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Eleições no Corinthians: Duílio Monteiro Alves responde à Gazeta

27 nov 2020
06h03
atualizado às 06h03
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Duílio Monteiro Alves é o candidato da situação que vai concorrer à presidência do Corinthians na eleição marcada para este sábado, no Parque São Jorge. Ele disputará o pleito com Mário Gobbi Filho e Augusto Melo.

Duílio tem 45 anos e foi escolhido por Andrés Sanchez, em 2010, para ingressar no departamento de futebol e trabalhar ao lado de Roberto de Andrade, em substituição a Mário Gobbi, depois de liderar o departamento cultural durante o centenário corintiano.

O candidato também foi diretor-adjunto de futebol no mandato de Mário Gobbi, entre 2012 e 2015. Voltou em 2018, assim que Andrés Sanchez foi eleito para sua segunda passagem pela presidência, como diretor de futebol.

A Gazeta Esportiva definiu a sabatina com questionamentos que foram repassados igualmente aos candidatos e também abordou temas pontuais, de acordo com a peculiaridade de cada postulante ao cargo.

A Gazeta também esclarece que após inúmeros contatos com Mário Gobbi Filho, por meio da assessoria de imprensa da chapa, o candidato optou por não aceitar ao convite. Apenas por este motivo, Gobbi não terá suas respostas publicadas nesta série.

Confira, abaixo, a entrevista com Duílio Monteiro Alves:

Por que você quer ser presidente do Corinthians?

Primeiro, porque eu nasci dentro do Corinthians, virei sócio no dia do meu nascimento. Antes de ser registrado, eu ganhei o título do meu avô. Vivi minha vida inteira dentro do clube. Acompanhei os momentos mais importantes, como em 77, quando meu avô fazia parte da direção de futebol. Depois, em 81, eu ainda pequeno, com meu pai, acompanhava muito de perto, ia a jogos, vestiários, viagens, junto com os familiares de outros jogadores. Depois, continuei minha vida. Meu pai saiu em 84, quando perdeu a eleição, mas eu sempre estive dentro do clube. Em 2009, assumi a diretoria cultural para fazer o centenário. Foi um trabalho bem legal, 100 anos de Corinthians e eu pude participar também. Depois, em dezembro de 2010, assumi o futebol, fiquei 2011, 12 e 13 inteiro. Conquistamos tudo. Saí, fui cuidar da vida e voltei em 2018, quando o Andrés ganhou a eleição, para assumir novamente o futebol, e acompanhei toda essa transformação do Corinthians de perto. Tanto daquela época, pequeno, mas principalmente após a eleição do Andrés, que para mim foi um marco muito grande no que vinha sendo feito. Foi a chegada do Ronaldo, a montagem do time que ganhou a Liberta, Mundial, Recopa, Brasileiros, Paulistas. Acompanhei, sei o que está acontecendo lá dentro, sei muito do que tem que ser feito. Acompanhei também as mudanças de estatuto, que acho que foram muito importantes, como o fim da reeleição, os três anos de mandato, e principalmente a eleição direta dos sócios. Entendo que estou pronto, preparado e que posso ajudar o Corinthians numa sequência e agora investir muito em administração para que a gente possa fazer uma gestão muito boa de tudo o que foi entregue. Com o que o Corinthians tem hoje de estrutura, como a Arena, o CT da base, o CT do profissional, o clube social. Estou pronto para isso e por isso saí candidato. Sei que posso contribuir ainda mais com o Corinthians.

Você estava em dúvida sobre se lançar candidato. O que determinou a sua decisão em tentar?

Acho que, em primeiro lugar, o nosso grupo entendeu que eu seria a melhor opção. E principalmente porque eu estou acompanhando de tudo. Sei que as opções que existem hoje não são boas para o clube. O presidente Mario Gobbi já passou, já foi presidente, fez o papel dele e hoje o clube precisa de união, precisa de um perfil de uma pessoa que tenha mais conversa, que escute todo mundo, que coloque todo mundo na mesma mesa, que o clube pare de pensar em eleição no dia seguinte. Que a gente fique três anos trabalhando em prol do clube com as chapinhas do Conselho. Com esse novo formato de eleição, o clube se dividiu muito. Entendo que o clube tem que ter alguém que tenha esse diálogo e capacidade de unir os corintianos e todos que querem ajudar o clube.

