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Seleção 100 jogos: a formação da lenda canarinho em 18 atos

Brasil completa nesta segunda-feira contra Camarões 100 partidas em Copa do Mundo, competição na qual é olhada com respeito pelos cinco títulos mundiais, vitórias e futebol que em muitos momentos encantou o mundo

23 jun 2014
07h33
atualizado às 10h10
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Quando entrar em campo nesta segunda-feira para fazer o seu 100º jogo na Copa do Mundo, contra Camarões, a Seleção resgatará memórias diferentes de torcedores que têm sua história particular dos confrontos que marcaram a relação com o time nacional. Escolher as partidas inesquecíveis de uma caminhada de 68 vitórias - 16 empates e 15 derrotas - e cinco títulos mundiais é uma tarefa que sempre irá gerar controvérsia, mas também boas lembranças.

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Pensando nisso, o Terra listou 18 jogos que de alguma maneira contam a formação da tradição brasileira em Copas. Dos três gols de Diamante Negro que colocaram o Brasil no mapa do futebol em 1938, passando pela “Tourada de Madri” em cima da Espanha em um Maracanã lotado, com ênfase no período de ouro de 1958 e 1970 quando Pelé e Garrincha comandaram gerações de craques, sem esquecer das vitórias da geração Zico que levaram alegria a torcedores, e encerrando nos títulos que consagraram Romário e Ronaldo, relembre momentos inesquecíveis desta trajetória. E conte na sessão de comentários qual jogo que te emocionou não está na lista.

Confira:

5/6/1938 – Brasil 6 x 5 Polônia (oitavas de final) - Estádio de la Meinau, em Estrasburgo (França)

Um jogo de onze gols em uma Copa do Mundo por si só já é motivo de destaque. Mais do que isso, o 6 a 5 contra a Polônia significou a primeira vitória significativa da Seleção em um Mundial. Os 4 a 0 sobre a Bolívia em 1930 de nada valeram, e quatro anos depois o Brasil se despediu com derrota única para a Espanha.

A partida ainda teve altas doses de emoção e show de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Leônidas da Silva, o Diamante Negro, marcou três, dois deles na prorrogação e um com os pés descalços, e colocou o Brasil no mapa do futebol. O polonês Wilimowski marcou quatro gols na partida. Romeu e Perácio (2) fizeram os outros gols brasileiros.

Foto: Getty Images

Brasil enfrenta Tchecoslováquia nas quartas de final (Foto: Getty Images)

15/7/1950 Brasil 6 x 1 Espanha (quadrangular final) Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro

O canto da marchinha “Touradas em Madri”, composta por Braguinha e entoada por 152.772 vozes no Maracanã, marcou o ápice da empolgação brasileira com a Copa de 1950. No embalo do “olé”, a Seleção humilhou a Espanha com um 6 a 1 que por pouco não virou título. Ademir (2), Jair, Chico (2) e Zizinho comandaram a festa, e Silvestre descontou quando o jogo estava 6 a 0.

Disputado ao mesmo tempo, Uruguai e Suécia empatavam até os 41min do segundo tempo, quando Míguez deu a vitória aos uruguaios e manteve aberta a disputa pelo troféu. O final desta história todos já sabem: Maracanazo no 2 a 1 do Uruguai na partida final.

19/6/1958 – Brasil 1 x 0 País de Gales (quartas de final) – Estádio Ullevi, em Gotemburgo (Suécia)

O simples fato de Pelé ter marcado seu primeiro gol em Copa do Mundo já valeria a lembrança pelo sofrido 1 a 0 do Brasil sobre o País de Gales na Copa de 1958. O cartão de visitas veio aos 21min do segundo tempo em uma dominada de peito de costas para o zagueiro. O toque na direção contrária seguido de um giro rápido abriu espaço para ele chutar sem chances para o goleiro.

O gol único em uma quase intransponível defesa garantiu o Brasil nas semifinais daquela campanha que se transformaria na primeira vitoriosa. Pelé fez muitos outros gols em Mundiais, mas este ficou na história como um dos mais decisivos.

Foto: Getty Images

Brasil x País de Gales. Foto: Getty Images

29/6/1958 - Brasil 5 x 2 Suécia (final) – Estádio Rasunda, em Estocolmo

A frustração pela derrota na final de 1950 foi superada com uma goleada categórica em cima dos anfitriões suecos. Vavá e Pelé marcaram duas vezes e Zagallo completou o placar de uma das finais mais desequilibradas da história. Liedholm ainda abriu o placar para os donos da casa, mas a virada brasileira aconteceu com naturalidade.

