Presidente do Fluminense faz alerta ao STF: "É impossível se adequar"
Presidente tricolor levou ao STF os números sobre os efeitos da MP das Bets
Em audiência no STF sobre a MP nº 1.394/2026, o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, alertou que a proibição das casas de apostas causará um prejuízo de R$ 200 milhões ao clube, que já suspendeu o contrato com a Superbet. O dirigente destacou que o setor respondeu por R$ 1 bilhão dos R$ 3 bilhões em receitas comerciais da Série A em 2025, impactando patrocínios, placas e direitos de transmissão. Diante disso, o Tricolor acionou a Justiça contra a medida, que ainda tramita no Congresso.
O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, nesta terça-feira (3), uma estimativa do impacto financeiro da proibição das casas de apostas no Brasil.
Durante audiência sobre a MP nº 1.394/2026, o dirigente afirmou que o Fluminense pode perder R$ 200 milhões. Mattheus Montenegro destacou que a publicidade das bets está diretamente ligada a diferentes fontes de receita do futebol.
Na avaliação do mandatário do clube carioca, os prejuízos não ficam limitados aos contratos de patrocínio, pois também alcançam a comercialização dos direitos de transmissão e as placas de publicidade nos estádio.
"Os clubes têm basicamente cinco tipos de receita: venda de jogador, direitos de transmissão, patrocínios (incluindo placas), sócio-futebol e bilheteria. Essa medida afeta duas dessas fontes de forma muito direta: o patrocínio e as placas de campo, além dos direitos de transmissão", disse o dirigente antes de prosseguir:
"Afinal, as empresas que pagam os direitos aos clubes vendem cotas de publicidade adquiridas principalmente pelas bets hoje em dia. Portanto, isso acaba com as principais receitas do futebol. A única grande receita não afetada é a venda de jogadores, pois o sócio e a bilheteria dependem do desempenho do time, que vem das outras verbas", explicou.
Mattheus Montenegro detalha impacto financeiro no Fluminense
Depois de apresentar os argumentos sobre o funcionamento do mercado, o presidente do Fluminense expôs os números utilizados para dimensionar o tamanho da mudança. Segundo ele, os clubes da Série A movimentaram aproximadamente R$ 3 bilhões em receitas comerciais em 2025.
Desse total, cerca de R$ 1 bilhão veio de contratos com casas de apostas. Mattheus Montenegro também detalhou o impacto no Fluminense. Com receita recorrente entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, o clube estima uma perda de R$ 200 milhões com as restrições.
"Em 2025, os clubes da Série A tiveram cerca de R$ 3 bilhões em receita comercial, sendo R$ 1 bilhão vindo de bets. Ou seja, 34% da receita comercial veio desse setor. No caso do Fluminense, que tem uma receita recorrente entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, o impacto direto é de R$ 200 milhões", finalizou.
Contrato com a Superbet está suspenso
O cenário já produz efeitos na estrutura comercial do Fluminense. Desde a publicação da MP, o contrato com a Superbet está suspenso, uma vez que o acordo previa a exposição da marca da empresa em propriedades comerciais do Fluminense.
A situação levou o Tricolor a integrar o grupo de clubes que questionam a medida no Superior Tribunal de Justiça. Enquanto a discussão jurídica avança, a MP nº 1.394/2026 continua em tramitação no Congresso Nacional.
A proposta recebeu 99 emendas e tem prazo até 23 de novembro para ser votada. Até lá, os clubes acompanham a possibilidade de mudanças no texto e os efeitos sobre contratos e receitas previstos em seus planejamentos financeiros.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.