Abel demora a reagir, e Flamengo agradece tropeço do Palmeiras
Treinador demorou a corrigir os problemas ofensivos do Verdão, que empatou com o Santos na Vila Belmiro e pode ver o rival abrir três pontos na liderança do Brasileirão
O Palmeiras empatou em 0 a 0 com o Santos na Vila Belmiro e desperdiçou a chance de assumir a ponta do Brasileirão, prejudicado pela escalação ineficaz e pela demora de Abel Ferreira em mexer no time. Apesar da pressão final parada pelo goleiro Diógenes, o Santos também ameaçou. Com o tropeço, o Verdão soma 70 pontos e segue atrás do Flamengo pelo critério de vitórias, permitindo que o Rubro-Negro abra três pontos de vantagem na liderança caso vença o Vasco nesta quinta-feira.
Abel Ferreira demorou a reagir, e o Palmeiras deixou escapar uma oportunidade importante na corrida pelo título brasileiro. O empate por 0 a 0 com o Santos, nesta quarta-feira, na Vila Belmiro, manteve o time alviverde atrás do Flamengo e expôs problemas que o treinador não conseguiu corrigir durante boa parte do clássico.
A atuação começou com alguma iniciativa, mas perdeu força diante dos ajustes de Cuca. O Santos encontrou espaços, avançou com mais facilidade e obrigou o rival a se preocupar com a própria defesa. O Palmeiras, por sua vez, passou a ter dificuldades para construir jogadas e aproximar seus homens de frente.
A escalação de Abel merece questionamento. A estrutura escolhida não garantiu o controle do meio-campo nem ofereceu criatividade suficiente para superar a marcação santista. Flaco López ficou isolado, enquanto a circulação lenta da bola facilitou o trabalho dos mandantes.
O treinador também demorou a mexer. Quando as substituições finalmente deram mais presença ofensiva ao Palmeiras, a equipe criou suas melhores oportunidades. Flaco López, Murilo e Vitor Roque pararam em Diógenes, que teve atuação decisiva para preservar o empate.
O goleiro santista merece os méritos pelas defesas, mas não pode servir de explicação para tudo. Antes da pressão final, o Palmeiras passou tempo demais sem impor seu jogo. A reação tardia mostrou que havia alternativas, mas também levantou uma questão incômoda: por que Abel precisou esperar tanto para tentar mudar o cenário?
O Santos também teve chances para vencer. Arthur salvou uma finalização de Gabriel Bontempo praticamente sobre a linha, em lance que evitou um prejuízo ainda maior para o time visitante. O empate, portanto, não foi resultado de uma superioridade palmeirense frustrada apenas pela atuação do goleiro adversário.
Flamengo pode transformar tropeço em vantagem
O Palmeiras chegou aos 70 pontos, mesma pontuação do Flamengo, mas permanece atrás pelo número de vitórias: 20 contra 21. Se vencer o Vasco nesta quinta-feira, o Rubro-Negro abrirá três pontos de vantagem na liderança.
A possibilidade torna o tropeço ainda mais custoso. Abel não controla o resultado do concorrente, mas responde pelas escolhas táticas, pela leitura da partida e pelo momento das substituições. O crédito acumulado em temporadas anteriores não elimina a obrigação de encontrar soluções quando o plano inicial falha.
A semifinal da Copa do Brasil contra o Vasco, no domingo, exige recuperação rápida. O calendário apertado, porém, não absolve os problemas apresentados na Vila Belmiro. O Palmeiras continua na disputa, mas precisa jogar como candidato ao título. Se Abel demora a reconhecer os próprios erros, o Flamengo não precisa fazer mais do que aproveitar as oportunidades que o rival oferece.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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