As imagens de Pelé chorando ao final da partida e de Bellini levantando a taça ficaram imortalizadas e enterraram o complexo de vira-latas do time verde e amarelo. A expressão cunhada por Nelson Rodrigues atormentou a Seleção Brasileira após a frustração em casa oito anos antes.

Foto: Getty Images

Brasil x Suécia em 1958. Foto: Getty Images

6/6/1962 – Brasil 2 x 1 Espanha (primeira fase) - Estádio Sausalito em Viña del Mar (Chile)

A lesão de Pelé no jogo anterior deixou os brasileiros apreensivos: o que seria da Seleção sem o melhor jogador do mundo, consagrado já pela Copa de 1958? Para complicar Rodriguez colocou a Espanha em vantagem no primeiro tempo em placar que decretaria a eliminação brasileira na primeira fase.

A situação poderia ter ficado ainda pior quando Nilton Santos derrubou Collar na área, Mas o passo à frente do brasileiro confundiu o árbitro Sergio Bustamante e apenas falta foi marcada. Quando faltavam 15 minutos para final, a reação brasileira veio pelos pés de Amarildo, o substituto de Pelé que marcou duas vezes e garantiu uma improvável vitória brasileira.

Foto: Getty Images

Brasil x Espanha em 1962. Foto: Getty Images

10/06/1962 – Brasil 3 x 1 Inglaterra (quartas de final) – Estádio Sausalito em Viña del Mar (Chile)

Na Copa de Garrincha, uma imagem que ficou para sempre marcada pouco teve a ver com o futebol. O homem que driblava até a sombra foi fintado por um cachorro que invadiu o campo.

Mas com a bola no pé Garrincha deixou os dribles de lado para marcar de cabeça e de fora da área os gols que ajudaram em uma difícil vitória. Vavá completou o placar.

Foto: Getty Images

Brasil x Inglaterra em 1962. Foto: Getty Images

17/06/1962 – Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia (final) – Estádio Nacional, em Santiago (Chile)

Masopust até que tentou atrapalhar o sonho do bicampeonato brasileiro com um gol para a Tchecoslováquia logo no começa da partida. Mas a superioridade do Brasil ficou provada com gols de Amarildo, Zito e Vavá.

Mauro Ramos levantou a taça no Estádio Nacional, mas quem ficaria gravado como dono da Copa de 1962 era o Anjo das Pernas Tortas Garrincha. Um dos maiores jogadores do Brasil comandou o time desfalcado por Pelé desde a segunda rodada e guardou seu nome entre os melhores jogadores da história.

Foto: Getty Images

Brasil x Tchecoslováquia em 1962. Foto: Getty Images/Popper Fotos

7/6/1970 – Brasil 1 x 0 Inglaterra (primeira fase) – Estádio Jalisco, em Guadalajara (México)

O primeiro teste para aquele que para muitos é o melhor time da história do futebol chegou logo no segundo jogo da Copa de 1970. Uma Inglaterra ainda mais forte do que a campeão de 1966 resistiu bravamente ao ataque brasileiro, incluindo a lendária defesa de Gordon Banks em cabeçada de Pelé.

Um jogo de tamanho equilíbrio e nervos só podia ser decidido na genialidade. E foram três craques que entraram em ação. Tostão tabelou com Paulo César Caju e conseguiu uma série de dribles até cruzar para Pelé. O camisa 10 pensou rápido e apenas ajeitou para Jairzinho, que fuzilou Gordon Banks.

Foto: Getty Images

Brasil x Inglaterra em 1970. Foto: AP

17/6/1970 – Brasil 3 x 1 Uruguai (semifinal) – Estádio Jalisco em Guadalajara (México)

O reencontro entre Brasil e Uruguai depois da final da Copa de 1950 já apimentava uma semifinal que foi disputada em alta tensão. Cubilla abriu o placar para os uruguaios e colocou a pressão em cima de um Brasil com sérias dificuldades de se achar em jogo. Até que Clodoaldo apareceu como elemento surpresa e aproveitou cruzamento de Tostão para marcar.

