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MotoGP: Aprilia estreia sistema inovador de aerodinâmica ativa e abre nova frente tecnológica

Fabricante italiana encontra brecha no regulamento, aposta em sistema acionado pelos antebraços do piloto e pode ganhar vantagem estratégica

26 fev 2026 - 15h14
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Foto: Aprilia apresenta solução inovadora na RS-GP: sistema altera o fluxo de ar com os antebraços do piloto para reduzir o arrasto nas retas da MotoGP. / Reprodução

A Aprilia deve se tornar neste fim de semana a primeira fabricante da MotoGP a introduzir uma forma de aerodinâmica ativa em sua RS-GP. A novidade surgiu nos testes de pré-temporada, no início de fevereiro, e chamou atenção pela criatividade dentro dos limites técnicos impostos pela categoria.

O regulamento atual determina que qualquer parte da carenagem aerodinâmica deve ser fixa, proibindo ajustes ativos ou passivos como articulações, rolamentos ou qualquer mecanismo que permita alteração intencional de forma, orientação ou posição. Isso inviabiliza asas móveis ou dispositivos mecânicos acionáveis durante a pilotagem.

Segundo o portal The Race, a solução encontrada pela Aprilia não altera o formato das peças, mas sim o fluxo de ar sobre elas. O sistema utiliza um “interruptor fluídico” que cria uma abertura na parte superior da carenagem lateral. Quando o piloto está totalmente encolhido atrás da bolha, em posição de máxima eficiência aerodinâmica, ele pode vedar essa abertura com os próprios antebraços.

Ao bloquear a passagem de ar, o fluxo é redirecionado dentro dos canais de efeito solo da carenagem, reduzindo o arrasto nas retas longas. Na prática, o piloto consegue “desativar” parte do efeito aerodinâmico que privilegia curvas e frenagens quando precisa priorizar velocidade final.

Evolução aerodinâmica e salto de desempenho

Nos últimos anos, a Aprilia assumiu papel central no desenvolvimento aerodinâmico da MotoGP, superando a antiga referência da categoria, a Ducati. A fabricante italiana avançou no uso de conceitos de efeito solo aplicados à carenagem, buscando não apenas gerar downforce em linha reta, mas também aumentar a estabilidade em frenagens e melhorar a entrada e o contorno de curvas.

Esse conceito contribuiu para um salto de desempenho importante na reta final de 2025. A RS-GP passou a se destacar pela capacidade de manter alta velocidade de curva, característica evidenciada por pilotos como Marco Bezzecchi, que figurou entre os conjuntos mais competitivos do grid e terminou a temporada na terceira colocação do campeonato.

O ponto de comprometimento, porém, era a velocidade final. Os canais internos responsáveis pelo efeito solo geravam arrasto adicional nas retas mais longas  um preço a pagar pelo ganho nas curvas. O novo sistema surge justamente para equilibrar essa equação.

Inspiração na Fórmula 1

A ideia remete ao famoso F-duct utilizado pela McLaren na temporada 2010 da Formula 1. Na época, o sistema direcionava o ar até a asa traseira e permitia que o piloto, ao bloquear uma passagem com a mão, alterasse o fluxo para reduzir o arrasto em alta velocidade. Apesar de estar dentro do regulamento naquele momento, o recurso foi proibido a partir de 2011 por razões de segurança.

Outras categorias também registraram casos semelhantes de soluções aerodinâmicas ativadas pelo próprio piloto. Em 2024, o tricampeão da NASCAR Cup, Joey Logano, foi multado por usar uma luva especial durante a classificação para reduzir o arrasto na janela do carro — o que levou a mudanças nas regras da categoria.

Vantagem estratégica até 2027

Diferentemente do que ocorreu na F1 e na NASCAR, é improvável que a solução da Aprilia seja vetada no curto prazo, já que o sistema está integrado à posição natural do piloto e não envolve componentes móveis.

Além disso, o regulamento atual permite apenas uma atualização aerodinâmica por temporada, e a MotoGP entra em seu último ano antes da reformulação técnica prevista para 2027. Isso significa que a inovação pode garantir à Aprilia uma vantagem exclusiva por um período importante.

Se o ganho em velocidade final se confirmar sem comprometer a estabilidade e a segurança, a fabricante italiana pode mais uma vez redefinir os limites da engenharia aerodinâmica na principal categoria do motociclismo mundial.

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