CAPA ESPORTES
 Últimas
 Resultados
 Esportes TV
 Esportes Show
 Imagem
 Papel de Parede
 Calendário 2001
 Notícias por e-mail
 Chance de gol
 Futebol
 Fórmula 1
 Automobilismo
 Tênis
 Basquete
 Vôlei
 Surfe
 Aventura
 Mais esportes
 Colunistas
 Especiais
 Fale com a gente



 Compras



Fernando Santos
Quarta-feira, 24 Outubro de 2001, 22h45
terraesportes@terra.com.br

A resposta de Oscar


Antes de mais nada, gostaria de deixar claro: considero Oscar Schmidt o maior jogador brasileiro da história do basquete. Isso não significa, porém, que seja obrigado a concordar com tudo o que faz ou diz. Ainda acredito que existe liberdade de imprensa neste país.

Alguns internautas interpretaram minhas últimas colunas como ofensivas ou depreciatórias ao mito Oscar. Esta é a opinião deles, a qual respeito, mas que não refletem o pensamento deste colunista. Mas faço questão de reproduzir abaixo mensagem enviada por Samy Vaisman, assessor de imprensa de Oscar. Esse é o procedimento que a coluna adotou em outros casos semelhantes, sempre procurando deixar aberto o espaço a quem é citado e quer dar a sua opinião.

Antes, também, uma observação: é incrível como as pessoas, principalmente no mundo do basquete, não gostam de ser contestadas! Mas esse é um tema para uma próxima coluna. Aliás, acabo de me lembrar de uma coluna na qual rasguei elogios a Oscar, por sua incrível habilidade em driblar o tempo e a idade, mas nem por isso recebi nenhuma mensagem de seu staff. Por que será? Segue, então, a resposta do assessor do Mão-Santa. E aproveito para dizer que aceito e aguardo a proposta para uma entrevista.

"Qual não foi minha decepção ao ler, antes na qualidade de assinante do Terra e freqüente visitante da área de esportes do site, e depois na posição de assessor de imprensa de Oscar Schmidt (função que exerço há mais de dois anos), a coluna do sr. Fernando Santos na tarde desta terça-feira, dia 23...

Em seu texto, o sr. Fernando Santos usa e abusa, a meu ver, de frases recheadas de deboche e sarcasmo, além de mostrar uma tremenda falta de bom senso e respeito quando se refere ao Papa João Paulo 2º e ao homem Oscar Schmidt, como nos parágrafos iniciais quando diz "...os dois se recusam a aceitar a derrota para o tempo... lutam com as forças que lhes restam contra a idade... é difícil imaginar as razões que levam o papa a não renunciar.

Mas o pessoal do Vaticano tem lá os seus motivos milenares. Quanto a Oscar, é fácil encontrar uma explicação: a sua obsessão por ultrapassar o recorde histórico de Kareem Abdul-Jabbar..." Colocar Oscar na mesma linha em que se dirige ao nome do Papa João Paulo II é uma grande honra para o atleta, mas não considero 'os dois se recusam a aceitar a derrota para o tempo' e 'o pessoal do Vaticano' formas muito educadas de se referir à autoridade máxima da Igreja Católica e a Oscar, não superestimando, de forma alguma, o atleta, nem colocando-o no mesmo patamar ao Papa que, apesar dos sérios problemas de saúde e limitações físicas que enfrenta, resiste e ainda emociona bilhões de pessoas de várias religiões pelo mundo...

E prossegue afirmando "... Salvo engano e uma polêmica estatística, Oscar ficou neste domingo a 35 pontos da marca mundial de Kareem, de 46.725 pontos. O Mão-Santa não aceita que exorcizem seus números, principalmente os do início da carreira..." Antes de mais nada, obedecendo às regras gramaticais, não existe a expressão 'Mão-Santa' (com hífen), como criou o autor da coluna. O que existe é um apelido carinhoso dado ao atleta há muitos anos e que pode ser escrito da forma 'Mão Santa'. Mas ninguém está aqui para questionar regras gramaticais e sim uma situação nada agradável e gratuita oferecida pelo sr. Fernando Santos que merece todo o respeito por estar integrando a equipe do Terra. Ao menos por isso.

Bem, quando ao trecho 'salvo engano e uma polêmica estatística... não aceita que exorcizem seus números, principalmente os do início de carreira...', queria deixar bem claro que esta marca, estes números e estatísticas divulgados e propagados hoje em dia são exatamente os mesmos números e estatísticas divulgados e propagados há quase sete anos, quando Oscar voltou da Europa. Pergunto apenas o porquê do questionamento de tais marcas, números e estatísticas agora, o porquê de tanta indignação e 'rebeldia' se estes são os mesmos números que os que acompanham basquete e entendem ou se dizem entendidos deste esporte, estão acostumados a ver e frisar desde então?