Caso eleito, o que você faria diferente do que a atual gestão fez? O que serviu de lição?

Lógico que a gente não acerta sempre, quem está ali no cargo tem que tomar decisões. Acho que o erro é não tomar as decisões no momento necessário. Quando você tem que decidir, você erra e acerta. Acho que não tem um assunto específico, mas tenho certeza e convicção de que tem que se mudar muita coisa em termos de parte administrativa, justamente porque o mundo mudou, é um mundo mais digital, temos que modernizar essa parte administrativa, o marketing, a comunicação. Não tenho nada para falar específico, mas é lógico que tem muitas coisas que a gente tem que consertar.

Você é a favor do Fiel Torcedor ter direito a voto?

Em primeiro lugar, para o torcedor saber como funciona: não é uma decisão do presidente, da diretoria executiva. É uma decisão que tem que passar pelo Conselho, pelas assembleia geral. Agora, sou muito a favor de provocar essa discussão, de que a gente comece a falar disso, e não só de jogar o tema dentro do Conselho. Sim, fazer alguns estudos, provocar reuniões, com sócio, com torcedor, com conselheiro, para a gente ver o melhor caminho para o Corinthians. Acho que esse passo tem que ser dado na próxima gestão. Que se discuta isso. Depois a gente vai ver o que vai ser o melhor para o clube, e eu vou apoiar o que for melhor para o clube.

Por que você é a favor da aprovação das contas de 2019?

Queria colocar que não é o maior déficit da história do Corinthians. Se você puxar o balanço de 2014, do último ano de gestão do Gobbi, ele teve um déficit alto e uma parte grande de receita, que foi de bilheteria da Arena naquele ano, foi lançado em 2014 como receita do clube. E foi corrigido em 2015. Isso daria um déficit de 210 milhões, se eu não me engano. Teve maior, mas isso também não justifica. Eu sou a favor, porque ali não se vota o déficit, nem o superávit. O que se vota é como as contas foram feitas. E os balanços foram aprovados pela auditoria, sem ressalvas. Não existe nenhum tipo de coisa errada que poderia justificar uma reprovação. Foi um déficit maior do que o esperado, mas não existe nada errado nas contas, por isso eu sou a favor (da aprovação).

Como você pretende reduzir a dívida total do clube?

A gente tem que trabalhar em cima dos números. É possível que sejam pagas. A gente tem que entender que já vem sendo feitas renegociações, alongamentos de prazos. Dou um exemplo que eu costumo dar para o torcedor: Você compra uma casa de 500 mil reais, ganha 10 mil por mês, vai separar uma parte do seu salário para pagar o seu financiamento e a outra você utiliza nas despesas do dia a dia. Para o Corinthians é igual. A dívida não precisa ser paga em um ano. Pode ser alongada. Muita coisa o vencimento é lá na frente. O que a gente tem que ter é um plano de gestão definido na parte financeira para que a gente tenha um percentual da arrecadação sempre para abater a dívida. E trazer novas receitas, e também não utilizar mais despesas do que a gente tem de receita. Trabalhar com caixa positivo. Esse é o caminho, e isso a gente está pronto para fazer.

A prioridade tem de ser buscar títulos no futebol ou pagar as contas?

Os dois. O Corinthians já foi campeão com times baratos, não foi campeão com times muito caros, então é possível fazer um trabalho para que a gente equalize as contas, como eu coloquei aqui. Pensar que a gente tem muitas possibilidades de novas receitas, principalmente por essa mudança, por esse mundo digital que os clubes pouco exploram no Brasil. Na Europa, a meta dos clubes é de chegar em 20% da receita total com as redes sociais, com o streaming. No Brasil, nenhum clube atingiu 1%. Então, tem muito para se aumentar. Tem também o faturamento da Arena. Nos próximos dias devemos ter a solução com a Caixa e, na pior das hipóteses, a partir do momento que o público voltar aos estádios, o Corinthians passaria a ter, no mínimo, 50% da receita da Arena vindo para o clube. O caminho não é tão ruim assim e a gente tem muita coisa boa para ser feita e muitos lugares para buscar novas receitas.

