Mentira, morte e árbitro; veja 10 razões da queda do Corinthians
Campeão em 2012 e um dos principais favoritos ao título da Copa Libertadores na atual temporada, o Corinthians decepcionou nesta quarta-feira ao apenas empatar por 1 a 1 com o Boca Juniors, no Estádio do Pacaembu, e dar adeus ao sonho do bicampeonato continental ainda nas oitavas de final. No entanto, não foi apenas o golaço antológico de Riquelme, ainda no primeiro tempo do duelo, a única razão da queda precoce do time alvinegro.
Mas o que causou a desclassificação do atual campeão do mundo antes mesmo de chegar às fases finais, e justamente contra aquele que é tido como um dos piores Boca Juniors dos últimos anos? O Terra foi além do resultado em si do duelo e buscou 10 razões que possam ter motivado a queda do time mais rico da América ainda na etapa de oitavas de final da Libertadores, bem distante do pódio e agora tendo que se consolar com a busca do título estadual.
Confira, a seguir, 10 motivos para a eliminação corintiana na competição continental:
Morte e perda de torcida
O Corinthians pensava que, enfim, começaria uma Libertadores em paz, sem a pressão de jamais ter erguido o troféu do principal torneio das Américas. Ledo engano. Logo na estreia, contra o San José-BOL, em Oruro, um torcedor atirou sinalizador que matou o garoto boliviano Kevin Espada. A fatalidade bagunçou os bastidores do clube, gerou punições e privou a equipe de atuar com torcida nos jogos como visitante. Para o técnico Tite, fez falta a presença do corintiano nas arquibancadas da Bombonera, no jogo de ida contra o Boca.
Excesso de confiança
Se em 2012 o time do Corinthians entrava em campo como uma máquina, sufocando o adversário e atuando de forma implacável, algo mudou na atual temporada. O excesso de confiança pelos títulos recentes era visível em algumas partidas da equipe, que passava a sensação de que pensava poder vencer qualquer rival, em qualquer lugar e a qualquer minuto. Foi assim no primeiro jogo das oitavas de final contra o Boca Juniors, na Bombonera, por exemplo, e também em diversos duelos do Campeonato Paulista.
Queda de produção de Cássio
O goleiro Cássio entrou em um momento crucial da Copa Libertadores do ano passado. Com a missão de substituir o contestado Júlio César, o novo camisa 1 fechou o gol contra o Emelec, pelas oitavas de final, no Equador. Depois, foi um monstro em todas as partidas até o fim da campanha, inclusive no Mundial, quando foi eleito o melhor jogador. Mas enfrentou lesão no ombro em 2013 e, posteriormente, caiu de produção. Falhou no revés contra o Tijuana e estava adiantado em chute de longe de Riquelme que culminou na eliminação alvinegra.
Favoritismo inédito
Que corintiano iria imaginar que o clube do Parque São Jorge encontraria o Boca Juniors em um mata-mata de Copa Libertadores com a condição de total favorito? Pois foi o que aconteceu em 2013, o que pode ter atrapalhado. Contra o "pior Boca dos últimos anos", definição dada pelo técnico Ramón Díaz, do River Plate, principalmente pela fase do clube de 12 jogos sem vencer no Campeonato Argentino, o Corinthians não soube administrar o favoritismo e foi eliminado, mesmo sendo infinitamente superior tecnicamente.
Derrota na Bombonera e tabu
Na Bombonera, o Corinthians entrou com a clara intenção de segurar o empate para buscar a vitória no Pacaembu, como fez na decisão de 2012. Mas, com uma atuação atípica, levou um gol no segundo tempo e foi derrotado. Mesmo com a fragilidade de seu atual elenco, entretanto, o Boca Juniors tem em mãos um respeitado tabu que deveria ser levado em conta: o clube não leva uma virada em mata-mata de Libertadores depois de ter vencido o duelo de ida há 22 anos, com 17 confrontos nessa situação no período.
Cansaço por finais do Paulista
Em 2012, a queda precoce frente a Ponte Preta, nas quartas de final do Paulista, foi crucial para a campanha da equipe na Copa Libertadores. Tudo porque o técnico Tite pode fazer mudanças importantes na equipe, como trocar Júlio César por Cássio, que falhou no Estadual, e ter tempo de sobra para treinar seu time para as finais continentais. Neste ano, contudo, o cansaço pela sequência de decisões acabou fazendo a diferença - a equipe ainda decide o título do Campeonato de São Paulo com o Santos, no domingo.
Reencontro Riquelme - Bianchi
O Boca Juniors pode até ser um time fraco. Mas um clube com seis Libertadores no currículo, contando ainda com os retornos dos gigantes Riquelme e Carlos Bianchi ao elenco não pode ser desrespeitado. Enquanto o veterano meio-campista se recuperou de lesão e jogou o suficiente para marcar um gol antológico em cima de um adiantado Cássio, o treinador tetracampeão da Libertadores mostrou que sabe como ninguém jogar com o regulamento da competição em mãos. A dupla segue invencível no Brasil.
"Mentira" de Jorge Henrique
Titular absoluto na campanha do título da Libertadores no ano passado e também na final do Mundial de Clubes, o atacante Jorge Henrique - que vinha na reserva em 2013 - mentiu para a direção após faltar em treino justamente na véspera dos dois jogos mais importantes do Corinthians na atual temporada. A indisciplina conturbou o ambiente ultimamente tranquilo nos bastidores do clube. Afastado, o atleta não pode sequer entrar em campo contra o Boca Juniors, o que prejudicou a equipe, que ficou sem importante opção no banco.
Árbitro Carlos Amarilla
A atuação da arbitragem interferiu no jogo que determinou a eliminação corintiana. O paraguaio Carlos Amarilla teve participação decisiva em pelo menos quatro lances que poderiam ter definido os rumos da partida. Primeiro, não deu mão na bola dentro da área de Leandro Marín e ainda amarelou Emerson por reclamação. Depois, marcou impedimento inexistente em lance de Romarinho que resultou em gol. No segundo tempo, anulou novo tento, agora de Paulinho, em jogada discutível, e ainda ignorou novo pênalti reclamado por Emerson no fim.
Erro bizarro de Alexandre Pato
Contratado a peso de ouro por R$ 40 milhões como maior reforço de 2013, Alexandre Pato não correspondeu às expectativas e entrou na fase mata-mata da Libertadores como reserva de luxo. Justificou a opção de Tite nesta quarta, quando teve nos pés bola que poderia ter mudado a história do jogo. Aos 30min, recebeu na pequena área sozinho e, sem goleiro, se atrapalhou, furou e empurrou para fora. Um gol àquela altura certamente incendiaria o Pacaembu e, quem sabe, daria gás ao Corinthians para o terceiro. Não foi o que aconteceu.