O segundo tempo continuou brigado, disputado e imprevisível. Até que Jairzinho e Rivelino, já nos acréscimos, deram números finais a um jogo que também ficou marcado por dois lances geniais de Pelé que não acabaram em gol. No primeiro, um drible da vaca sem bola em Mazurkiewicz foi desperdiçado com um arremate para fora. O goleiro uruguaio ainda cobrou um tiro de meta errado, quase aproveitado de bate-pronto pelo brasileiro.

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Brasil x Uruguai em 1970. Foto: Getty Images

21/06/1970 – Brasil 4 x 1 Itália (final) – Estádio Azteca, em Cidade do México

A coroação do time que sintetizou a arte de jogar futebol veio em grande estilo. Diante de uma Itália cansada por uma prorrogação exaustiva contra a Alemanha na semifinal, a Seleção se impôs e construiu o placar com tranquilidade apesar do susto ao final do primeiro tempo com o gol de Boninsegna. Pelé tinha aberto o placar mais cedo.

Com o calor complicando ainda mais a seleção italiana, os brasileiros decidiram o jogo no segundo tempo com Gérson e Jarizinho, artilheiro do time com sete gols. A chave de ouro veio no gol de Carlos Alberto Torres depois de ajeitada de Pelé. Tricampeonato garantido.

Foto: Getty Images

Brasil x Itália em 1970. Foto: AP

18/06/1978 – Brasil 0 x 0 Argentina (quadrangular semifinal) Estádio Gigante de Arroyito, em Rosário (Argentina)

O placar de 0 a 0 em um ambiente de pressão extrema, na casa do maior rival, teve sabor de vitória para um Brasil aguerrido e raçudo. Os zagueiros Chicão e Oscar não aliviaram e distribuíram pancadas ao mesmo tempo em que Dirceu e Zico apanhavam do outro lado. Sobraram cotoveladas, pontapés e amarelos no jogo que ficou conhecido como a “Batalha de Rosário”.

No ataque, o argentino Luque infernizou a defesa brasileira e foi parado com faltas por muitas vezes. Do outro lado Roberto Dinamite teve em seus pés a bola do jogo, defendida com as pernas por Filliol. O lance fez falta, já que no desempate por uma vaga na decisão a Argentina levou a melhor com o polêmico 6 a 0 sobre o Peru, até hoje motivo de suspeita.

Foto: Getty Images

Time do Brasil durante a Copa de 1978. Foto:Getty Images

2/7/1982 – Brasil 3 x 1 Argentina (triangular) - Estádio Sarriá, em Barcelona (Espanha)

Quatro anos depois da Batalha de Rosário, Brasil e Argentina voltaram a se enfrentar em uma Copa do Mundo em jogo repleto de craques. Maradona, Ardiles e Passarela de um lado. Zico, Falcão e Sócrates de outro. A pancadaria foi bem menor do que em Rosário, mas não livrou Maradona de uma expulsão em sua primeira Copa do Mundo por pontapé em Batista.

A superioridade numérica foi traduzida no placar. Zico, Serginho Chulapa e Junior – Diaz descontou no final do jogo - impuseram uma vitória categórica que elevou a confiança da Seleção para o jogo decisivo contra a Itália. Porém, Paolo Rossi acabou com as esperanças do Brasil e impôs uma das derrotas mais duras da história do País na Tragédia de Sarriá.

Copa do Mundo de 1982 (Espanha): Argentina 1 x 3 Brasil
Copa do Mundo de 1982 (Espanha): Argentina 1 x 3 Brasil
Foto: AFP

Brasil x Argentina em 1982. Foto: Getty Images

16/06/1986 – Brasil 4 x 0 Polônia – (oitavas de final) - Estádio Jalisco, em Guadalajara (México)

A geração Zico teve a sua última chance de colocar o nome na história na Copa de 1986. Porém, a magia de 1982 parecia ter ficado no caminho depois de uma primeira fase com vitórias burocráticas contra Espanha, Argélia e Irlanda do Norte. O duelo contra a Polônia serviu como canto de cisne daquele time.

Em jogo disputado às 12h debaixo de forte calor em Guadalajara o Brasil não tomou conhecimento dos fortes poloneses e construiu a goleada com Sócrates, Josimar, Edinho e Careca. O time comandado por Telê Santana voltava a encantar, mas já no duelo seguinte daria adeus nos pênaltis em uma partida sem brilho contra a França.

