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Automobilismo

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Influências familiares inspiram pilotos à prática do rali

Pais, filhos e irmãos marcam presença nas diversas categorias do Rally dos Sertões

30 ago 2014 - 11h22
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Irmãos Marcos e Cristian Baumgart duelam na categoria carros
Irmãos Marcos e Cristian Baumgart duelam na categoria carros
Foto: Ricardo Leizer / Divulgação

O automobilismo é um esporte no qual a tradição e sucessão familiar estão presentes nas mais distintas modalidades, tanto no Brasil como no exterior. Na Fórmula 1, a categoria mais nobre, gerações de pilotos com os mesmos sobrenomes são recorrentes. Fittipaldi, Piquet, Senna, Hill, Villeneuve e Rosberg são apenas exemplos desta tendência, que também existe no Rally dos Sertões.

Na edição de 2014 do rali, famílias estão presentes em quatro das cinco categorias de competição, sendo a das motos uma das líderes do evento neste quesito. Dois pares de irmãos duelam diariamente desde o último o sábado: Ramon e Moara Sacilotti e Ike e Guto Klaumann.

Primeira mulher a competir o Rally dos Sertões entre as motos - a única deste ano também -, Moara é veterana no circuito, com mais de quinze anos de participações. Por influência do pai, a pilota começou a andar de motocross logo aos sete anos.

"A minha história com a moto é totalmente ligada à família. Comecei a correr de motocross porque meu pai já corria. Eu comecei com sete anos e o Ramon (Sacilotti, irmão), mais novo em quatro anos, no mesmo dia aprendeu a andar de moto também", lembrou Moara. A vontade de espelhar a atividade do pai era tanta que o irmão Ramon, que sequer sabia andar de bicicleta sem rodinhas, pediu para tirá-las no mesmo dia. 

Uma história semelhante é a dos irmãos Klaumann, que receberam o Terra no seu motorhome após a terceira etapa do rali. Concentrados na preparação para as próximas aventuras nas trilhas pelo País, eles tinham a companhia do pai Sergio, o grande motivo para a dupla adotar o esporte.

"Eu sempre gostei de moto desde jovem, só que, no meu tempo, jovem, para ter uma motocicleta, demorava um pouco mais. Uns trinta anos, mais ou menos. O Guto já havia nascido quando comecei a fazer enduro. Sempre gostei do esporte e eles desde muito pequenos começaram a acompanhar também. Sempre viam a movimentação, iam juntos nas provas e acabaram criando gosto pela brincadeira", afirmou o pai, com Ike sentado à sua direita na mesa e Guto na sua frente.

Ao contrário de Moara e Ramon, no entanto, Guto e Ike demoraram um pouco mais para competir sobre as motos. Ambos tinham cerca de dez anos quando começaram a pilotar no cross country, para em 2002 participarem dos primeiros torneios no esporte. Mas assim que completaram a idade mínima, a dupla Klaumann começou a participar do Rally dos Sertões, característica idêntica à carreira de Moara Sacilotti. 

"A gente foi subindo nas categorias infantis conforme a idade, a motinho, e no rali eu comecei por causa do meu pai. Ele já tinha feito algumas edições na equipe técnica de moto, na época que até o doutor Clemário (chefe da equipe médica do Rally dos Sertões) andava de moto no rali. E eu estava sempre acompanhando e achava o máximo a aventura de desbravar o Brasil andando de moto e competindo. E quando fiz 18 anos eu falei: agora eu vou. Foi meu primeiro sertões, em 98. E eu fui a primeira mulher a correr o Sertões de moto", comentou.

Enquanto Moara Sacilotti já disputou diversas edições do Sertões após completar 18 anos, Gabriel Varela e seu irmão mais velho Rodrigo tiveram essa experiência em anos mais recentes. Rodrigo, que aos 22 anos participa do seu quarto rali, o segundo no UTV, também citou a influência enorme do pai Reinaldo como um fator que o direcionou para o automobilismo.

"Comecei a andar de quadriciclo quando tinha seis anos. Meu pai sempre me levou nas corridas, mas profissional mesmo foi só quando completei 18 anos", contou Rodrigo Varela. 

