Dirigente exige ordem da Justiça para deixar cargo no Corinthians
A crise interna do Corinthians ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (24)
A crise interna do Corinthians ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (24) após Romeu Tuma Júnior se recusar a aceitar o afastamento da presidência do Conselho Deliberativo. Em posicionamento oficial, o dirigente afirmou que a decisão tomada em reunião na última segunda-feira (23) não tem validade e garantiu que continuará no cargo.
Segundo Tuma Jr., o encontro que definiu seu afastamento apresentou falhas no processo de convocação e na condução dos trabalhos, o que, na visão dele, compromete a legalidade da decisão. Diante disso, ele deixou claro que só deixará a função mediante determinação da Justiça ou por meio de um procedimento interno que siga rigorosamente o estatuto do clube.
A votação que aprovou o afastamento foi convocada pelo presidente do clube, Osmar Stabile, com quem Tuma vive um embate político direto. Dos 290 conselheiros, 137 participaram da reunião. Entre eles, 115 votaram pela saída do dirigente, enquanto 15 foram contra e sete se abstiveram.
Mesmo com o resultado, o cenário segue indefinido e parte dos conselheiros questiona a legitimidade da reunião, apontando possíveis irregularidades no cumprimento das normas internas. Esse entendimento também influencia a postura do vice-presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, que seria o substituto imediato, mas afirmou que não assumirá o cargo sem uma definição jurídica.
O conflito entre os dirigentes do Corinthians se intensificou nas últimas semanas e está diretamente ligado à proposta de reforma do estatuto do clube. Entre as mudanças em debate está a possibilidade de ampliar o direito de voto para integrantes do programa Fiel Torcedor nas eleições presidenciais.
A tensão já havia ficado evidente em uma reunião anterior, no início de março, segundo o ge, quando houve acusações de interferência na gestão e relatos de ameaça dentro do clube. O episódio gerou discussões acaloradas entre conselheiros e interrompeu o andamento da votação.
Confira a nota completa do dirigente Romeu Tuma Júnior:
"Em relação à reunião realizada na data de ontem, registro que não reconheço a sua validade jurídica, diante de vícios relevantes tanto na convocação quanto na condução dos trabalhos, em desconformidade com as disposições estatutárias que regem o funcionamento do Conselho Deliberativo. A convocação não observou o rito previsto no Estatuto Social, e a própria dinâmica da reunião, inclusive com interrupção formal dos trabalhos, agressões verbais a membros diretivos e posterior retomada por quem não detinha competência para tanto, compromete por completo a regularidade do procedimento, afastando a produção de efeitos jurídicos válidos. Nessas condições, não se configura legal e legítima qualquer restrição à Presidência do Conselho Deliberativo. Posto isso, consigno permanecer no exercício da Presidência do Conselho Deliberativo, com a prática regular dos atos institucionais e o desempenho das atribuições inerentes ao cargo, e dela somente sairei mediante ordem judicial válida nesse sentido ou por meio de procedimento interno que observe rigorosamente os ritos estatutários, conduta essa que sempre pautou minhas ações na qualidade de Presidente do CD. Reafirmo meu compromisso com a observância do Estatuto Social, a segurança jurídica e a estabilidade institucional do clube."