Foto: Getty Images

Brasil  Polônia em 1986. Foto: Getty Images

9/7/1994 – Brasil 3 x 2 Holanda (quartas de final) – Cotton Bowl, em Dallas (EUA)

A criticada Seleção comandada por Carlos Alberto Parreira havia passado da primeira fase sem dificuldades e vencido os donos da casa nas oitavas de final sem brilho. O jogo contra a Holanda aparecia como maior desafio até então, o que se concretizou em um primeiro tempo sem gols e muito disputado.

Na segunda etapa tudo mudou. Romário e Bebeto abriram 2 a 0 e deram a impressão de que o Brasil conseguiria avançar sem maiores problemas à semifinal. Ledo engano. Bergkamp e Winter igualaram o placar e deixaram os brasileiros preocupados. Então entrou em cena Branco, substituto do suspenso Leonardo, que arrumou a bola na intermediária e cobrou uma falta com violência. Romário ainda desviou da bola para não atrapalhar o chute que marcou aquela Copa tanto quanto o pênalti desperdiçado por Roberto Baggio.

Foto: Getty Images

Brasil x Holanda em 1994. Foto: Getty Images

17/7/1994 – Brasil 0 x 0 Itália (3 x 2 nos pênaltis) (final) – Rose Bowl

O quarto título do Brasil em Copas veio em um jogo com mais emoção nos pênaltis do que no tempo normal e prorrogação. Parreira tentou de tudo para colocar molho no jogo, inclusive com a entrada pela primeira vez na Copa de 1994 de Viola. O Brasil sempre esteve mais perto de marcar, mas a decisão foi para os pênaltis.

Após erros de Márcio Santos e Baresi, Romário, Branco e Dunga marcaram para o Brasil. Albertini e Evani fizeram para os italianos, mas Massaro errou. Pressionado, Baggio precisava fazer para manter os europeus no páreo, mas isolou por cima do travessão e garantiu a festa brasileira na Califórnia.

Foto: Getty Images

Brasil x Itália em 1994. Foto: Getty Images

3/7/1998 – Brasil 3 x 2 Dinamarca (quartas de final) Estádio de la Beaujoire em Nantes (França)

Em uma Copa do Mundo em que o Brasil chegou a mais uma final, o jogo contra a Dinamarca simbolizou uma campanha de altos e baixos, de uma derrota inesperada para a Noruega a uma vitória categórica contra o Chile nas oitavas. Nas quartas, a irregularidade ficou provada com as reviravoltas que colocaram o Brasil nas semifinais.

Jorgensen pressionou o Brasil com um gol logo aos 2min, mas Bebeto e Rivaldo viraram ainda no primeiro tempo. Bryan Laudrupp empatou logo após o intervalo e ainda provocou os brasileiros com uma comemoração inusitada, na qual deitou no campo e fez pose. Rivaldo, em chute de fora da área, decidiu uma partida que nunca esteve fácil.

Foto: Getty Images

Brasil x Dinamarca em 1998. Foto: Getty Images

21/06/2002 – Brasil 2 x 1 Inglaterra (quartas de final) – Estádio Shizuoka Ecopa, em Fukuori (Japão)

Um vacilo de Lúcio no primeiro tempo colocou pimenta em um jogo em que o Brasil era testado de verdade pela primeira vez na Copa. Owen não desperdiçou e pressionou o time comandado por Felipão, que até chegar as quartas tinha enfrentado Turquia, Costa Rica, China e Bélgica.

Rivaldo melhorou a situação nos acréscimos do primeiro tempo ao acertar chute de longe, quando tudo levava a crer que a Inglaterra iria para o intervalo em vantagem. O jogo continuou nervoso, e o lance decisivo veio dos pés de Ronaldinho. Uma falta que ficou entre o chute e o cruzamento teve destino certeiro e garantiu o Brasil nas semifinais.

Foto: Getty Images

Brasil x Inglaterra em 2002. Foto: Getty Images

30/6/2002 – Brasil 2 x 0 Alemanha (final) – Estádio Internacional de Yokohama, no Japão

O pentacampeonato do Brasil veio com o brilho de Ronaldo e o auxílio importante de Rivaldo. O camisa nove fez os dois gols da vitória, um deles e falha de Oliver Kahn, o melhor goleiro daquela Copa do Mundo.

A vitória construída no segundo tempo teve poucos momentos de pressão alemã e marcou o primeiro encontro entre os gigantes da Copa em uma decisão. A Alemanha até hoje busca o tetracampeonato.

Foto: Getty Images

Brasil x Alemanha em 2002. Foto: Getty Images

Fonte: Terra
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