0

Eleições no Corinthians: Augusto Melo responde à Gazeta

27 nov 2020
06h03
atualizado às 06h03
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

Augusto Melo vai concorrer ao pleito deste sábado com Duílio Monteiro Alves e Mário Gobbi Filho com a intenção de assumir a presidência do Corinthians pelo próximo triênio.

Empresário do ramo têxtil, aposentado e aos 54 anos, Augusto foi assessor das categorias de base do clube de 2015 a 2016.

Oposicionista à atual gestão, Augusto Melo expos planos e respondeu a uma série de perguntas nesta entrevista exclusiva.

A Gazeta Esportiva definiu a sabatina com questionamentos que foram repassados igualmente aos candidatos e também abordou temas pontuais, de acordo com a peculiaridade de cada postulante ao cargo.

A Gazeta também esclarece que após inúmeros contatos com Mário Gobbi Filho, por meio da assessoria de imprensa da chapa, o candidato optou por não aceitar ao convite. Apenas por este motivo, Gobbi não terá suas respostas publicadas nesta série.

Confira, abaixo, a entrevista com Augusto Melo:

Por que você quer ser presidente do Corinthians?

Primeiramente, porque o Corinthians é a minha vida. Estou no Corinthians há quase 40 anos, por ter passado por vários departamentos, por ter participado mais da política nos últimos 12 anos, por entender que o Corinthians precisa hoje de alguém de conheça o clube, se dedique e que profissionalize o Corinthians. Eu me preparei muito, há um ano e nove meses a gente vem trabalhando nessa questão, por conhecer muito bem hoje o Corinthians, por entender muito de futebol e de clube social. Nosso clube está se deteriorando. Vamos nos tornar uma Portuguesa, um Juventus. Por ter certeza disso, porque hoje quem sustenta o social é o futebol e o futebol não tem mais dinheiro para sustentar o social. Por tudo isso, resolvi me dedicar, me vi preparado e hoje não tenho dúvida que estou bem preparado. Esse vai ser meu desafio.

Por que não houve união com Mário Gobbi?

Oposição hoje é só o Augusto Melo. Não tem outra oposição. Eu nunca fui situação. Na verdade, eu, por participar muito do clube, eu arrasto voto, porque eu participo de jogos, dos departamentos, e nós temos um departamento, que é o Canindé, o maior colégio eleitoral do clube, e lá eu arrasto muito voto. E na época do chapão eu percebi que, como eu arrastava voto, eles me pediram para participar do Conselho. Eu não gosto de política, não me envolvia com política, não discutia política. A partir daí eu comecei a entender a política do Corinthians. Quando eles me mandaram para um outro cargo mais importante, que seria assessor da base, que antigamente era diretor, mas mudou a nomenclatura com o Andrés, eu comecei a entender mais a política, e não concordava com muitas situações que estavam acontecendo, e acabei saindo fora da situação.

O Mário Gobbi já esteve lá, é o mentor da Renovação e Transparência, já foi presidente, há três anos ou mais ele nem aparece no clube. Aliás, todo esse grupo dele não conhece o clube e não aparece no clube. Nem sabem onde são os departamentos ou onde são os banheiros, enfim. Hoje, sou o único candidato de oposição, porque nesses anos todos a gente vem trabalhando no clube. E eles já fizeram parte e não provaram porque são oposição.

O mais lhe incomoda na atual gestão?

Falta de transparência. Tem bastante coisa, mas o que mais me incomoda é a falta de transparência. Temos um Conselho que não tem conhecimento de nada, não é participativo. Hoje, o principal defeito da gestão é a falta de transparência.

Qual direção você tomou nas duas últimas eleições?

Na penúltima, eu disputei o Conselho. Então, eu estava com a situação, porque era o chapão. E na última eu já fui oposição, eu fui um dos que briguei muito para acabar com o chapão, para acontecer as chapinhas, assim cada eleição vai ter uma renovação, vai qualificando mais. Na última, eu ajudei a eleger a minha chapa, a 77, e fiquei fora.

Você é a favor do Fiel Torcedor ter direito a voto?

Eu sou a favor de ter um colégio eleitoral maior. Hoje, com poucas pessoas, você tem como manipular isso. Um dos nossos projetos, existe o 00 (sócio titular), que é o que tem direito a voto, e existe o 01 (sócio dependente), que 95% são mulheres. E o clube social, por se tratar de família, estamos trazendo essa proposta ao Conselho, para que o 01 tenha direito a voto também, para que a mulher tenha voz e seja mais valorizada dentro do clube.

Quanto ao Fiel Torcedor, eu sou favorável. Por exemplo: pegamos os mais antigos, os mais pontuados, trazemos ele para dentro do clube, fazemos ele participar da política do clube, porque não adianta também eles terem direito a voto e não participarem do clube. O estatuto precisa ser modificado urgentemente. Por isso que eu digo, eles têm de ir para dentro do clube, se associar, participar da política, entender a política, cumprir as etapas estatutárias, para depois eles terem direito a voto. Como trazer? Uma menor taxa, um desconto no título, mas acho que eles têm de ter direito, participar mais.

