Brasil encerra Olimpíada de Inverno 2026 com ouro inédito e nova geração no radar
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina entram para a história do esporte brasileiro com um feito inédito: a medalha de ouro de Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino — a primeira do Brasil e também da América do Sul na história de uma Olimpíada de inverno.
Luciana Quaresma, especial de Milão para a RFI
A conquista consolida um novo momento para o país nos esportes de neve, mas não foi apenas o ouro que marcou esta edição. A presença de jovens atletas reforçou a sensação de que uma nova geração começa a ganhar espaço no cenário olímpico.
Entre eles, a esquiadora Alice Padilha, de apenas 18 anos, que fez sua estreia olímpica representando o Brasil no esqui alpino. Apesar de não ter alcançado um resultado expressivo, a participação em si já é histórica e estratégica para o futuro da modalidade no país.
"O Brasil não tem neve, mas eu acho que consigo fazer uma boa representação para o meu país. Você não precisa nascer em um país com neve para esquiar", afirma Alice.
A jovem atleta competiu ao lado de esquiadoras experientes, vindas de potências tradicionais da modalidade. Para ela, o aprendizado foi tão importante quanto o resultado final.
"Eu estou esquiando com meninas muito mais fortes e mais experientes. Mas acho que fiz muito bem com os recursos que eu tinha", diz.
Mais do que a prova em si, Alice destaca o valor de estar inserida no ambiente olímpico.
"Para mim, não era só fazer a corrida. Era treinar com atletas de altíssimo nível e ver o que elas fazem no dia a dia. A gente costuma ver essas meninas só na competição. Foi muito legal acompanhar a rotina delas."
Ao fim da prova, sentada na área de chegada, a brasileira observava as melhores do mundo descendo a montanha. "Quando a corrida acabou, eu estava sentada vendo as meninas que estavam ganhando esquiarem. E é isso. É por isso que eu amo o meu esporte", disse.
A estreia olímpica marca o início de um ciclo. Para Alice, competir pelo Brasil também carrega um peso simbólico. "Agora que estou esquiando pelo Brasil, acho que é algo bom para o meu país e para todo mundo que acredita que isso é possível", analisou.
Snowboard halfpipe
Se no esqui alpino a juventude aparece com Alice, no snowboard halfpipe o Brasil também contou com um nome promissor: Augustinho Teixeira, de 20 anos. Ele representou o país na modalidade e alcançou um dos melhores resultados da história brasileira no halfpipe olímpico, reforçando a evolução do Brasil em provas tradicionalmente dominadas por Estados Unidos, Japão e países europeus.
A presença de Augustinho — somada à medalha histórica de Lucas Pinheiro Braathen e à estreia de Alice Padilha — desenha um cenário diferente para os esportes de inverno no Brasil, um Brasil que, mesmo sem neve, começa a acreditar que pode competir e vencer nas montanhas geladas do mundo.
Milano-Cortina 2026 termina com um marco dourado e com a certeza de que há uma geração disposta a transformar o improvável em realidade olímpica.