WEC: Ferrari prepara plano logístico alternativo diante de incerteza sobre fim da temporada
Equipe italiana cria estratégia com dois planos de transporte enquanto FIA define se as etapas finais serão no Oriente Médio ou na Europa.
A indefinição sobre o encerramento da temporada 2026 do Mundial de Endurance (WEC) tem obrigado as equipes a trabalharem com diferentes cenários logísticos. Na Ferrari, a possibilidade de as duas últimas etapas deixarem o Oriente Médio e serem transferidas para a Europa já resultou na elaboração de um plano alternativo para garantir que os equipamentos estejam disponíveis independentemente da decisão da FIA.
O conflito no Oriente Médio levou ao adiamento dos 1812 km do Catar, que passaram de março para outubro, mas a continuidade da guerra também colocou em dúvida a realização da prova e das 8 Horas do Bahrein. Como alternativa, a organização do campeonato estuda encerrar a temporada com corridas em Barcelona e Monza. A definição do calendário deve ser oficializada na próxima reunião do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA.
O gerente da Ferrari AF Corse, Batti Pregliasco, revelou que as equipes precisaram antecipar o planejamento logístico e criar um "Plano B" para evitar problemas no transporte de equipamentos. Segundo o dirigente, a Ferrari dividiu o material em dois conjuntos. Um deles seguirá diretamente da etapa de São Paulo para Fuji, enquanto outro será enviado para Austin e permanecerá em espera até a confirmação do destino das etapas finais, seja Catar, Bahrein ou Europa. A estratégia busca evitar atrasos provocados por possíveis bloqueios nas rotas marítimas.
Pregliasco reconheceu que a solução representa um aumento de custos, mas afirmou que o planejamento antecipado é necessário para preservar o campeonato diante do cenário geopolítico. Além dos desafios logísticos, a indefinição também afeta o aspecto esportivo. Caso as provas finais sejam realizadas na Europa, a tendência é que sejam disputadas no formato tradicional de seis horas, em vez das corridas mais longas previstas para Catar e Bahrein. Com isso, haverá menos pontos em disputa na reta final da temporada.
O dirigente explicou que outras alternativas, como a realização das provas em circuitos asiáticos, também foram avaliadas, mas esbarram em dificuldades semelhantes de transporte e custos elevados, especialmente pela necessidade de utilizar frete aéreo em um cronograma apertado. Para Pregliasco, a prioridade deve ser garantir a segurança e a continuidade do campeonato, mesmo que isso implique mudanças no calendário. O italiano lembrou que, no início do ano, houve risco de contêineres ficarem retidos no Oriente Médio, o que poderia comprometer não apenas as etapas da região, mas também provas como Ímola e Spa.
Apesar da possibilidade de mudança, o chefe da Ferrari destacou que a equipe tem bom histórico tanto no Catar quanto no Bahrein. Ainda assim, um encerramento da temporada na Europa reduziria as chances de reação da marca italiana na disputa pelo Mundial de Construtores da Hypercar, já que menos pontos estariam disponíveis para descontar a diferença em relação à Toyota e à BMW.
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