Rachada, Espanha joga "amistoso" para encerrar era de ouro
A Espanha que reinou no topo do futebol mundial nos últimos anos tem hora marcada para dar seu último suspiro: será às 13h desta segunda-feira, em Curitiba, quando o time entra em campo para enfrentar a Austrália em um jogo melancólico no Grupo B da Copa do Mundo. A partida não vale nada em termos competitivos - as duas seleções já estão eliminadas -, mas simboliza uma era dourada que chega ao fim de forma abrupta e amarga.
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Em um time que constantemente se definiu como uma "família" e conseguiu manter o bom ambiente em meio a tantas estrelas, o vestiário rachou de vez após a derrota por 2 a 0 para o Chile, no Maracanã, que selou a eliminação precoce. Xabi Alonso disse que faltou "vontade e fome de vencer" dos colegas; Fabregas se irritou com o técnico Vicente del Bosque por ser retirado de um treino. O clima é inédito na seleção após anos de calmaria e conquistas.
Rara também será a escalação, que não contará com dois nomes familiares e vencedores, mas que fizeram uma Copa para esquecer. O goleiro Casillas falhou contra Holanda e Chile, e será substituído por Pepe Reina, membro importante para a atmosfera do grupo nos bastidores e que será homenageado por Del Bosque com a oportunidade de disputar seu primeiro jogo em Mundiais - ainda que apenas a honra esteja em jogo.
O outro veterano que ficará de fora é aquele que simboliza a decadência de um estilo de jogo que dominou a Europa e o mundo com Barcelona e Espanha. Xavi, 34 anos, não enfrenta a Austrália por problemas físicos - questão que o atormenta há pelo menos duas temporadas e foi determinante para que o "tiki-taka" espanhol fosse superado por modelos mais agressivos e velozes em tempos recentes.
Com polêmicas de vestiário, confrontos públicos e sem as bandeiras Casillas e Xavi. A Espanha que joga contra a Austrália já não é a mesma que tirou definitivamente da seleção o rótulo de "amarelona" e conseguiu uma sequência de títulos inédita na história do futebol (Euro 2008, Copa 2010 e Euro 2012). Resta a Del Bosque assegurar que a nova etapa comece de forma positiva, para dar uma despedida digna a uma grande geração e receber a próxima - que também promete talento e troféus - de cabeça erguida.