Aos 19, Gabriel participa pela segunda vez do Rally dos Sertões nos quadriciclos e mostra potencial para um futuro promissor.  "Desde os quatro anos eu sou influenciado pelo meu pai, que apoiou sempre e deu quadriciclo para fazer trilha. Aos oito anos fiz minha primeira corrida. Fui campeão em 2006 já na categoria infantil e ano passado estreei no rali. Fui campeão brasileiro e agora lidero os dois brasileiros, de cross country e Baja", relatou o caçula da já tradicional família nos Sertões, especialmente pelo histórico do pai no evento.

Veterano do rali, Reinaldo Varela pratica o esporte há 32 anos e é um dos pilotos com mais participações no Sertões, tendo conquistado o título do evento em 2000. Ao criar filhos dentro do automobilismo, o líder do Divino Fogão Rally Team expressou a importância de compartilhar sua experiência com Rodrigo e Gabriel para que eles driblem erros cometidos pelo pai.

Reinaldo Varela e os filhos Gabriel e Rodrigo são os pilotos do Divino Fogão Rally Team
Reinaldo Varela e os filhos Gabriel e Rodrigo são os pilotos do Divino Fogão Rally Team
Foto: Divulgação

"A gente fica em cima deles, passando experiência para não deixar eles fazerem aquilo que nós já erramos no passado. As que nós fizemos e hoje são coisas que dão certo a gente tenta colocar na cabeça deles o tempo inteiro. Antigamente ninguém falava as coisas para gente, que tinha que errar para aprender. Agora, no caso deles, eles escutam bastante quando a gente passa as coisas para não ter que errar custando uma corrida", afirmou Reinaldo.

Os ensinamentos passados de pai para filho são muito valorizados por Rodrigo e Gabriel. Para o caçula, as palavras de Reinaldo ajudam tanto para ralis longos quanto para pequenos."A grande maioria dos conselhos é sempre muito bem aproveitada e a gente leva para pista para tentar usufruir o melhor e se dar bem como ele se deu durante muitos anos", garantiu Rodrigo.

Apesar de terem crescido juntos nas pistas, ele e Gabriel não desenvolveram uma rivalidade caseira, por não terem competido diretamente. Segundo Gabriel, seu irmão era muito bom no quadriciclo, mas eles nunca competiram para valer pela diferença de categorias. O mesmo não pode ser dito a Cristian e Marcos Baumgart.

Brigando no topo da categoria carros, os irmãos do X Rally Team jamais correram juntos como piloto e navegador, situação que, na visão de Marcos, poderia dar confusão: "acho que ia dar briga, quebra-pau. A gente já treinou junto e provoca um ao outro mesmo. Em treino é engraçado, mas em prova ia dar besteira".

Ex-navegador, ele afirmou que sempre existe uma disputa interna,mas esta tem impacto positivo, pois um piloto estimula o outro a evoluir. "Estou perdendo tempo dele e me motivo para ir para cima. A gente troca ideia. É equipe, trabalhamos com esse espírito", garantiu o companheiro do navegador Kleber Cincea.Provocações, é claro, acontecem entre os irmãos.

Cristian falou que chama Marcos de "jipeiro" e manda o irmão acelerar mais quando fica para trás. "A gente fica com a brincadeira do começo ao fim', comentou o parceiro de Beco Andreotti.

O bom humor e um interesse em comum da família fazem parte da carreira de todos os competidores mencionados, mas os fortes laços com o automobilismo não devem parar por aí. A capacidade do esporte fortalecer vínculos entre parentes motiva os pilotos a passar para frente a paixão pelas pistas.

"O dia que eu for mãe, espero meus filhos também queiram andar de moto, porque é um esporte muito bom, apesar de todo o risco. O risco é você que faz, porque a mão que acelera é a mesma que freia. O esporte uniu muito a minha família. Eu pretendo dar essa continuidade", afirmou Moara Sacilotti.

Criada por um pai apaixonado pelo rali, a pilota aprendeu a amar o esporte e teve o apoio dele e da mãe para seguir a paixão, que também é compartilhada pelo seu marido. Fotógrafo, ele geralmente acompanha as aventuras da esposa, seja registrando com a câmera ou apenas comparecendo às competições nas equipes de apoio.

Nada mais normal do que seu filho nascer com um pé na pista.

*O repórter viajou a convite do Rally dos Sertões

Fonte: Terra
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