O que você acha que precisa mudar no estatuto do clube?

Tem muitas coisas, entre elas, a principal é os presidentes se responsabilizarem por seus bens. Responsabilidade fiscal. Não só os presidentes, como os diretores e os conselheiros também. Por isso que eu falo, nós temos de trazer a responsabilidade para dentro do Conselho. A principal mudança é a responsabilidade fiscal e esse fato do sócio 01 ter voz ativa.

Você é a favor da aprovação ou da reprovação das contas de 2019? E por quê?

Reprovação total das contas. Porque ela não foi clara, o gasto foi excessivo, gestão temerária, sou totalmente contra.

Como você pretende reduzir a dívida total do clube?

Fechar as torneiras, urgente. Parar de gastar e equacionar as receitas com o déficit. A gente arrecadou 400 (milhões de reais) e gastou 600 (milhões de reais). E não é só 900 (milhões de reais, a dívida total), isso é o que nós sabemos, pelas informações que temos, são R$ 902 milhões. É uma dívida alta, é preocupante, mas quando se trata de Corinthians, uma marca forte, não me preocupa muito neste sentido, porque quando a gente entrar, fechar as torneiras, parar de gastar excessivamente. Nós tivemos um parque aquático com déficit de R$ 12 milhões, um social, que é para nos trazer receita, deu um prejuízo de R$ 6 milhões, enfim. É fechar as torneiras, a gente tem um grande projeto em cima disso. A dívida é preocupante, mas tenho certeza que não vai ser problema.

A prioridade tem de ser buscar títulos no futebol ou pagar as contas?

Vai andar os dois juntos. Quando se trata de Corinthians, jamais você pode pensar em não disputar título. Certamente, teremos um time forte, competitivo, até porque temos uma torcida fiel. A dívida é equacionada, temos projetos para trazer receita e, através dessas receitas, investir pesado no futebol. E quando eu implementar esses projetos no clube, eu já paro de tirar R$ 40 milhões do futebol. Vou investir pesado na base, numa infraestrutura bem mais forte que é hoje, vai ser obrigado subir, todo ano, no mínimo cinco jogadores da base, isso também nos trará receita. Esse dinheiro que a gente vai parar de tirar para o social, vai servir para reinvestir no futebol.

Como você pretende administrar o social e o futebol?

Pode ter certeza que, a partir do momento que a gente sentar naquela cadeira, nós vamos separar o social do futebol. Temos grandes projetos para o social, ele vai ser autossustentável. Em cada departamento, nós teremos um profissional com expertise, vendendo seu espaço, e ele terá metas. Será autossustentável. Não tenho dúvida disso. Nós já temos investimento para isso. Nós temos uma operadora de celular. Nós temos uma rede social. Nós temos um outro projeto, que eu não posso divulgar agora, que já está pronto e vendido. É um projeto audacioso, está pronto, temos investimento para isso. Isso, sentando na cadeira, a gente assina e coloca em prática. E digo mais, nosso social vai começar a pôr dinheiro no futebol, como era nos anos 80, quando nosso social sustentava o futebol.

O projeto de construir parque, hotel e outros estabelecimentos não pode derrubar benefícios fiscais?

A partir do momento que tivermos um investimento desse, que trará muitas receitas, eu não dependo mais de incentivo fiscal. Hoje, dentro do Parque São Jorge, são quatro matrículas. Duas ficarão para o nosso parque temático e duas ficarão para o social. Nós não vamos perder nossa identidade, o basquete, o vôlei, a bocha, o rachão, a peteca, essa essência nós não vamos perder. E outra, quem é sócio vai poder frequentar o parque sem gastar um tostão. A partir daí, o parque vai ter um day use e venderá pacotes. O próprio hotel e os atrativos trarão uma receita enorme. O incentivo fiscal a gente vai querer para a formação de atletas. É entrar, começar a pagar as dívidas, limpar o nome do Corinthians e recolher esse incentivo.

Para você, o que significa profissionalizar o clube, na prática?

Nós temos quatro pilares hoje: o administrativo, o financeiro, o jurídico e o marketing. E, me desculpa, hoje nenhum dos quatro pilares está funcionando no Corinthians, principalmente o marketing e o jurídico. Nosso jurídico é falho. Ou faz acordo ou nós perdemos. A gente não vê uma ação ganha pelo Corinthians. Não estou falando que são maus profissionais, mas quero entender isso e vamos colocar profissionais, na minha visão, bem melhores do que os que estão lá. Eu vou colocar um grande especialista da área trabalhista, um grande advogado na área de recuperação de dívida - já temos o escritório de um grande corintiano, que não vai receber salário, mas já colocou o escritório à disposição -, vamos ter outro na área esportiva e um dos melhores na área de contrato. A partir do momento que nós sentarmos naquela cadeira, vamos rever os contratos. O que for bom, sequência. O que não for, vamos tentar rescindir. Hoje, não temos diretor de marketing, o Andrés está à frente de tudo. Nós teremos dois, um para o social e outro para o futebol, porque temos empresas que querem anunciar no Corinthians, mas não conseguem, porque o investimento no futebol é muito maior.

