Fim turbulento da era CR7 na seleção: imprensa mundial exalta legado de Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo anunciou nesta quinta-feira (5) o fim de uma trajetória de 23 anos com a camisa de Portugal. Aos 41 anos, o atacante encerra uma carreira internacional sem precedentes, sendo recordista mundial de partidas disputadas por uma seleção, com 234 jogos, e de gols marcados, com 146. Da exaltação de seus números históricos às reflexões sobre um adeus tardio e turbulento, a aposentadoria do camisa 7 dominou as manchetes internacionais.
Cristiano Ronaldo anunciou sua aposentadoria da seleção portuguesa após 23 anos e 146 gols, marcando o fim de uma era histórica celebrada mundialmente por seus recordes, como o título da Euro 2016 e gols em seis Copas. Apesar da consagração de seu legado pela imprensa internacional e pela federação local, a despedida ocorreu em clima conturbado, impulsionada por desgastes físicos da idade e atritos recentes com o técnico Jorge Jesus, deixando um grande desafio de renovação para Portugal.
Na imprensa portuguesa, o tom é o da consagração estatística. A SIC Notícias destacou que Ronaldo marcou contra 49 seleções de cinco continentes, um recorde mundial. O Luxemburgo foi sua principal vítima, com 11 gols sofridos ao longo dos 23 anos de serviço à seleção portuguesa. O veículo lembra ainda que Inglaterra, Itália, Noruega e Brasil estão entre os poucos países que nunca foram vazados pelo atacante português.
Em Portugal, as repercussões oscilaram entre a celebração do legado e o reconhecimento de um fim de ciclo conturbado. O diário Público.pt resumiu o momento com a manchete "Fim da era Cristiano Ronaldo na seleção", destacando a homenagem da Federação Portuguesa de Futebol, que afirmou que o craque "carregou o país aos ombros" ao longo de mais de duas décadas. O jornal também lembrou que o anúncio da aposentadoria acontece poucas semanas depois do desentendimento com o novo treinador, Jorge Jesus, que levou Ronaldo a abandonar a concentração da equipe antes do fim.
Já o canal RTP deu destaque à reação do treinador, que revelou ter pedido ao atacante para continuar na seleção, mas admitiu resignação diante da escolha do jogador. "Tenho de aceitar a decisão dele", declarou Jorge Jesus, acrescentando que Cristiano Ronaldo continuará a ser uma "referência do nosso povo e da nossa História".
Uma história que fica para sempre. 𝙊𝙗𝙧𝙞𝙜𝙖𝙙𝙤 𝙥𝙤𝙧 𝙩𝙪𝙙𝙤, 𝘾𝙖𝙥𝙞𝙩𝙖̃𝙤 🐐⭐️ https://t.co/OSKr7L7xMW
— Portugal (@selecaoportugal) November 5, 2026
"Símbolo por excelência da alma da seleção nacional"
Na França, o L'Équipe preferiu enfatizar a dimensão histórica dos feitos do jogador. O jornal recordou que Ronaldo é o maior artilheiro e o atleta com mais partidas pela seleção portuguesa e relembrou outros feitos, como ser o primeiro jogador a marcar em seis Copas do Mundo. A publicação também repercutiu a homenagem da Federação Portuguesa de Futebol, que classificou o atacante como "um líder inspirador" e "o símbolo por excelência da alma da seleção nacional".
Já o Le Monde resumiu a carreira internacional como uma aventura iniciada em 2003 e encerrada após 146 gols. O diário francês relembrou o ápice da conquista da Eurocopa de 2016, quando Ronaldo virou quase um treinador à beira do campo na final, mas observou que os últimos anos também foram marcados pelas críticas ao peso de sua figura na equipe e pelas tensões com o técnico Jorge Jesus. Para o jornal, a Copa do Mundo permanece como o grande capítulo inacabado de sua trajetória.
O Elvis Presley do futebol
No Reino Unido, a cobertura do The Guardian reconheceu que a carreira internacional de Ronaldo foi "incrível", mas o colunista Jonathan Wilson argumentou que ela poderia ter sido ainda maior se o craque não tivesse prolongado sua permanência na seleção. Em uma imagem marcante, Wilson comparou o português a Elvis Presley nos últimos anos da carreira: já distante do auge, mas ainda idolatrado pelo público, independentemente do desempenho em campo.
Na Espanha, o El País deu destaque ao aspecto quase solene de sua comunicação de despedida à Seleção, em um vídeo divulgado por Ronaldo, no qual faz uma declaração de cinco minutos em português.
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O diário observa que o craque falou aos portugueses com a autoridade conferida pelos seus recordes mundiais, mas também ressalta que o adeus aconteceu após meses de atrito com Jorge Jesus e depois de uma suspensão aplicada pela federação por ter abandonado a concentração da equipe. O jornal vê na aposentadoria o desfecho inevitável de um conflito entre a ambição do ídolo e os limites físicos impostos pela idade.
O jornal espanhol Marca chama atenção para um desafio que vai além dos números deixados por Cristiano Ronaldo. Com as aposentadorias internacionais de CR7 e de Lionel Messi no mesmo ano, Portugal e Argentina entram juntos em uma nova era e precisam encontrar não apenas substitutos técnicos, mas também novas lideranças capazes de assumir o peso simbólico das camisas 7 e 10.
O diário afirma que Portugal discute quem poderá ocupar o espaço deixado por Ronaldo, com nomes como Rafael Leão, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, João Neves e Vitinha apontados como figuras centrais do próximo ciclo da seleção. Para o jornal espanhol, o verdadeiro legado dos dois craques não está apenas nos recordes e títulos, mas no vazio que deixam em equipes que, por mais de duas décadas, se habituaram a girar em torno deles.
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