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Futuro da F1 pode ser o hidrogênio? Alpine acredita que sim

Alpine acredita que F1 ainda não será totalmente elétrica nos anos 2030. Aposta da equipe é em motores a hidrogênio – e com ronco alto

23 ago 2022 - 17h56
(atualizado às 18h11)
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Alpine aposta no hidrogênio como possibilidade para o futuro da F1
Alpine aposta no hidrogênio como possibilidade para o futuro da F1
Foto: Alpine / Instagram

Pouco depois da confirmação do regulamento de motores que valerá de 2026 a 2030 (pelo menos), o próximo ciclo da Fórmula 1 já começa a entrar em debate. Quem puxa a discussão é a Alpine, que aposta no hidrogênio como combustível ideal para os motores a combustão da categoria nos anos 2030.

A FIA anunciou ainda esse mês como será a próxima geração de motores híbridos da F1. Na parte a combustão, continuarão os V6 turbo com 1,6 litro de deslocamento, mas movidos a combustíveis sintéticos renováveis. Esse motor entregará metade da potência do conjunto, cuja outra metade será fornecida pelo sistema de MGU-K, que regenera energia cinética dos freios para alimentar as baterias da parte elétrica do sistema.

O conjunto de regras técnicas deve motivar a entrada de duas gigantes do mundo automotivo: Audi e Porsche. A Porsche, em particular, tem muito interesse no regulamento. Ela é uma das empresas que mais tem investido em pesquisas no campo de combustíveis sintéticos, e poderá usar a F1 como um grande campo de provas – e, claro, uma belíssima plataforma de propaganda.

Durante a vigência desse regulamento, é esperado que boa parte da frota de veículos da União Europeia já seja elétrica, uma vez que o bloco impôs um limite até 2035 para o fim da comercialização desse tipo de motor. A Fórmula 1 tende a viver um dilema nesse interim: a eletrificação será uma tendência quase impositiva em algum momento desse futuro, mas não há previsão de que baterias e motores elétricos possam suprir a demanda de desempenho e autonomia da categoria até lá.

Laurent Rossi ao lado de Esteban Ocon - CEO prometeu testes como novo combustível
Laurent Rossi ao lado de Esteban Ocon - CEO prometeu testes como novo combustível
Foto: Alpine / Twitter

Sustentabilidade, oferta e entretenimento

Com isso em mente, a Alpine já começa a esboçar estudos para o próximo ciclo da F1. A equipe francesa conduzirá testes com carros movidos a hidrogênio, com explicou o CEO Laurent Rossi ao portal Motorsport.com. Ele é um dos que defende a tese de que os propulsores elétricos ainda precisarão de mais avanços para empurrar os carros da categoria: “Não acho que o carro todo elétrico está pronto. Deve levar mais uns 15 anos. Eu não vejo isso para a próxima troca de regulamento ou a seguinte. Vamos dar uma olhada no sistema de hidrogênio.”

Rossi acredita que o motor movido a hidrogênio é interessante em alguns pontos, como na questão da sustentabilidade e na vasta disponibilidade: “Hidrogênio é significativamente mais limpo. Não completamente, mas significativamente melhor que o combustível tradicional. E está em abundância, enquanto combustíveis orgânicos ou sintéticos são limitados, seja por oferta ou custo de produção.”

Além das qualidades técnicas, o dirigente aponta uma questão mais lúdica para defender seu ponto: e na manutenção de características clássicas dos motores a combustão, como o ronco característico.

“O som fica. Talvez em 20 anos as pessoas esqueçam isso porque as gerações mais novas devem se importar menos com esse assunto e devem estar acostumadas a ver carros silenciosos nas ruas. Mas, por enquanto, é parte integral do show. Não podemos esquecer que a Fórmula 1 é entretenimento. É um negócio, mas esse negócio é baseado em pessoas assistindo, curtindo e se apaixonando por isso.”

Equipe entende que o hidrogênio pode ser sustentável sem que F1 abra mão de características
Equipe entende que o hidrogênio pode ser sustentável sem que F1 abra mão de características
Foto: Alpine / Twitter

Motor a hidrogênio

Rossi não deu detalhes sobre a tecnologia que pretende empregar nos testes. Mas a Alpine não é a primeira empresa a testar o hidrogênio como o substituto da gasolina. A Toyota é outra empresa a explorar motores a combustão que utilizam o combustível alternativo em protótipos recentes.

No Japão, a fabricante japonesa já roda os esportivos GR Corolla e GR Yaris movidos a hidrogênio, inclusive em competições de longa duração e rali. Em fevereiro, a empresa anunciou que está desenvolvendo, em parceria com a Yamaha, um V8 aspirado que utiliza o mesmo combustível.

A ideia por trás do conceito é relativamente simples: basta adaptar alguns sistemas, como injeção, admissão, filtros e coletores, e motores movidos a gasolina podem passar a queimar hidrogênio sem maiores problemas. A vantagem está na emissão de gases nocivos, que é virtualmente zero com hidrogênio.

O barulho do motor, como dito por Rossi, está presente. Abaixo, você pode ouvir o motor do primeiro GR Toyota movido a hidrogênio roncando saudável. O piloto de testes ainda explica que não sentiu diferença alguma na pilotagem do carro quando comparado com sua contraparte à gasolina.

Testes em Le Mans?

Na entrevista, Rossi afirmou que pretende testar bastante a ideia. O primeiro passo é fazer com que o projeto saia do campo da teoria e se prove eficiente na prática: “Nosso papel será inspirar os outros, até os reguladores. Gostaríamos de mostrar que funciona, mas primeiro precisamos provar a nós mesmos. Temos que ver se é mais que uma esperança ou uma crença.”

O passo seguinte seria levar carros movidos a hidrogênio para o teste mais duro: o da competição. A Alpine tem um programa de endurance, e Le Mans pode ser um campo de provas perfeito para a ideia. Rossi cita que poderia até levar algum carro à corrida francesa por meio do projeto Garage 56, que abre espaço a carros experimentais na mais tradicional prova de longa duração.

“Se funcionar, então queremos provar. Digamos, por meio de um projeto Garage 56 em Le Mans ou [nas 24 Horas de Nurburgring] Nordscheleife com um dos nossos carros de produção equipados com um motor a combustão de hidrogênio. Isso poderia ser a inspiração para os legisladores de que talvez seja um caminho.”

Por fim, o CEO da equipe estimulou que seus concorrentes também busquem alternativas para o futuro da categoria. Para ele, esse deve ser um dos papeis das equipes dentro do esporte: “Estou convencido de que os fabricantes na F1 têm o dever de ajudar a moldar os regulamentos e entregar soluções”, afirmou. “Se Porsche, Ferrari e outros fabricantes quiserem seguir filosofias diferentes, então que seja. É sempre melhor se tivermos várias opções à mesa.”

Quem sabe até a Toyota não se anime e pense em um retorno à F1...

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