"...Por mais que o time do Flamengo se esforce em busca do título carioca, todos os companheiros parecem voltados a ajudar o cestinha a alcançar sua meta. Como neste domingo, na derrota por 110 a 95 para o Vasco. Oscar ficou em quadra quase todo o tempo. Só saiu nos últimos três minutos, quando a reação era impossível. No time, ele tem uma única função: arremessar, de preferência de três pontos. Fez 27 contra o Vasco, e agora espera atingir o recorde no próximo sábado, contra o Fluminense..." Acredito que, mais uma vez, o sr. Fernando Santos foi bastante infeliz em sua declaração. Quando diz que os companheiros de equipe estão inclinados a fazer com que Oscar alcance sua meta, prefiro acreditar que não afirmou isso querendo insinuar que os mesmos são orientados para isso. Até porque isso colocaria em xeque tbm a capacidade e as qualidades técnica e de comando do campeão mundial Miguel Ângelo da Luz. Quem acompanha Oscar desde sua volta ao Brasil, principalmente, seja nos ginásios, pela TV ou jornais, sabe que o ala é peça importante em suas equipes e costuma jogar praticamente o jogo todo sempre, vezes por falta de opções no banco, vezes por estratégia, vezes por estar em um dia inspiradíssimo, assim como, quando não encontra seu melhor jogo, também descansa por alguns poucos minutos no banco de reservas. Em 2000, numa partida contra o extinto Vasco/Barueri, chegou a jogar 50 minutos em partida de duas prorrogações. Além do mais, na última partida contra o Vasco, como noticiado pela TV, Oscar anotou 29 pontos e não 27, como citado na coluna.

Peço atenção para o trecho do - se não me engano - último parágrafo da coluna que diz "... O final da carreira já poderia ter sido antecipado há dois ou três anos. Mas Oscar não dá a mão a torcer. Depois do fracasso na vida política e de ter disputado cinco Olimpíadas sem ter ganho nenhuma medalha, ele tratou de descobrir uma maneira de gravar seu nome na História. E isso será com o recorde de pontos, mesmo que contestado. Mas com a bênção de todos os que reconhecem seu valor no basquete brasileiro e mundial..."

Acredito que a única pessoa a quem diga respeito encerrar a carreira e quanto o fazer seja uma só: o próprio Oscar. Assim como questionam a qualidade e rendimento do atacante Romário. A maior prova disso é que, desde que chegou ao Flamengo há mais de dois anos (no período defendido pelo colunista para o encerramento da carreira), foi cestinha de dois campeonatos nacionais, dois estaduais, um Campeonato Sul-Americano e líder de estatísticas de bolas de três pontos, entre outros 'fundamentos'. Conquistou um Estadual, foi vice Brasileiro e terceiro Estadual e Sul-Americano, tendo marcado quase 4.500 pontos até agora desde agosto de 1999. Recebeu, no início do ano, inclusive, homenagem da alta direção da NBA (Liga Americana de Basquete Profissional) por ter feito quase 60 pontos em duas ocasiões na competição continental, o que mostra que sua qualidade e seus feitos atravessam fronteiras. Fronteiras estas que o colocaram, por duas vezes, em eleições feitas com fãs da NBA nos EUA, na 'seleção dos sonhos de todos os tempos', formada apenas por dez não-americanos. Oscar não atuou na NBA, embora tenha recebido cinco convites ao longo da carreira. Um ídolo, um craque, um exemplo não se faz sozinho e nem com fatos fabricados e Oscar lutou por 30 anos no basquete para se identificar e ser identificado com uma imagem íntegra, honesta, nunca arranhada. Entre os inúmeros prêmios que recebeu na carreira, destaco o 'Nelson Mandela', e o 'Un Canestro per la Vitta' (ambos na Itália), por sua luta contra o racismo, as medalhas Mérito Esportivo (Presidência da República do Brasil) e Presidente da República Italiana (por sua luta contra o racismo) e a Ordem Olímpica do COI (1997). O sonho da carreira política acabou com a condição de vencedor em 539 das 651 cidades do Estado de São Paulo, com 5.752.202 votos, quinto maior votado da História para o Senado. O próprio Oscar é o primeiro a admitir sua total falta de estímulo e seu alívio atualmente por não ter ingressado na política. Falando em termos olímpicos, apesar de não ter conseguido uma medalha, Oscar detém todos os recordes da modalidade e o 'tratou de gravar seu nome na História' mostra, infelizmente, a total falta de conhecimento o sr. Fernando Santos sobre a carreira de Oscar. Estamos abertos e ficaríamos especialmente honrados em receber o Terra, na pessoa do sr. Fernando Santos, para uma entrevista com Oscar, se for do desejo do mesmo e 'com a benção de todos os que reconhecem seu valor no basquete brasileiro e mundial'. Que assim seja."

 

veja lista das últimas colunas

Coluna do Internauta Wanderley Nogueira Juarez Soares
Marcos Caetano Fernando Santos