O que você pretende fazer na Arena que não é feito hoje?

Nossa Arena é maravilhosa. Temos de fazer ela dar lucro. Conheço várias arenas de fora e aqui do país e nunca vi nada igual. Claro que ela não precisava ter o luxo que ela tem, e a única coisa que eu não gosto é um pouco do conforto, que ela peca, dependendo da chuva, até no camarote você toma chuva. Deveria ser coberta. Mas, nos dias normais, ela é maravilhosa. O custo dela também foi um pouquinho alto, poderia ter sido bem menor, mas nós faremos uma Arena multiuso, assim como no Parque São Jorge. Queremos ter shows menores no Parque e shows internacionais dentro da nossa Arena, no gramado e nos espaços de estacionamento.

O que você pensa sobre as promessas de acordos da atual gestão para o pagamento da Arena?

O custo da Arena não me preocupa, não. Se sair (os acordos), melhor ainda. Menos dor de cabeça. Estou torcendo para que seja tudo verdade, porque quanto menos dívida tiver, mais rápido a gente vai pagar.

Como seria sua relação com torcedores organizados?

Torcida é torcida. Presidente é presidente. Na nossa gestão, a torcida tem que cobrar e eu vou ser o primeiro a dar a cara a bater. Jogador é funcionário. Quem tem de cobrar ele é quem contrata ele. Se eu tenho uma empresa, ninguém tem que cobrar meu funcionário, sem ser eu. Se ele não está bom, eu que tenho de mandar ele embora. Relação com organizada, pra mim, é o toma lá da cá com ingressos. Passa uma parte e eles pagam. Não tenho nenhum tipo de ralação com torcida, respeito muito, mas tem que ser algo pacífico e nós temos de entender o que podemos melhorar para a torcida. Eu vinha visitante o setor Norte (da Arena), eles me pedem facilidade para poder entrar, e por isso criamos o projeto 'Voz do Timão', para sentarmos com torcedores, porque queremos entender. Nossa relação será profissional, pacífica, sem problemas.

Por que o sócio não deve votar no Duílio?

Porque é uma sequência do que está aí, o Andrés mesmo declarou na imprensa que ele mesmo era a única pessoa que poderia consertar tudo, não conseguiu consertar, acho até que piorou um pouco mais. O que o Duílio faria diferente do que está aí? E outra, com toda a participação dele em tudo isso, time de futebol, clube social. Ele não conhece, nunca foi no clube social. Tive informação de que ele nunca foi na base. Como pode um diretor de futebol nunca ir na base? Ele tem de estar lá, conhecer os garotos. Eu fiquei espantado, isso não me entra. Então, ele não mudaria nada, seria o mesmo do mesmo. Se o Andrés, que é o Andrés, que conhece tudo, tem experiência de muitos anos, fez uma boa gestão, a primeira, aí o pessoal que ele colocou não fez um bom trabalho. Ele voltou para consertar e piorou. Então, o que o Duílio vai fazer diferente? Nada. Acho que para o ano seguinte vai ser pior ainda.

Por que o sócio não deve votar no Gobbi?

Porque é o mesmo do mesmo também. Mário Gobbi já esteve lá, na melhor fase do Corinthians, que foi um time já entregue para ele, uma situação entregue para ele, e ele não teve esse aproveitamento de expandir mais a marca. Muito pelo contrário. Ele aumentou a despesa, aumentou déficit, aumentou em 300% as ações trabalhistas. É o mesmo do mesmo. Pra mim, não é oposição, nunca.

Por que o sócio tem de votar em você?

Não é que ele tem de votar em mim. Ele tem de ver o que é melhor para o Corinthians. E hoje o melhor para o Corinthians é Augusto Melo. Por quê? Porque sou um cara que, há 39 anos, vivo o Corinthians, é o meu quintal, conheço de futebol, conheço o social, vou me dedicar 100% ao Corinthians, vou profissionalizar o Corinthians em todos os sentidos, sou o melhor candidato, o único que tem um projeto audacioso, registrei em cartório, assinando meu impeachment se nada disso for cumprido. Penso que o sócio quer mudança e o clube precisa de uma renovação, de uma modernização, porque a cada ano nosso clube está sendo deteriorado. Eu vou ser muito ativo no clube. Vou trabalhar muito no futebol, mas sempre vou estar ativo no clube, sabendo o que está acontecendo. Quando acabar meu mandato, eu vou ser o único presidente na história do Corinthians que vai viver o resto da vida dentro do clube. Hoje, a melhor opção, para o clube, para o Corinthians, no geral, é Augusto Melo.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade