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Do veto à saída pelos fundos: R. Carlos conta bastidores do adeus

3 nov 2011 - 10h24
(atualizado às 12h16)
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Dassler Marques

Roberto Carlos viajou até a Colômbia certo de que enfrentaria o Tolima na noite daquela quarta-feira, 2 de fevereiro. Havia sido poupado pelo segundo fim de semana consecutivo e, mesmo em forma física ruim, esperava ser escalado. Tite preferiu o então recém-chegado Fábio Santos, o Corinthians foi eliminado da Copa Libertadores e, cobrado pela torcida, Roberto partiu para a Rússia exatos 10 dias depois. Sem despedida, sem explicações, sem adeus aos companheiros.

Em entrevista exclusiva ao Terra, o melhor lateral esquerdo brasileiro nos últimos anos quebra o silêncio e nega as insinuações de Andrés Sanchez. Na época, o presidente corintiano afirmou que a saída se dava por questões financeiras e não de insegurança, como afirmou Roberto Carlos. "Saí porque a minha situação não era correta". Em vários aspectos, na avaliação dele.

Durante aqueles 10 dias, Roberto Carlos se sentiu: injustiçado (queria jogar, ficou de fora por opção de Tite e acabou tachado de pipoqueiro), desprestigiado (pela chegada de Fábio Santos), inseguro (chegou a ser perseguido e ameaçado) e com o destino incerto (o contrato de três anos com o Anzhi Makhachkala era vantajoso demais). "Tenho um projeto de futuro com o Anzhi", aponta ele sobre o clube que mais gasta atualmente no Leste Europeu.

Sobre arrependimentos, Roberto diz que o único foi não ter jogado, o que deixa evidente a insatisfação pelo veto de Tite. "Treinei, viajei para jogar, mas ele não deixou. Já enfrentei Barcelona e Manchester United", cita com a franqueza de sempre para justificar que não "pipocou". O lateral, que vivia início de temporada ruim física e tecnicamente, viu de fora o time afundar diante do Tolima. Era a senha para o adeus.

Confira a primeira parte da entrevista de Roberto Carlos, 38 anos, na íntegra*:

Terra - Você deixou o Corinthians com alegações de insegurança após a queda diante do Tolima e não concedeu entrevista de despedida na ocasião. O presidente Andrés Sanchez, por sua vez, chegou a afirmar que você saía em função dos valores da proposta do Anzhi. Se arrepende de algo nesse processo?

Roberto Carlos - Só me arrependo de não ter jogado contra o Tolima. Fui para jogar e na época o treinador não me deixou jogar. Aí sim eu teria importância para o torcedor na época da desclassificação. Enfrentei Barcelona, Manchester United, que são clubes de alto nível, e a minha viagem foi para jogar.

Terra - Você acha que poderia ter ajudado o time contra o Tolima?

Roberto Carlos - Foi uma decisão do Tite na época após uma conversa que tivemos. Treinei e ele não me deixou jogar. As pessoas não sabiam da minha dor, da viagem, e me criticaram, me insultaram por algo que não aconteceu.

Roberto faz menção às críticas de que teria "pipocado" ao ficar de fora da partida

Terra - Quais eram as suas condições?

Roberto Carlos - Eu podia jogar 70 ou 80 minutos. Queria que soubessem que fui para jogar, para treinar, e fiquei de fora. Mas só tenho lembranças boas do Corinthians e das amizades que fiz, então não reclamo. Fiz jogos bons, tanto que me deram prêmios no Paulista e no Brasileiro. Nunca perdi no Pacaembu.

Terra - Os valores do Anzhi influenciaram na sua saída?

Roberto Carlos - Em 1995 na Inter, comecei a ganhar dinheiro no futebol. Não saí para ganhar mais dinheiro, saí pela minha situação que não era correta. Fiz tudo da melhor forma e, na noite anterior, houve uma conversa e o treinador resolveu me deixar de fora. Recebi cobranças como se tivesse medo, por isso a minha saída. Não foi porque o Anzhi fez um contrato extraordinário, melhor que tive na Inter, no Real ou no Corinthians.

Terra - Você temeu por sua segurança no Corinthians?

Roberto Carlos - Saí porque violência gera violência e por isso saí do Brasil. Vim para um clube que me dá uma possibilidade melhor de futuro do que os outros que passei. Estou em um país onde o Roberto Carlos é respeitado pela história, pelo que fez fora do nosso País. Nada a mais que isso: não é dinheiro, mas preocupação do projeto de futuro que tenho no Anzhi.

Ficaria mais três anos no Brasil sofrendo. Não foi pelo jogo contra o Tolima, não. São coisas desnecessárias que não preciso passar, você não precisa e minha família não precisa. Tenho muito medo de violência, fiquei preocupado porque, se querem me agredir, meus seguranças vão agredí-los e não queria sujar minha imagem. Isso (protestos contra os jogadores) é organizado. É pago por pessoas da oposição do Andrés.

Terra - Você sentia condições plenas de participar do jogo?

Roberto Carlos - Condições de jogar eu tinha. Falei "quero jogar". Ele (Tite) falou de uma bola que eu não chutei (no treino da véspera) como estou acostumado a chutar. Mas não tenho muito o que falar dele, sempre me tratou bem. É sincero, trabalhador. Não entendi bem a contratação do Fábio (Santos). Se ele não estivesse, eu jogaria. Mas ele chegou, o Tite achou que o Fábio podia demonstrar e ele jogou. Jogou bem.

Terra - A cobrança foi injusta com você pelo fato de não ter jogado?

Roberto Carlos - A coisa não foi o que se esperava e a cobrança ficou meio em mim e no Ronaldo, os mais experientes do grupo. Eu esperava que se colocasse os melhores para jogar. Tinha ficado dois jogos (Noroeste e São Bernardo, as partidas anteriores aos jogos com o Tolima) de fora, me recuperei bem para jogar na Colômbia. Não forcei no treino porque tinha um jogo importante.

Terra - Ficar de fora desse jogo e a eliminação te deixaram mais fora do Corinthians?

Roberto Carlos - Eu não tenho o que falar do Corinthians, são só palavras boas. Essa decisão fez só eu precipitar, ou antecipar, a minha saída do clube.

Terra - Hoje o time é líder do Campeonato Brasileiro. Qual análise você faz desse momento?

Roberto Carlos - Vejo o Corinthians bem. Até outro dia, quando perdeu a liderança, a torcida, os mesmos de sempre, foram no treinamento cobrar. Acho que é isso uma falta de respeito. Isso que fizeram com o menino do Palmeiras (João Vítor), que fizeram com o Fred...isso tem que acabar no futebol brasileiro. O São Paulo mesmo, em situação tranquila, e a diretoria manda treinador embora e não dá tempo de trabalhar. Mas vejo o Corinthians bem como no ano passado. Até o Vitória (antepenúltima rodada), a gente vinha bem. Vamos ver esse ano.

* A segunda parte será publicada na sexta-feira

Passagem pelo futebol espanhol fez de Roberto Carlos um dos grandes nomes do planeta. Em 1997, foi o segundo melhor do mundo de acordo com a Fifa
Passagem pelo futebol espanhol fez de Roberto Carlos um dos grandes nomes do planeta. Em 1997, foi o segundo melhor do mundo de acordo com a Fifa
Foto: AP
Fonte: Terra
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