Impasse entre FIA e ACO pode tirar 24 Horas de Le Mans do WEC a partir de 2027
Fim dos contratos expõe disputa entre Ben Sulayem e Pierre Fillon: FIA exige mais dinheiro e controle do regulamento dos Hypercars para 2030
Segundo informações reveladas pelo portal alemão Auto Motor und Sport, o endurance mundial enfrenta um cenário de incerteza devido ao impasse contratual entre a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e a ACO (Automobile Club de l’Ouest).
A parceria histórica entre as duas entidades, que viabiliza a realização do WEC, encontra-se paralisada após um “encerramento” das relações que regulavam o campeonato. Um dos termos concedia à LMEM, subsidiária d ACO, o direito de promover a competição, enquanto o outro garantia a inclusão das 24 Horas de Le Mans no calendário oficial da categoria.
Com a expiração desses contratos no meio do ano, as negociações para a renovação visando o ciclo a partir de 2027 não avançaram, expondo as divergências na gestão da categoria.
O conflito é impulsionado pela reestruturação promovida pelo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, que busca reformular os termos comerciais e institucionais com os promotores de todas as categorias sob a chancela da federação.
A FIA exige um aumento significativo nos repasses financeiros feitos pela ACO, maior visibilidade de sua marca nos eventos e uma ampliação do seu poder de decisão na elaboração dos regulamentos técnicos, com foco nas diretrizes para a classe Hypercar a partir de 2030. No modelo anterior, estabelecido na gestão de Jean Todt, a ACO desfrutava de condições comerciais mais favoráveis e autonomia regulatória exclusiva devido ao prestígio de trazer a prova de Le Mans para o campeonato.
No entanto, a FIA argumenta que já exerce o controle operacional das corridas e monitora os protótipos em tempo real, justificando a necessidade de alinhar a governança da categoria ao padrão aplicado na Fórmula 1 e no Mundial de Rali.
Diante da ausência de consenso e do descontentamento manifestado por algumas montadoras em relação à atual organização, a FIA avalia adotar uma medida drástica: a abertura de uma licitação pública para selecionar um novo promotor para o Mundial de Endurance.
Caso essa ruptura se confirme e a ACO seja afastada da promoção da categoria, as consequências estruturais serão graves. A lendária prova das 24 Horas de Le Mans deixaria de somar pontos para o WEC, operando de forma isolada. Além disso, a quebra desse alinhamento colocaria em risco a cooperação técnica com a associação norte-americana IMSA, responsável pela convergência com o conceito LMDh, e geraria dúvidas sobre a permanência das fabricantes parceiras no campeonato diante do novo cenário político da modalidade.
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