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Fórmula 1

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Na garagem: Vettel é 6º no Brasil e vence batalha dramática pelo tri contra Alonso

Sebastian Vettel continuou batendo recordes e se tornou, no GP do Brasil de 2012, o mais jovem tricampeão da história da F1 ao levar a melhor em uma dramática batalha de duas vezes campeões contra um inspiradíssimo Fernando Alonso

25 nov 2022 - 05h16
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Sebastian Vettel conquistou o tricampeonato no GP do Brasil de 2012
Sebastian Vettel conquistou o tricampeonato no GP do Brasil de 2012
Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

25 de novembro de 2012 é um dos dias mais marcantes da história do esporte a motor. Foi naquele domingo que Sebastian Vettel se sagrou o tricampeão mais jovem que a Fórmula 1 já viu, de forma consecutiva, dramática, épica. Um GP do Brasil absurdo que fechou com chave de ouro aquela que foi, possivelmente, a grande temporada da categoria em todos os tempos.

Antes de mergulharmos na corrida em si, é necessário dar um contexto. Mas não qualquer contexto. 2012 é um ano histórico para a Fórmula 1, não apenas pela final ponto a ponto, não só porque viu dois então bicampeões, Vettel e Fernando Alonso, decidirem no mano a mano a parada, mas muito pelo equilíbrio sem precedentes que marcou o grid, especialmente no começo do campeonato.

Teoricamente, a F1 não mergulharia em um início de era em 2012, mas as mudanças no regulamento foram impressionantemente impactantes. Entre uma série de modificações, a redução no tamanho das asas dianteiras e, principalmente, a radicalização nos novos conceitos de difusores, trouxeram um pelotão muito mais compacto, em uma categoria que ganhava várias alternativas quase que semana após semana.

Mas há que sermos justos: ainda que os vencedores tenham se tornado mais previsíveis na segunda metade do ano, isso não foi um proibitivo para vermos, por exemplo, Nico Hülkenberg chegar pesado em Interlagos e quase, muito quase, ganhar a corrida. Mas a gente já chega no alemão e no Brasil.

Pastor Maldonado venceu na Catalunha de maneira improvavél
Pastor Maldonado venceu na Catalunha de maneira improvavél
Foto: LAT / Grande Prêmio

Antes, ao início do ano: foram sete vencedores diferentes nas sete primeiras corridas. Um recorde daqueles gostosos de serem quebrados. Além disso, foram cinco times distintos levando as primeiras cinco provas. E ainda deu tempo de Kimi Räikkönen triunfar de Lotus, das duas Sauber se meterem no pódio, enfim, uma F1 que, definitivamente, não se vê todo dia.

É preciso falar também da briga pelo título, uma batalha clássica que marcou uma geração. Olhando hoje parece absurdo pelo que Lewis Hamilton se transformou na Mercedes, mas, à época, aquele Vettel x Alonso tinha ares de duelo dos dois grandes nomes da geração, dois bicampeões em busca do tri, os recordistas de precocidade na F1, os donos de Red Bull, o time do momento, e da Ferrari, a equipe da história.

E a disputa foi sensacional. Alonso foi quem esteve mais tempo na liderança do campeonato, é verdade, mas aquilo foi quase que heroico. A realidade apontava um carro muito inferior da Ferrari na comparação com a Red Bull. Talvez o espanhol não tivesse nem o segundo melhor bólido do ano.

Alonso fechou aquele ano com 278 pontos contra 122 do companheiro Felipe Massa, que teve só dois pódios. Fernando fez 13 e triunfou três vezes, uma delas nas travadas ruas de Valência, largando de 11º, uma atuação histórica. Alonso define 2012 como a grande temporada da carreira. E tem total razão na avaliação.

Uma das vitórias mais impressionantes de Alonso em 2012 – e possivelmente da carreira – aconteceu em Valência, no GP da Europa de 2012
Uma das vitórias mais impressionantes de Alonso em 2012 – e possivelmente da carreira – aconteceu em Valência, no GP da Europa de 2012
Foto: Reprodução / Grande Prêmio

Mas o título não veio porque Vettel também teve ano inspirado. Vindo de dois campeonatos consecutivos, o alemão não teve um carro propriamente dominante, ainda que fosse o melhor do grid. E passou quase que a temporada toda fora da dianteira. Vettel chegou a estar 44 pontos atrás de Alonso depois do GP da Alemanha e era quarto colocado, 39 tentos distante, quando a F1 entrou na perna asiática. E decidiu tudo lá.

Vettel obliterou a vantagem de Alonso com quatro vitórias consecutivas em Singapura, Japão, Coreia do Sul e Índia, isso em um ano em que nenhum piloto havia triunfado em duas provas seguidas. Com mais dois pódios em Abu Dhabi e nos EUA, trocou pontos com Fernando e chegou à decisão com confortáveis 13 pontos de frente, enfim, líder de vez.

Então, a definição em Interlagos. A folga de Vettel era considerável. Se terminasse na quarta colocação na final, seria campeão qualquer que fosse a posição de Alonso. Se o espanhol fosse segundo, podia ser sétimo; ao passo que, se Fernando ficasse na terceira colocação, Seb seria campeão chegando até em nono. Qualquer outra posição para Alonso, significaria, automaticamente, a conquista de Vettel.

