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Neymar faz falta? Seleção chega à final sem seu principal jogador

Atacante foi cortado a oito dias da abertura da Copa América e ex-jogadores opinam sobre a ausência do craque

3 jul 2019
18h05
atualizado às 18h32
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A oito dias da abertura da Copa América, a seleção brasileira perdeu seu principal jogador: Neymar foi cortado por conta de uma lesão no tornozelo direito sofrida no amistoso contra o Catar. O técnico Tite convocou Willian para a vaga, e a desconfiança sobre o time canarinho aumentou.

A seleção, porém, conseguiu chegar à decisão da Copa América, algo que não ocorria desde 2007, quando o Brasil foi campeão na Venezuela. E os torcedores passaram a questionar: afinal, Neymar faz realmente falta para a equipe? O Brasil terá pela frente Chile ou Peru, que se enfrentam nesta quarta-feira, em Porto Alegre.

Neymar estreou pela seleção em agosto de 2010, contra os Estados Unidos. Desde então, com ele em campo, o time canarinho disputou 96 jogos, com 69 vitórias, 18 empates e nove derrotas - 78% de aproveitamento. Sem o atacante, o Brasil atuou em 31 partidas, com 19 vitórias, seis empates e seis derrotas - 68% de aproveitamento.

Pela seleção, Neymar disputou as Copas do Mundo de 2014 e 2018. O craque também foi campeão da Copa das Confederações de 2013, realizada no Brasil. Problemas físicos, no entanto, têm afetado o rendimento do jogador tanto no Paris Saint-Germain, como na seleção.

Os ex-jogadores de destaque da seleção brasileira Júnior, Cafu e César Sampaio acreditam que a equipe nacional ainda sente falta de Neymar. Veja abaixo as análises dos ex-jogadores:

Júnior, ex-lateral nas Copas de 1982 e 86, é comentarista da TV Globo:

"A seleção continua sentindo a falta do Neymar. Um jogador como ele naturalmente dá algo mais à equipe, é o único protagonista da seleção. O Brasil tem muitos bons jogadores, mas a figura de protagonista é do Neymar. Com ele em campo, a preocupação dos adversários é maior.

Jogando sem o principal jogador, a equipe conseguiu evoluir, conseguiu atingir um nível de jogo razoável para bom. Mas contra a Argentina, por exemplo, o Everton praticamente não pegou na bola pela forma que o jogo se apresentou. Isso não quer dizer que na final ele não possa ser o grande protagonista, até porque já mostrou que tem condição de substituir o Neymar, isso ficou comprovado.

Acho que a seleção veio subindo de produção, evoluindo desde o primeiro jogo contra a Bolívia. Naturalmente, pegando um rival como a Argentina, que fez um boa partida, dá um moral grande à seleção para a final independentemente do adversário."

Cafu, ex-lateral-direito bicampeão do mundo em 1994 e 2002:

"Temos que aprender a jogar sem o Neymar. Claro que com o Neymar as coisas ficam muito mais fáceis, ele é uma das maiores estrelas do futebol mundial nos últimos anos, é uma referência para qualquer time. Mas a seleção brasileira vem demonstrando que tem condições para conquistar a Copa América mesmo sem o nosso principal jogador.

Os meninos estão demonstrando que também têm valor, são capazes, não estão na seleção brasileira à toa. Estão se desdobrando dentro de campo em busca desse título da Copa América."

César Sampaio, ex-volante vice-campeão mundial em 1998:

"O Neymar ainda é um diferencial técnico. A maioria das críticas que ele recebeu foi mais pela parte extracampo, não pela qualidade técnica. Ele quebra as linhas. O que o Messi fez contra o Brasil, o Neymar pode fazer contra qualquer seleção do mundo. Sendo que os companheiros do Neymar são melhores do que os companheiros do Messi. Ele faz falta em qualquer equipe do mundo.

São observações distintas: comportamento e qualidade técnica. O melhor lugar que ele se sente é dentro de campo, jogando ou treinando. Quando tira o Neymar de campo, aí que é o problema.

Mas mesmo sem o Neymar, o Brasil já iniciou a Copa América como favorito. O potencial da seleção está acima do que vem sendo apresentado. A equipe pode e deve jogar mais, mas é favorita."

Estadão
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