Palmeiras x Santos: Copa do Brasil vale tira-teima no século 21
Desde 2001, clubes duelaram em oito mata-matas por competições diversas. Cada lado venceu quatro, um tempero adicional para embate atual.
Palmeiras e Santos abrem as quartas de final da Copa do Brasil em um duelo que servirá de tira-teima no século 21, já que estão empatados com quatro classificações para cada em mata-matas. Favorito recente, o Verdão de Abel Ferreira busca manter a hegemonia sobre o rival, a quem venceu nas decisões da Copa do Brasil de 2015, da Libertadores de 2020 e do Paulistão de 2024. Já o Peixe, comandado por Cuca, tenta superar o tabu recente contra o treinador português e avançar à semifinal.
Na Copa do Brasil, Palmeiras e Santos prometem protagonizar mais um capítulo eletrizante de uma rivalidade centenária a partir desta quarta-feira (25), no Nubank Parque, pelas quartas de final da Copa do Brasil. O clássico pelo torneio nacional traz em seu bojo dois atrativos adicionais. A série irá desempatar o retrospecto em mata-matas no século 21 e propõe ao Peixe o desafio de superar pela primeira vez o adversário em confronto decisivo na era Abel Ferreira.
O Clássico da Saudade, alcunha que remete aos anos 1960 do Palmeiras de Ademir da Guia e Santos de Pelé, ganhou nova tração nos últimos anos por sucessivos encontros decisivos. Embora um lado viva anos de fartura de títulos e saúde econômica, ao passo que o outro acumula jejum de conquistas e finanças caóticas, a rivalidade se acirrou. E isso se deve justamente ao histórico recente de embates. De 2015 para cá, são três finais, todas vencidas pelo Verdão, sendo que a maior delas teve os mesmos treinadores que estarão envolvidos no confronto da Copa do Brasil.
"O Palmeiras é favorito, líder do campeonato e joga em casa. Tem um elenco numeroso e de qualidade. Vamos, dentro da nossa proposta, tentar fazer o melhor possível na quarta-feira", declarou Cuca, comandante do Santos, jogando o favoritismo para o outro lado.
Apesar de vantagem recente do Palmeiras, no século o retrospecto tem equilíbrio
No século 21 (a partir de 1º de janeiro de 2001), esta será a nona vez que Palmeiras e Santos farão um duelo de mata-mata. Quem levar a melhor irá desempatar o retrospecto no período. Afinal, cada clube foi vitorioso em quatro desses choques anteriores. Todas as vezes que o Peixe foi bem-sucedido os confrontos valeram pelo Campeonato Paulista. Por sua vez, o Verdão se saiu melhor em duas edições do estadual e nas duas maiores finais da história do clássico, por Copa do Brasil e Libertadores.
Em 2009, 2013 e 2015, o Santos enfileirou triunfos sobre o Palmeiras em mata-matas do Paulista. Nos dois primeiros, Neymar, dando os passos iniciais de uma carreira estelar, esteve em campo pelo clube praiano, por semifinal e quartas de final, respectivamente.
Em 2015, o Peixe conquistou seu único título em uma final diante do rival. Após vencer por 2 a 1, na Vila Belmiro, o Santos triunfou nos pênaltis por 4 a 2 - na ida, o Palmeiras havia feito 1 a 0, em casa. O goleiro Vladimir foi o destaque ao pegar pênalti de Rafael Marques.
O último triunfo santista no século foi na semifinal do estadual do ano seguinte, quando também foi mais eficiente nas penalidades. E isso aconteceu justamente na edição da última conquista santista em uma competição de elite ao fazer 1 a 0 sobre o Audax, na Vila Belmiro. Assim, o clube já amarga um jejum de mais de uma década sem uma taça de primeira divisão - em 2024, o Peixe levou a Série B do Brasileirão.