Mas longe dos dois quem brilhou na classificação foi a McLaren. Hamilton e Jenson Button trancaram a primeira fila, enquanto a Red Bull fez a segunda: Mark Webber na frente de Vettel. Alonso largaria somente em oitavo, atrás ainda do companheiro Massa e da dupla Pastor Maldonado e Hülkenberg, respectivamente de Williams e Force India. Michael Schumacher, que fazia a última corrida da carreira, era o 14º.

Sebastian Vettel se envolveu em um toque com Bruno Senna logo após a largada
Sebastian Vettel se envolveu em um toque com Bruno Senna logo após a largada
Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

Acontece que a largada foi simplesmente desastrosa para Vettel. A partida foi ruim, com disputa de espaço com Webber, com quem tinha relação cada vez pior. Além de perder posições, ainda dividiu a curva 4 com Bruno Senna, então piloto da Williams, rodou e viu uma aleta do lado esquerdo do carro ficar danificada. Tragédia. Por sorte, ficou na corrida, mas era o 22º colocado. Teria de remar tudo de volta enquanto Alonso via o caminho aberto para recuperar posições para si e se colocar em condições de ser campeão. Ainda recebia a ajuda de Massa para fazer ultrapassagens, como aconteceu contra Webber.

Mas as bruxas de Interlagos apareceram, como sempre, e a chuva veio. Correria aos boxes para colocar pneus intermediários e, em seguida, com a chuva parando, para devolver os pneus slicks. Entre o momento das paradas e a velocidade na pista, chegou a aparecer entre os primeiros, em quinto, logo atrás de Alonso. Só que a chuva voltou. Na pista, ultrapassou Narain Karthikeyan, Charles Pic, Pedro de la Rosa, Jean-Éric Vergne, Timo Glock, Heiki Kovalainen, Schumacher, Vitaly Petrov, Räikkönen, Webber, Daniel Ricciardo, Nico Rosberg, Paul di Resta e Kamui Kobayashi.

Eis que, nas voltas seguintes, escalou tudo de novo. Vettel se aproximava das primeiras colocações, mas não se fixava, enquanto Alonso se aproximava. Um lance foi fundamental: na 54ª das 71 voltas da corrida, Hamilton e Hülkenberg se acharam enquanto brigavam pela vitória. Nico perdeu tempo, mas Hamilton abandonou. Alonso assumia o segundo lugar e, àquela altura, conquistava o título.

A estratégia fez muita diferença no instável GP do Brasil
A estratégia fez muita diferença no instável GP do Brasil
Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

Aqui, apenas um destaque rápido para Hülkenberg: foi a grande corrida da vida do alemão. Sim, já tinha pole, largou de segundo na Áustria também, fez provas consistentes, mas nunca o pódio fora tão real quanto aquele dia. E até mesmo a vitória, foi uma exibição de gala por 54 voltas, um capricho do destino não ter dado em nada além de um quinto lugar.

Voltemos a Vettel. O jovem alemão estava em décimo e resolveu parar na 55ª volta. Era uma corrida de muitas paradas, e lá foi ele para o que se esperava ser a última. Desta feita, a equipe e ele não conseguiram conversar: resultado foi que a Red Bull não estava pronta para o pit-stop. Mais demora e perda de posições. Terrível. Voltou em 12º.

A oficialização do abandono de Hamilton garantiu a primeira posição ganha. Depois disso, ultrapassou Ricciardo, Kobayashi, Vergne e Di Resta. Tudo isso em três voltas, mas ainda faltava um. E era Schumacher.

Na 64ª de 71 voltas, Michael ficou para trás. Era o necessário, e Vettel se consagrava tricampeão mundial. No dia em que seu ídolo, Michael, deixava as pistas. Simbólico, sim, já que era Seb quem parecia capaz de bater os recordes do alemão no futuro. A vitória, para registro, foi de Button, com Alonso e Massa no pódio. E o campeonato acabou 281 x 278 para Vettel.

"Quanto venho para São Paulo, muitas coisas me passam pela cabeça. Quando testei aqui há muitos anos, claro, mas principalmente ganhar o campeonato em 2012, aquilo foi uma montanha-russa de sentimentos, com tudo que aconteceu naquela corrida", disse Vettel em coletiva acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO em Interlagos.

Sebastian Vettel venceu Fernando Alonso em 2012 e conquistou o tri na F1
Sebastian Vettel venceu Fernando Alonso em 2012 e conquistou o tri na F1
Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool / Grande Prêmio

É verdade que, em tanto tempo de F1, Sebastian esteve em corridas insanas, mas em nenhuma delas tinha tanto a perder num momento tão definitivo como naquele dia 25 de novembro, em Interlagos, no Brasil. Vettel saiu campeão, enterrou a última chance real de título de Alonso, que segue no grid até hoje, substituindo o próprio Seb na Aston Martin em 2023, e se colocou ainda mais alto na história da F1.

Seb se aposentou da F1 na última semana, no GP de Abu Dhabi, e sua carreira acabou sendo muito maior antes do que depois daquele 25 de novembro. Mas o ápice, certamente, veio ali. Grande título em um campeonato histórico.

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