta. Podemos admitir que não haja uma vibração intensa, mas simplesmente quase ignorar é demais.

Senhores e senhoras, com tudo isso acontecendo em nosso dia a dia no futebol, como podemos esperar que se fale de um processo de modernização aqui em nosso país? Para que isso seja possível, minha sugestão é iniciarmos com a disseminação de três conceitos: respeito, educação e, principalmente, o papel do ídolo como formador de cidadãos, que verão nele um espelho a ser seguido.

Depois que esta base estiver mais bem estruturada, aí poderemos começar a falar de profissionalização, marketing do esporte e outros temas mais sofisticados.

Até a próxima.

*Luiz Fernando Coelho é Jornalista. Tem MBA em Marketing pela PUC-RJ. Curso de pós-graduação na Disney University (Orlando Florida), Amana KEY (São Paulo) e Mentoria Infinita (Instituto Gente). Atuou em grandes projetos na área de marketing do esporte (Projeto de BCN/FINASA OSASCO, OLÍMPIADAS RIO 2016; VOLLEYBALL HOUSE - Federação Internacional de Volei / Rio 2016). Nos Jogos de Tóquio 2020 fez parte do time que criou o TIME AJINOMOTO. Tem projetos desenvolvidos na Natação, na Vela, no Judô, no Karatê, no Basquete, no Remo e no Rugby.

Lance!
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