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Automobilismo

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IMSA: Kévin Estre e Jack Aitken encerram polêmica antes das 6 Horas de Indianápolis

Após colisão em Road America, pilotos deixam o incidente para trás e destacam importância de corridas mais limpas.

20 set 2026 - 08h58
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Kévin Estre para a Porsche Penske Motorsport
Kévin Estre para a Porsche Penske Motorsport
Foto: Divulgação / Porsche Motorsport

Sete semanas após o controverso acidente que encerrou a etapa de Road America da IMSA, Kévin Estre e Jack Aitken garantem que o episódio ficou no passado. Os dois pilotos, que se envolveram em uma colisão nas voltas finais da prova, afirmam em entrevista ao site Daily Sportscar ter conversado sobre o ocorrido e não carregam qualquer ressentimento antes da penúltima etapa da temporada, em Indianápolis.

Estre reconheceu que teve maior responsabilidade pelo contato depois de rever as imagens da disputa. O piloto da Porsche Penske Motorsport contou que chegou a conversar com Aitken ainda no caminho para o centro médico, mas que nenhum dos dois tinha acesso às gravações naquele momento. Depois de analisar o vídeo, o francês procurou o adversário para pedir desculpas. Para Estre:

“Depois que vi o vídeo de Road America, admito que a culpa foi mais minha do que dele. Fui até ele e pedi desculpas. Conversei com ele sobre o que achei que tinha acontecido do meu ponto de vista, e acho que terminamos a conversa de uma maneira boa. Somos inteligentes o suficiente para admitir que estamos competindo forte e que, às vezes, erros acontecem. Da minha parte, acho que está tudo bem.”

Aitken também afirmou que a relação entre os dois não foi afetada pelo acidente. Segundo o piloto da Cadillac Whelen, os dois tiveram uma conversa produtiva depois da corrida e decidiram seguir em frente. Para Aitken:

“Conversamos sobre o acidente depois, eu e Kévin, e tivemos uma boa conversa. Não tenho nenhum problema com ele, e ele não tem nenhum problema comigo. Tivemos algumas disputas muito boas neste ano. A IMSA tomou uma decisão sobre aquele acidente, e vamos seguir em frente. Se eu tivesse uma máquina do tempo, então sim, faria algo diferente, mas não tenho.”

O piloto da Cadillac, porém, explicou que ficou frustrado com a maneira como a disputa terminou. Aitken estava por fora na aproximação da primeira curva quando acabou sendo colocado para fora da pista por Estre, levando os dois carros à barreira. "É muito fácil, olhando em retrospecto, dizer que você não deveria ter ficado por fora na curva um. Mas o fato é que muitas pessoas fizeram aquela manobra funcionar durante o dia. Tudo exige um pouco de cooperação, e nós não tivemos isso. Ninguém quer terminar com carros de corrida quebrados no fim da prova, então foi uma pena.”

A situação ganha importância adicional em Indianápolis porque Aitken chega à penúltima rodada como líder do campeonato, enquanto Estre passou a ter influência direta na disputa após Laurin Heinrich ser transferido para o Porsche 963 #6. Heinrich está 118 pontos atrás de Aitken e ainda tem possibilidades matemáticas de lutar pelo título, mas qualquer resultado ruim pode praticamente encerrar suas chances. Estre, por sua vez, já está fora da disputa pelo campeonato de pilotos e continua buscando sua primeira vitória na categoria.

O francês, entretanto, terá de correr sob uma condição especial. Estre está em um período probatório de duas corridas, válidos para Indianápolis e Petit Le Mans, como parte da punição pelo incidente de Road America. O piloto questionou a severidade da decisão, embora tenha reconhecido sua parcela de responsabilidade. “Não consigo me lembrar de uma punição tão dura. Foi um contato pequeno, mas que teve grandes consequências. Como disse, concordo que sou mais culpado do que o Jack. Então, se eu mereço uma punição, provavelmente sim. Se mereço um stop-and-go de cinco minutos mais duas corridas de probatório? Não tenho tanta certeza. Ou, pelo menos, não é realmente o que sinto.”

A discussão voltou aos holofotes depois que Jonathan Diuguid, diretor-gerente da Porsche Penske Motorsport, afirmou que a punição parecia ser uma tentativa da IMSA de “dar o exemplo”. Estre, contudo, preferiu destacar a necessidade de consistência nas decisões dos comissários. O francês ainda se reuniu com o presidente da IMSA, John Doonan, e o diretor de prova, Beaux Barfield, para apresentar novamente seu ponto de vista.

Mesmo sob probation e sabendo que qualquer novo contato mais grave pode prejudicar diretamente as chances de Heinrich, Estre garante que não pretende mudar sua abordagem na pista. “Vou fazer o que sempre faço, que é pilotar o mais rápido que puder, e, se puder ultrapassar, vou ultrapassar”, declarou.

O francês espera, porém, que os demais pilotos também mantenham uma postura profissional diante da situação. “Estamos em um ambiente profissional, e espero que todos permaneçam profissionais, se acalmem e tentem competir forte como tem acontecido na IMSA, mas de maneira justa. Com certeza, é importante conquistar pontos para a Porsche como fabricante e, claro, para o Laurin.”

Enquanto isso, Aitken afirmou que preferiu não alimentar as discussões que surgiram entre torcedores e integrantes das equipes nas semanas seguintes ao acidente. Para o britânico:

“Acho que o discurso depois daquilo não foi 100% produtivo, tanto entre os fãs quanto de maneira geral. É sempre difícil quando um acidente grande tem consequências para o campeonato. Acho que a corrida foi um pouco confusa, o que foi uma pena. Mas tento não me envolver nesse lado das coisas.”

Para ele, o mais importante agora é encontrar um equilíbrio entre disputas intensas e segurança, especialmente porque a IMSA deve adotar uma postura mais rigorosa contra contatos evitáveis, bloqueios e outras condutas consideradas perigosas. 

Com Indianápolis marcando o retorno da disputa entre os protótipos desde Road America, Estre e Aitken terão uma nova oportunidade de deixar definitivamente o episódio para trás. Os dois reconhecem que a temporada está entrando em sua fase decisiva e que a prioridade agora é evitar novos incidentes enquanto buscam seus respectivos objetivos no campeonato.

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