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NASCAR: história do Plymouth Superbird, rei do filme Carros

Superbird nasceu em uma época de “guerra aerodinâmica” na NASCAR e teve um período curto, mas marcou história na categoria

27 out 2023 - 11h03
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Plymouth Superbird de Richard PEtty
Plymouth Superbird de Richard PEtty
Foto: WIkimidia Commons

Plymouth Superbird tornou-se um dos carros mais icônicos da NASCAR por seu o chassi aerodinâmico com asas gigantes, marcando o ano de 1970. Tanto que Richard Petty, conhecido como "O Rei" na categoria, resolveu escolher o carro para representá-lo no filme "Carros", como o personagem Strip Weathers, mesmo não sendo campeão com o modelo.

Mas para entender a origem do Superbird é preciso voltar a 1967: Richard Petty era a grande estrela da Plymouth, vencendo 27 das 49 etapas da temporada com o modelo Belvedere, massacrando a concorrência. Na época, existiam quatro marcas principais na categoria: Dodge, Plymouth, Ford e Mercury.

Dodge e Plymouth pertenciam a Chrysler, enquanto a Ford, além da sua própria marca, também colocava veículos da Mercury para competir. Era a guerra entre duas gigantes de Detroit para dominar a grande categoria de carros de turismo dos EUA e o regulamento obrigava que todos os carros que corriam fossem exatamente iguais aos carros de rua. A frase “vencer no domingo, vender na segunda” era literalmente aplicada neste caso.

Em 1968, veio o contra-ataque da Ford: a famosa equipe Holman-Moody desenvolveu o Ford Torino Cobra, um carro a altura para concorrer com a Chrysler, e o forte piloto Richard Petty. David Pearson, que era da Dodge em 1967, assinou com a Ford e conseguiu 16 vitórias, a mesma quantidade de Petty, mas conseguiu levar o título, por fazer 126 pontos a mais que "O Rei".

Petty só conseguiu disputar o campeonato naquela temporada, porque a Chrysler contra atacou, trazendo os modelos Plymouth Road Runner (Papa-Léguas) e Dodge Charger 500. O modelo 500 era uma evolução da versão R/T, com seu nome vindo por causa da quantidade mínima de carros de rua para homologação.

Em 1969, a Ford voltou a subir o sarrafo: trouxe o Ford Torino Talladega, em homenagem ao circuito recém-criado e o Mercury Cyclone Spoiler II. O nariz do carro era inclinado, além de ter um spoiler para direcionar o ar para a lateral, reduzindo a resistência do ar e melhorando a estabilidade, que era um grande problema da época.

A aerodinâmica no automobilismo ainda estava nos estudos iniciais, mas a Chrysler apelou: o Dodge Charger Daytona foi o primeiro carro americano desenvolvido com túnel de vento e com suporte computacional. O resultado foi um carro muito comprido, com um bico bastante aerodinâmico, com um spoiler maior. Contava um grande asa traseira, que inicialmente deveria ser menor, mas depois de testes, não se mostrou tão eficiente. A ideia de uma altura maior era pegar um ar menos turbulento, maximizando o efeito da asa.

Ford Torino Talladega
Ford Torino Talladega
Foto: Ford Performance / Twitter

Richard Petty ficou animado com a ideia. Após ver desenhos na Daytona 500, ainda em fase de projeto, fez questão de ligar para seu pai, um ex-piloto com forte envolvimento em Detroit, perguntando se a Plymouth também teria uma versão, mas acabou recebendo um não como respostas e não ficou feliz.

A NASCAR naquela temporada tinha tido apenas duas corridas e o astro da marca não pensou duas vezes: resolveu ir para a Ford, dando um duro golpe na Chrysler. O grande astro da Plymouth estaria indo para a maior rival.

O Dodge Daytona contava com motor Hemi 426, com 7.0 litros e 425 cv. Foram produzidas 503 unidades para o modelo de rua, mas apenas 70 delas contavam com o mesmo motor da NASCAR. As outras usavam o motor Magnun, com 7.2 litros e 375 cv. O câmbio manual de quatro marchas era padrão em todos os carros. 

O Charger Daytona estreou na pista de Talladega, Richard Brickhouse venceu a prova com o carro 99, conseguindo velocidades de 322 km/h, uma insanidade para a época. Porém o carro chegou muito tarde, foi insuficiente para impedir mais campeonato da Ford, com David Pearson, o vice-campeão foi Richard Petty.

Richard Brickhouse e Bobby Allison com o Dodge Charger Daytona
Richard Brickhouse e Bobby Allison com o Dodge Charger Daytona
Foto: NASCAR / Twitter

A Plymouth planejava recuperar "O Rei". Então fez exatamente o que o piloto queria: usando como base o Road Runner, colocou todo o pacote aerodinâmico do Charger Daytona, mas com bico mais refinado e aerofólio traseiro maior e mais inclinado. O carro foi chamado de Superbird.

O Superbird teve 2783 unidades produzidas, já que a NASCAR mudou o regulamento para 1970, obrigando a ter mais carro em produção para homologação. Mas apenas 135 desses contavam com motor Hemi, o resto com Magnum, a mesma fórmula usado no “irmão mais velho”.

O campeonato de 1970 foi dominado pelos carros com asas: Superbird e Daytona conquistaram 36 das 46 vitórias no campeonato. RIchard Petty venceu 18 corridas, mas foi obrigado a ficar sete corridas fora, por conta de um acidente, então acabou apenas em 4° lugar no campeonato. O campeão foi Bobby Isaac, da Dodge, que teve 11 vitórias. Petty mesmo não sendo campeão, escolheu o imponente carro para representá-lo no filme.

Em 1971, a NASCAR criou restrições aos carros aerodinâmicos, impondo uma regra que limitava a capacidade de motor para esses carros em 3,5 litros, metade do permitido pelo regulamento anteriormente. Com isso Ford e Chrysler desistiram da ideia. Ainda naquele ano, a Dodge levou o Daytona para Bonneville, um deserto de sal usado para recordes de velocidade, onde conseguiu 350 km/h.

Hoje é possível achar Plymouth Superbird a venda, nenhum por menos de 100 mil dólares. A Plymouth deixou de existir em 2001 e nenhuma outra versão do carro foi feita. No caso do Charger Daytona, é muito raro achar carros dessa época à venda. A Dodge chegou a produzir outras três gerações do modelo, a 2ª entre 2003 e 2006, a 3ª em 2013, a 4ª entre 2017 e 2020.

O personagem no filme carros foi dublado pelo próprio Richard Petty na versão para os EUA. Niki Lauda dublou o personagem na versão alemã, Tom Kristensen, eneacampeão de Le Mans, para a versão dinamarquesa e Mika Hakkinen na versão finlandesa. 

Parabólica
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