Dorival expõe realidade do futebol brasileiro e desabafa sobre sonho europeu
Dorival Júnior falou abertamente sobre carreira, desafios e o desejo de trabalhar na Europa. O treinador criticou a falta de tempo e de oportunidades para técnicos brasileiros, comparou o cenário nacional com o futebol europeu e afirmou que, no Brasil, a cobrança imediata impede a construção de trabalhos de longo prazo.
Dorival Júnior voltou a falar de forma aberta sobre carreira, desafios e o sonho de trabalhar no futebol europeu. Em entrevista exclusiva ao Ge, ao ser questionado se ainda alimenta esse desejo, o treinador afirmou que segue motivado por novos desafios e lamentou a falta de oportunidades e de tempo para treinadores brasileiros, especialmente no cenário nacional.
"Eu acho que nós temos desafios. O ser humano é pautado em desafios. Eu não sou diferente. Eu ainda tenho algumas coisas a aprender, a passar, a viver. Cada dia é uma novidade, cada dia é um fato novo, cada dia é uma situação que você aprende muito dentro do futebol", afirmou Dorival.
O técnico revelou que, sim, já pensou em trabalhar fora do país, mesmo sem a exigência de estar em uma grande liga. "Eu tinha sim. Não precisava ser uma equipe de Série A, uma Série B da Europa. Tenho certeza que eu ajudaria", disse, antes de criticar a forma como treinadores brasileiros são tratados no mercado.
Segundo Dorival, o problema vai além da capacidade técnica e passa pela ausência de continuidade. "Infelizmente, porque nós temos muitos profissionais qualificados dentro do país. Eu tenho certeza disso. Não tem oportunidade. Não se dá o tempo necessário para você preparar, maturar, corrigir e aí atingir o objetivo. É tudo muito atropelado", pontuou.
Para exemplificar, o treinador comparou o cenário brasileiro com o europeu. "Nós temos agora um exemplo: a equipe do Arsenal fazendo o quinto ano do seu treinador, o Arteta. No Brasil, em seis meses estaria indo embora. Teria de ir embora", afirmou. Dorival encerrou destacando que, no futebol nacional, a cobrança é imediata e inviabiliza projetos de longo prazo. "A cobrança é de ontem, não é do amanhã. Por isso que você não tem como fazer trabalho em futebol. Essa é a realidade. Tem que fazer resultado".