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Fórmula 1

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O que faz a Mercedes dominar a F1 em 2026? Os números explicam

Após anos de dificuldades na era do efeito solo, a equipe alemã interpretou melhor o novo regulamento e voltou a dominar a Fórmula 1

30 jul 2026 - 13h06
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Foto: Divulgação / Mercedes

A Mercedes iniciou a temporada 2026 da Fórmula 1 da forma que imaginava quando o regulamento do efeito solo entrou em vigor, em 2022: na frente do grid. Após quatro anos de altos e baixos, a equipe alemã acertou em cheio a interpretação das novas regras e transformou o W17 no carro de referência da categoria.

Os resultados ajudam a explicar essa mudança. Em 11 etapas disputadas, a Mercedes venceu oito corridas. Foram duas dobradinhas logo nas duas primeiras provas da temporada, George Russell venceu na Austrália e Andrea Kimi Antonelli triunfou na China, antes de o italiano emendar mais quatro vitórias consecutivas. A primeira equipe a quebrar essa sequência foi a Ferrari, com Lewis Hamilton, apenas no GP da Espanha.

O contraste com o regulamento anterior é enorme. Entre 2022 e 2025, a Mercedes conquistou apenas sete vitórias. Agora, superou essa marca em pouco mais da metade da temporada.

Mas o domínio não aconteceu por acaso.

O motor resolveu o maior desafio do novo regulamento

As regras de 2026 mudaram completamente o funcionamento das unidades de potência. Com o fim do MGU-H e uma participação muito maior do sistema elétrico, a gestão da energia passou a ser determinante para o desempenho.

Foi justamente nesse aspecto que a Mercedes encontrou sua principal vantagem.

O W17 consegue entregar os 350 kW permitidos para o motor elétrico de forma mais constante que os rivais, reduzindo os efeitos do clipping, quando a bateria deixa de fornecer potência máxima no fim das retas. Na prática, isso significa que o carro mantém aceleração total por mais tempo, especialmente em circuitos com longas zonas de aceleração.

Outro diferencial está na recuperação de energia. O sistema híbrido da Mercedes recarrega a bateria de forma mais eficiente nas frenagens, permitindo que os pilotos utilizem a potência elétrica durante uma parcela maior da volta.

A vantagem ficou evidente logo na abertura da temporada, na Austrália. Dados de telemetria mostraram que a Mercedes alcançava velocidades entre 8 e 10 km/h superiores às da Ferrari nas retas, mantendo a entrega de potência elétrica quando os rivais já começavam a perder desempenho.

Não foi só o motor

Embora a unidade de potência seja o principal destaque, ela não explica sozinha o desempenho do W17.

O chassi nasceu extremamente equilibrado e a suspensão permitiu que Russell e Antonelli atacassem zebras e ondulações sem comprometer a estabilidade do carro. Com isso, os pilotos conseguiam acelerar mais cedo nas saídas de curva, potencializando ainda mais a eficiência do conjunto.

Enquanto outras equipes passaram boa parte do início da temporada entendendo como extrair desempenho do novo regulamento, a Mercedes já apresentava um pacote praticamente completo desde a Austrália.

Os problemas apareceram

Isso não significa que o W17 seja um carro perfeito.

O primeiro desafio da equipe foi o desempenho nas largadas. A Mercedes identificou a origem do problema durante a pausa antes do GP de Miami e conseguiu corrigi-lo ao longo da temporada.

Depois disso, a principal preocupação passou a ser a confiabilidade.

Antonelli abandonou o GP da Espanha após uma falha elétrica e voltou a deixar pontos pelo caminho na Inglaterra por causa da quebra da proteção da roda. Russell abandonou quando liderava o GP do Canadá e também enfrentou problemas na Bélgica, além de sofrer com a largada na Hungria.

Mesmo assim, Toto Wolff deixou claro que não pretende abrir mão do desempenho para tornar o carro mais conservador.

“Somos uma organização focada em desempenho. Prefiro reduzir um pouco algo que funciona muito bem e resolver alguns problemas de confiabilidade do que sacrificar desempenho.”

O chefe da Mercedes foi além ao avaliar a campanha da equipe.

“Deveria ter sido nove de nove.”

Os problemas de confiabilidade mostram que o W17 ainda está longe de ser perfeito. Ainda assim, a combinação entre uma unidade de potência eficiente, um gerenciamento de energia superior e um chassi equilibrado permitiu à Mercedes interpretar o novo regulamento melhor do que qualquer rival. O resultado é um carro que transformou a equipe novamente na referência da Fórmula 1 em 2026.

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