Sucessivas definições nos pênaltis entre os rivais
Nos últimos 11 anos, o Palmeiras conquistou três títulos em decisões disputadas contra o Santos. Em 2015, os clubes fizeram uma final nacional pela única vez, justamente na Copa do Brasil. Após triunfo santista por 1 a 0, na Vila Belmiro, o Palmeiras deu o troco no Nubank Parque (então Allianz) por 2 a 1 e conquistou o troféu na decisão por pênaltis. Ademais, o goleiro Fernando Prass foi o personagem da partida ao defender uma cobrança e marcar na decisiva. No confronto de ida, Gabigol, que retornou ao Peixe este ano, perdeu uma penalidade que poderia ter alterado o roteiro da disputa.
A decisão da Copa do Brasil de 11 anos atrás é considerada o marco inicial do acirramento da rivalidade no Clássico da Saudade. O Palmeiras tinha Dudu, autor dos dois gols da equipe na finalíssima, como astro máximo, e o Santos contava com o artilheiro Ricardo Oliveira, que protagonizou duelo particular com Fernando Prass que se estendeu por alguns capítulos.
Em 2018, mais uma vez um clássico de mata-mata foi resolvido nos pênaltis. Pela semifinal do Paulistão, após uma vitória de cada clube em jogos no Pacaembu, o Palmeiras fez 5 a 3 na disputa da marca da cal e avançou para a decisão contra o Corinthians. Na época, o Verdão era comandado por Roger Machado e o Santos tinha Jair Ventura no banco de reservas.
Abel Ferreira transformou-se em pesadelo santista no clássico
No início de 2021, Palmeiras e Santos fizeram o jogo mais importante da história do clássico, que começou a ser escrita em outubro de 1915. Na ocasião, os clubes decidiram a Copa Libertadores de 2020, no Maracanã. Devido à pandemia de Covid-19, o calendário sofreu paralisações e a final aconteceu apenas em 30 de janeiro do ano seguinte.
Com gol de Breno Lopes aos 53 minutos do segundo tempo, o Verdão levantou a taça continental. Assim, a conquista foi a primeira da era Abel Ferreira, que se tornaria a mais vitoriosa da história alviverde (já são 11 títulos com o treinador). Do lado santista, Cuca era o técnico. A frustração pelo vice-campeonato encerrou aquela passagem do treinador, que voltou ao clube em março deste ano e terá a oportunidade de se vingar desse revés.
Em 2024, ano em que o Santos disputou pela primeira vez a Série B do Brasileiro, os clubes reeditaram uma final. No Paulistão, novamente Abel Ferreira liderou o Palmeiras em título contra o rival, que era comandado por Fábio Carille. Na ida, o Peixe fez 1 a 0, na Vila Belmiro, com gol de Otero. Porém, na finalíssima o Palmeiras venceu por 2 a 0, com gols de Aníbal Moreno e Raphael Veiga, e ficou com o troféu estadual. Na véspera da decisão do estadual, o técnico português havia exaltado a grandeza do confronto e do Santos.
'Sei que essa rivalidade existe há muitos anos, eu cheguei há quatro anos. São dois clubes com muita história, o Santos tem uma história imensa. Para ser muito sincero e humilde, quando eu era pequeno ouvia mais sobre o Santos do que o Palmeiras, por causa do Pelé", declarou.
Terceiro clássico entre Palmeiras e Santos na capital em 2026
Neste ano, Palmeiras e Santos já se enfrentaram duas vezes. Em ambas, assim como acontecerá nesta quarta (26), o duelo teve mando do Alviverde. Pela primeira fase do Paulistão, o Verdão fez 1 a 0, com gol de Allan, na Arena Barueri. Já pela 14ª rodada do Brasileirão, houve empate por 1 a 1, com gols dos argentinos Flaco López e Rolheiser, no Nubank Parque.
Agora, os duelos valerão lugar na semifinal da Copa do Brasil, conquista que o Palmeiras já saboreou com Abel Ferreira em 2020 e que o Santos persegue desde 2010, quando a geração de Neymar ergueu a taça de forma inédita para o clube. De quebra, o embate irá desempatar o retrospecto do Clássico da Saudade em mata-matas no século 21.
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