NASCAR: Joe Gibbs Racing amplia processo por roubo de dados e inclui Spire Motorsports
Equipe pede ordem de restrição temporária contra o ex-diretor de competição Chris Gabehart e sua nova equipe, alegando roubo de segredos
A batalha judicial nos bastidores da NASCAR ganhou um novo capítulo nesta semana. A Joe Gibbs Racing (JGR) alterou o processo movido contra seu ex-diretor de competição, Chris Gabehart, para incluir a equipe rival Spire Motorsports como co-réu. A JGR acusa Gabehart de orquestrar um "esquema descarado" para furtar dados confidenciais de acerto de carros, simulações e informações financeiras antes de se transferir para a Spire. Agora, a equipe de Joe Gibbs solicita à justiça uma ordem de restrição temporária para impedir Gabehart de exercer suas novas funções por 18 meses.
O conflito teve início após a saída de Gabehart da JGR ao final da temporada passada. De acordo com o processo movido na corte federal do Distrito Ocidental da Carolina do Norte, Gabehart teria exigido "carta branca" sobre todas as decisões de corrida para 2026. Após ter o pedido negado pelo dono da equipe, Joe Gibbs, o diretor optou por deixar a organização.
A JGR alega que, após a saída de Gabehart, uma investigação no seu laptop de trabalho revelou que ele sincronizou dados confidenciais da equipe com seu Google Drive pessoal. Foram encontrados diretórios nomeados como "Spire" e "Past Setups" (Acertos Anteriores), contendo dezenas de arquivos de simulação e acertos de corrida, relatórios financeiros, detalhes de folha de pagamento de patrocinadores e análises pós-corrida.
Na era do carro Next Gen da NASCAR, em que as peças são padronizadas e as margens de desempenho mecânico são mínimas, esses dados de engenharia representam uma vantagem competitiva crucial . Qualquer atalho na obtenção dos acertos ideais de suspensão ou aerodinâmica pode ter um impacto gigantesco no tempo de volta. Segundo a JGR, o roubo desses segredos comerciais causou prejuízos de, no mínimo, US$ 8 milhões.
A mais recente atualização da ação judicial, protocolada na última terça-feira (24), não foca apenas no ex-diretor. A JGR trouxe a Spire Motorsports para o centro do imbróglio, solicitando que a equipe seja proibida de utilizar ou reter qualquer informação confidencial. Além disso, pede uma liminar que obrigue Gabehart a cessar qualquer prestação de serviços à Spire que seja semelhante ao que ele realizava na JGR, valendo por um período de 18 meses a contar de sua rescisão formal em 9 de fevereiro.
Chris Gabehart, que atuou como chefe de equipe do piloto Denny Hamlin por seis anos antes de virar diretor de competição, negou veementemente as acusações. Em um comunicado divulgado nas redes sociais, ele classificou a ação como "superficial, vingativa e sem base", afirmando que peritos independentes analisaram seus dispositivos e não encontraram provas de vazamento de dados.
— Chris Gabehart (@CG1751) February 20, 2026
Gabehart afirmou, ainda, que chegou a oferecer à JGR a oportunidade de realizar uma auditoria semelhante nos sistemas da própria Spire, mas a oferta foi recusada pela ex-equipe, que preferiu seguir com a via judicial.
O próprio Denny Hamlin, que atualmente pilota para a JGR e compreende o peso da engenharia moderna na categoria, lamentou a situação em seu podcast Actions Detrimental: "Nenhuma pessoa é dona de uma informação de acerto. Engenheiros, departamento aerodinâmico... há muitos departamentos que colaboram para isso. Ninguém tem o direito de levar isso a lugar nenhum. É o trabalho de outra pessoa."
A justiça federal agora avaliará o pedido de ordem de restrição temporária da JGR. Se acatado, o novo cargo de Chefe de Esportes a Motor de Gabehart na Spire será imediatamente suspenso enquanto o mérito da ação for julgado, criando um impacto direto na garagem de uma das categorias mais competitivas do automobilismo.