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Beisebol: MLB trabalha para construir nova geração de jogadores negros

Embora nenhum atleta afro-americano tenha participado da World Series do ano passado, há anos existe um programa para reverter esse declínio

20 jan 2023 - 05h10
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TEMPE, Arizona — O discurso "Eu tenho um sonho" de Martin Luther King, repleto de beats (batidas) modernos, fluía de um alto-falante enquanto um grupo de jovens, praticamente todos jogadores de beisebol negros nascidos nos Estados Unidos, praticava rebatidas na Dream Series anual.

O som veio do telefone de Jerry Manuel, ex-técnico do New York Mets e do Chicago White Sox. Manuel também é um dos treinadores da Dream Series, um evento nomeado, em parte, para homenagear o legado de Martin Luther King e projetado para aumentar o número de jogadores negros na MLB (a principal liga de beisebol dos Estados Unidos). "Só de ver tudo isso me dá arrepios", disse Tony Reagins, o executivo da MLB por trás do evento.

Apenas três meses se passaram desde o fim de uma World Series que envergonhou e humilhou a MLB. Pela primeira vez em 72 anos, ela foi disputada sem um único jogador negro nascido nos Estados Unidos.

O beisebol já ajudou a redefinir as fronteiras raciais na sociedade americana quando Jackie Robinson integrou a National League em 1947 - e apresentou por décadas times com escalações multiculturais - mas vinha retrocedendo no tema nos últimos anos. Mas a World Series de 2022, entre o Philadelphia Phillies e o Houston Astros, foi um sinal chocante.

Os problemas não são apenas dentro de campo. As 30 equipes da MLB, apesar de mostrarem progresso, ainda sofrem com uma flagrante falta de diversidade nas diretorias e nas comissões técnicas, de acordo com organizações independentes. Mas a participação de jogadores negros americanos no beisebol, inclusive nas outrora prósperas ligas negras, há muito tempo era uma marca registrada do esporte, e isso estava desaparecendo.

O esforço para resolver esse problema começou muito antes da World Series de 2022 e foi revigorado com a contratação de Reagins em 2015. As recompensas dos vários programas da liga, diz Reagins, serão vistas nos próximos anos.

"Fiquei desapontado, desanimado", contou, sobre o momento em que soube que nenhum jogador negro participaria da World Series de 2022. "Mas também alguma raiva por ter essa história destacada no maior palco do nosso jogo. Eu sabia que essa seria a narrativa, mas também sabia que há muito trabalho sendo feito para criar um caminho para os próximos anos."

Esse trabalho é sua paixão. Reagins, que foi diretor do Los Angeles Angels de 2007 a 2011, entrou na MLB com a missão de trazer diversidade desde o começo. Ele ajudou a iniciar e revitalizar vários programas de desenvolvimento, incluindo o Dream Series, que acontece todos os anos durante o fim de semana do MLK Day (Dia de Martin Luther King, celebrado na terceira segunda-feira do mês de janeiro).

Ex-jogadores e técnicos, incluindo Manuel, LaTroy Hawkins, Marvin Freeman e Mike Scioscia, estavam espalhados pelo centro de treinamento dos Angels, trabalhando em estreita colaboração com muitos dos melhores jovens jogadores negros do país. A MLB diz que cerca de 600 ex-alunos conseguiram ser recrutados para jogar em faculdades, uma conquista que Reagins considera igualmente importante para a missão principal.

Não há debate sobre o número cada vez menor de jogadores afro-americanos na MLB. No ano passado, os atletas negros nascidos nos Estados Unidos no primeiro dia da temporada totalizaram 7,2% do total, de acordo com o relatório anual Racial e de Gênero, conduzido pela Universidade Central Florida. Esse foi o menor percentual desde 1991, quando os dados foram coletados pela primeira vez. Naquele ano, os jogadores afro-americanos representavam 18% do total.

Mas como o número de jogadores negros na MLB continua diminuindo, o número de escolhas no draft aumentou drasticamente nos últimos anos, em parte por causa dos programas da liga. De acordo com o mesmo estudo, nas primeiras rodadas dos últimos 10 drafts, 65 jogadores negros nascidos nos Estados Unidos foram selecionados em 349 escolhas (18,6%). Uma grande porcentagem desses jogadores eram ex-alunos dos programas de desenvolvimento liderados pela MLB.

Richard Lapchick, diretor do Instituto de Diversidade e Ética no Esporte da Flórida Central, que produz o estudo, chamou o que aconteceu na World Series de um momento surpreendente. Ele acredita que a MLB está fazendo um esforço sincero para reverter essa tendência. "Os números do recrutamento mostram um sinal de esperança", disse ele, "mas não saberemos por alguns anos se isso fará a mudança que eles esperam".

Estadão
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