Como você pretende administrar o social e o futebol?

Eu tenho certo que o Corinthians é uma única coisa. É o clube social, o basquete, o futsal e o futebol profissional. É o mesmo Corinthians. Tenho projetos para que a gente trabalhe tanto no futebol como no social, para que a gente faça um trabalho muito bacana para o sócio, sem promessas mirabolantes e sem enganar o sócio. O Augusto, por exemplo, faz promessas de parque temático, de roda gigante, de hospital, e isso não é permitido. Existe uma Lei, o novo plano diretor de São Paulo. A Lei foi publicada em 2016 e diz que o limite de construção de altura no Parque São Jorge é de 20 metros. Então, no máximo, ele constrói um carrossel. É um tipo de coisa impossível de ser feita. E mesmo se fosse, já vi ele falando que vai ser um parque temático e separaríamos um pedacinho para o sócio. Estaríamos dividindo o clube. Se fosse possível essa construção, para quem que vai ficar? Isso é uma propriedade do sócio do clube? É uma proposta que não é possível de ser feita. O clube social é dos corintianos, dos seus sócios, das famílias. É um clube para se praticar esportes, ao contrário do que o Gobbi disse em uma live, que o sócio vai lá passear, tomar uma cerveja, não atrapalha em nada, e o que atrapalha são os esportes amadores e olímpicos. Eu discordo totalmente. O clube é para se praticar esportes também. Tem a parte social, mas também os esportes. É possível torná-los superavitários. No nosso projeto está bem desenhado o marketing específico para cada setor do clube, profissionais que vão buscar receitas para os esportes, festas, shows, eventos, responsabilidade social. É só a gente cuidar do clube com mais atenção, carinho, fazer uma administração também voltada para o clube social.

O que você pensa sobre a categoria sub-23?

Eu entendo que é muito importante para o futebol, para a sequência de um atleta. É o período de maturação do jogador, tem jogadores que não estão prontos aos 20 anos. E o primeiro contrato do jogador é feito quando ele tem 16 anos, e obrigatoriamente é de três anos. O jogador termina com 19 anos. Se ele se destacou no sub-20, ou no sub-17, se quiser renovar, dificilmente você vai conseguir, com um atleta de nível bom e que você tenha expectativa de futuro nele, fazer apenas um ano de contrato. Se fizer isso, pode ser muito ruim para o clube e com certeza o atleta também não vai querer e vai exigir um tempo maior. Se você der mais três anos, já estourou a idade. Se o jogador não estiver pronto aos 20 anos para chegar ao profissional, nós vamos ter mais um ano de contrato desse atleta tendo que cumprir, sem ter como colocar ele para jogar. E mesmo em outras situações, entendo que é a porta de entrada e último estágio de maturação do jogador, que é reconhecido, entre 20 e 23 anos. Alguns ficam prontos mais cedo, com 17, 16, mas, em média, é dos 20 aos 23 anos.

A ideia pode ser boa, mas você concorda com a maneira como a categoria está sendo administrada?

Tem algumas coisas que são feitas que é bom esclarecer. As contratações, nenhuma delas foi envolvida nenhum valor. Nenhum jogador foi comprado para o sub-23. Nenhum jogador chega por empréstimo ou passe fixado. Não existe esse investimento. É um custo irrisório no mundo do futebol. A categoria inteira não passa de R$ 5 milhões por ano, com viagens, despesas com atletas, e se você revelar um jogador de bom nível, paga essa conta por dois, três ou até mais anos. É o caso do Xavier, que não estava na idade, mas já estava integrado e foi visto treinando no sub-23, eu estava presente com o Tiago Nunes. O Roni já tinha estourado a idade, é um jogador que tem entregado bastante. Qualquer um desses jogadores que você faça uma venda normal, ou qualquer outro que venha aparecer você tem um custo pago por um ano, no mínimo.

O que você acha que precisa mudar no estatuto do clube?

