F1: Helmut Marko critica o novo regulamento
Ex-conselheiro aponta onde os problemas do novo regulamento começaram e espera que soluções sejam encontradas
Helmut Marko, ex-conselheiro da Red Bull, recentemente criticou o novo regulamento da Fórmula 1, apontando onde os problemas começaram e como ele espera que soluções possam ser encontradas.
Com o aumento da ação e das ultrapassagens contrastando com as queixas dos pilotos sobre movimentos artificiais e formas não naturais de pilotar os carros, a nova era da F1 recebeu uma resposta mista. O ponto alto do conflito gira em torno da quantidade de gerenciamento e aproveitamento de energia necessária na classificação e nas corridas, quando os pilotos são forçados a aliviar o pé e deixar o carro planar, ou reduzir marchas nas retas e recorrer ao superclipping. Eles apontam que essas questões os impedem de explorar ao máximo o potencial dos novos carros em uma volta.
Devido a essas e outras críticas ao novo regulamento, reuniões com as partes interessadas foram agendadas para o mês de abril. Após um primeiro encontro no dia 9, com debates sobre possíveis ajustes nas regras — e outros que acontecerão nos dias 15 e 16, do grupo esportivo e do grupo técnico, respectivamente —, haverá outra reunião no dia 20 de abril para decidir quais mudanças devem ser feitas tanto para esta temporada quanto para as próximas.
Marko avalia que, no momento em que os regulamentos foram finalizados, há dois anos, a pressão pela eletrificação era prioridade entre as demandas dos fabricantes, mas que a mudança de interesses ao longo do tempo acabou evidenciando falhas nas regras atuais. Ele também afirma que alguns detalhes importantes teriam passado despercebidos durante a elaboração do novo regulamento, além de tudo ter sido aprovado em um período em que ainda existia a expectativa ou a convicção de que a eletricidade seria a única opção para o futuro da F1.
“E isso mudou significativamente nesse meio tempo; o motor de combustão interna voltou a ser popular, temos combustível livre de CO2, o que significa que tudo foi feito do ponto de vista ambiental. E agora só precisamos garantir que abordemos essas, digamos, deficiências nas regulamentações da melhor maneira possível”, destacou o ex-conselheiro da Red Bull.
Para Marko, a divisão 50 por 50 entre motor a combustão e energia elétrica parece adequada na teoria, mas perde eficiência na prática pela dependência da recarga da bateria, especialmente em circuitos com poucas zonas de recuperação de energia.
Ele também apontou preocupações com a segurança, reforçando que a questão precisa ser abordada após o incidente envolvendo Oliver Bearman e Franco Colapinto em Suzuka Circuit. Na ocasião, houve uma enorme diferença de velocidade de aproximadamente 48 km/h (30 mph) entre os dois, quando Colapinto estava recuperando energia enquanto Bearman atacava.
“Há também a situação que acabamos de ter com Colapinto e Bearman. Ele entrou na pista com uma velocidade excessiva de mais de 50 km/h”, disse Marko. “É quase como se um veículo estivesse parado, e isso precisa ser evitado.”
Além disso, as largadas ainda aparecem como outro ponto de preocupação dentro do novo regulamento para o ex-conselheiro, já que a falta de consistência no procedimento tem gerado situações potencialmente perigosas, mesmo que a expectativa seja de evolução à medida que as equipes avancem no desenvolvimento, especialmente na área de software.
Marko acredita que as novas regras também mudaram os fundamentos da Fórmula 1, gerando descontentamento entre os pilotos. Entre eles está Max Verstappen, que avalia seu futuro em meio à insatisfação com os novos carros e regulamentos; Marko concordou com a opinião de seu ex-piloto.
Na mesma linha, ele entende que a gestão de energia deve ser um fator decisivo na temporada de 2026, em sintonia com a avaliação de Lewis Hamilton. Ao mesmo tempo, pondera que esse cenário acaba afastando a categoria de sua essência, em que o piloto vencedor é o mais rápido, com um bom carro, ou, simplesmente, o que possui o melhor equipamento do grid.
“Não se trata de uma equipe de engenheiros acertar a programação perfeitamente. Ou de uma bateria cheia ultrapassando uma bateria vazia. Isso não é uma ultrapassagem de verdade. Não é uma ultrapassagem; é apenas passar por perto, e isso é mais do que artificial, e realmente não deveria ser”, finalizou Helmut Marko.
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