Oscar Schmidt mudou o basquete com cestas de três e forçou 'Dream Team' dos EUA após o Pan de 1987; entenda
Vitória em Indianápolis quebrou invencibilidade da equipe e deu o primeiro degrau para que os estadunidenses levassem sua melhor geração de jogadores para Barcelona, em 1992
O dia 23 de agosto de 1987 mudou completamente os rumos do basquetebol e da vida de Oscar Schmidt (1968-2026). Isso ocorreu após a vitória histórica da seleção brasileira masculina sobre os Estados Unidos, por 120 a 125, na final dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, no Market Square Center.
Os brasileiros foram liderados por Oscar e Marcel, cujos feitos em quadra naquele dia fizeram com que a cena mundial do basquete olhasse melhor para uma forma de se obeter pontos e, além disso, que os Estados Unidos, que perderam em casa pela primeira vez e deixaram escapar uma invencibilidade de 60 jogos, virassem para a década de 1990 apostando em sua força máxima para retomar a hegemonia no esporte.
Oscar fez, ao todo, 46 pontos naquela final, enquanto Maciel fez 31. O elenco brasileiro, que também contava com nomes como Israel, Gerson, Guerrinha, Cadum e Paulinho Villas Boas, fez uma virada histórica em Indianápolis que jamais foi esquecida pelos brasileiros e estadunidenses que viveram aquela época.
Enredo antes da final
Estados Unidos e Brasil jogaram em grupos diferentes no início da competição. Os anfitriões estiveram no grupo A, com Venezuela, Panamá, México e Argentina, terminando a fase de forma invicta com quatro vitórias e oito pontos.
Já no grupo B, o Brasil terminou em terceiro lugar, com três vitórias, uma derrota e sete pontos, mesma pontuação de Canadá e Porto Rico, que ficaram à frente por conta de pontos sofridos menores, e à frente do também classificado Uruguai. As Ilhas Virgens Americanas foram eliminadas.
Nas quartas de final, as duas seleções venceram com folga: os Estados Unidos bateram o uruguai por 105 a 81, enquanto o Brasil eliminou a Venezuela no placar de 131 a 84. Nas semifinais, os anfitriões tiveram um embate mais difícil contra Porto Rico, mas passaram em vitória por 80 a 75. Já os brasileiros venceram o México por 137 a 116.
Final com virada épica
O Market Square Center teve 16.408 pessoas na final, que começou com um primeiro tempo vantajoso para os Estados Unidos e seu elenco que tinha nomes como Keith Smart, Rex Chapman e David Robinson. A equipe da casa chegou a abrir 20 pontos de diferença, diminuídos para 14 no final da primeira metade graças às certas de Oscar e Maciel. A parcial foi de 68 a 54 na primeira etapa.
O Brasil reagiu e levou o jogo à virada no segundo tempo. Oscar Schmidt fez sete cestas de três que foram cruciais para a construção da vitória. Os 66 pontos marcados pelo Brasil culminaram na virada e na vitória por 120 a 115 no final.
Oscar e as cestas de três pontos
Oscar Schmidt fez seis das dez cestas de três pontos do Brasil no jogo. A prática era incomum no esporte, pois a implementação da linha ocorreu em 1984 e não era parte da estratégia de jogo dos times e seleções de basquete, que focavam nas áreas de dois e um ponto no jogo.
Depois da vitória brasileira no Pan, as cestas de três pontos foram vistas de outra forma, se tornando cruciais para ampliações e viradas ao longo das partidas. Na NBA, especificamente, diversos jogadores se tornaram especialistas no lançamento de três pontos nas gerações futuras às dos anos 1980, como Ray Allen, James Harden, Klay Thompson, Damian Lillard, LeBron James e, principalmente, Stephen Curry, que se tornou o jogador com mais cestas de três da história da liga, com mais de quatro mil.
A formação do "Dream Team" na olimpíada seguinte
A derrota no Pan-Americano de 1987, encabeçada pelo desempenho de Oscar Schmidt, foi o primeiro degrau que levou ao planejamento dos Estados Unidos em formar o melhor time de basquete possível para a seleção. A consolidação veio no ano seguinte, nas Olimpíadas de Seul, quando perderam nas semifinais para a União Soviética por 82 a 76.
Este desenvolvimento ficou mais fácil quando a FIBA derrubou a proibição de jogadores da NBA em seleções no ano de 1989. Esta regra fez com que os Estados Unidos levassem apenas jogadores amadores ou universitários e , curiosamente, também levou Oscar Schmidt a não integrar ao New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets) em 1984, quando foi draftado na sexta rodada.
Com isso, os EUA retomaram a hegemonia no basquete em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, com o apelidado Dream Team, um elenco que contava com os melhores jogadores da liga nacional do país: Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson, Charles Barkley, Scottie Pippen, Patrick Ewing, Karl Malone, Christian Laettner, David Robinson (que esteve no elenco do Pan de Indianápolis), Clyde Drexler, Chris Mullin e John Stockton.
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