Sou a favor de discussões. O estatuto tem algumas coisas que precisam ser mudadas. Algumas situações que precisamos modernizar. Eu quero é colocar em discussão para que o Conselho e os sócio discutam algumas coisas possíveis. Existem muitos pedidos, como por exemplo o dependente ter direito a voto - sou à favor, a gente tem um movimento gigantesco com as mulheres para que eles participem, realmente. Desenvolvemos o "Juntas pelo Corinthians", que é um movimento de mulheres e a gente vem colocando vários pedidos e necessidades que elas entendem que podem ser melhoradas no clube, que é muito legal. Discussões de estatuto. Mudanças para modernizar e para elas participarem do clube, inclusive na diretoria, como tem a Cris hoje no futebol feminino fazendo um trabalho maravilhoso. Então, sou a favor de que elas participem de tudo, inclusive em cargo de relevância.

Como seria sua relação com torcedores organizados?

A mesma que sempre tive. Passei seis anos no futebol e vivi boas situações de títulos, mas também de eliminações precoces, e sempre tive uma relação de respeito, conversa e isso em qualquer ambiente, com qualquer torcedor. Com sócio ou com a organizada, não é diferente. Ter uma relação de conversa, de respeito, principalmente, e isso eu tenho com eles. Sabendo que o torcedor do Corinthians é o maior patrimônio do que o clube tem.

Por que o sócio do Corinthians não deve votar no Gobbi?

Primeiro porque ele já foi presidente, trabalhamos juntos, não tenho nada pessoal contra ele, mas acho que ele já foi, já teve oportunidade de fazer muitas coisas que não fez. Não teve um desempenho bom nos três anos na parte de receita. Ele saiu de uma receita inicial em 2012 de R$ 358 milhões e caiu no último ano, terminou isolado, porque quando ele é contrariado ele se isola, pelo jeito dele ser. Essa receita caiu para 240 milhões no último ano de mandato dele enquanto o time vinha de muitas conquistas de títulos. Por isso, por ele também ter colocado que não entende nada de futebol. Por ter falado que a parte social, de clube, esportes, também não será ele que vai tocar. Por ele ter falado também da Arena, que ele não tinha conhecimento de como resolver. Acho que por esses motivos e porque eu estou muito mais preparado do que ele. E também porque o clube precisa de gente nova, de novas lideranças, de novas cabeças, novos pensamentos, e a vez dele já passou.

Por que o sócio não deve votar no Augusto Melo?

O Augusto é um cara bacana, novo, que frequenta o clube, conhece o Parque São Jorge, mas não tem experiência ainda para assumir a presidência do Corinthians. Acho que ele tem que passar por outras diretorias, tem que criar mais experiência. Foi assessor. Ele fala que foi diretor da base, mas ele não foi. Foi assessor do sub-17, no período de um ano, aproximadamente. Então, acho que ele tem que passar por algumas etapas, conhecer algumas partes administrativas e do futebol para que ele possa ser um bom presidente.

Por que o sócio tem que votar em você?

Eu me sinto completamente preparado. Passei pelo cultural, nasci e cresci dentro do clube, tenho uma história familiar que todos conhecem. E construí o meu caminho, a minha história. Fui diretor cultural, fiz o centenário, depois assumi o futebol, ganhei título no Campeonato Brasileiro em 2011. Ajudei a ganhar, né. Participei do grupo que ganhou em 2011. Em 2012, a Libertadores de forma invicta e o Mundial. Em 2013, o Paulista em cima do Santos na Vila, a Recopa contra o São Paulo. Depois, voltei em 2018, ganhamos o bi-Paulista, em 2019, o Tri. Em 2020, infelizmente, eu deixei a diretoria e é o primeiro ano que não temos uma conquista. Então, por isso, e por saber o que o clube precisa, e por estar acompanhando o que o sócio quer. Saber da necessidade do clube em termos de futebol. E por ser novo, por ser uma cabeça nova, por ser um cara de conversa e uma pessoa capaz de unir o associado e o Conselho para que a gente tenha uma gestão boa nos três anos, porque o Corinthians precisa de todos os corintianos e todos que queiram ajudar.

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