F1: FIA admite que previa problemas nas regras de 2026, mas não conseguiu agir
Diretor de monopostos da entidade afirmou que críticas dos pilotos eram esperadas e disse que a estrutura de governança impediu mudanças
A FIA reconheceu que já esperava parte das críticas feitas pelos pilotos ao regulamento técnico de 2026 antes mesmo do início da temporada. Segundo Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, diversos problemas já haviam sido identificados nos anos anteriores, mas não puderam ser corrigidos por limitações impostas pela estrutura de governança da categoria.
O novo regulamento, que aumentou significativamente a participação da energia elétrica nas unidades de potência, gerou críticas frequentes dos pilotos ao longo da temporada. Max Verstappen chegou a comparar os carros a “uma Fórmula E com esteroides”, enquanto Oscar Piastri afirmou que, em alguns momentos, “as classificações são decididas por computadores que funcionam bem ou mal”.
Questionado pelo Motorsport.com sobre a intensidade das reclamações, Tombazis afirmou que elas não surpreenderam a FIA.
“Os pilotos são, por definição, clientes bastante exigentes. Não esperávamos que deixassem de dizer o que pensam. Então, não diria que as críticas foram maiores do que esperávamos.”
O dirigente revelou que a FIA já havia previsto problemas relacionados ao gerenciamento de energia, ao super clipping e aos algoritmos das unidades de potência durante os dois anos que antecederam a estreia das novas regras.
“Já tínhamos previsto muitas dessas questões das quais eles reclamaram. Tentamos fazer alguns ajustes, mas não conseguimos por causa do sistema de governança que tínhamos.”
Segundo Tombazis, a entidade gostaria de ter implementado as alterações que entrarão em vigor em 2027 e 2028 ainda antes da estreia do regulamento atual.
“Acho uma pena que tenhamos precisado esperar até maio para chegar a um pacote para 2027 e 2028. O ideal teria sido fazer isso alguns anos antes e, assim, todo esse debate não teria acontecido.”
O diretor também rebateu a percepção de que a FIA ignorou os alertas feitos pelos pilotos antes de 2026. De acordo com ele, as preocupações foram levadas em consideração, mas qualquer alteração precisava ser aprovada pelos fabricantes de unidades de potência.
“Quando os fabricantes entram na Fórmula 1, eles assinam um acordo de governança que é vinculativo para todas as partes. Esse acordo também limitava o que a FIA poderia alterar unilateralmente.”
Tombazis explicou que mudanças significativas no regulamento exigiam a aprovação de pelo menos quatro fabricantes, algo que nunca aconteceu durante o período de desenvolvimento das novas regras.
“Para o tipo de mudanças que fizemos em maio, precisávamos que pelo menos quatro fabricantes concordassem. Simplesmente, quatro deles discordaram durante todos os anos em que discutimos esses ajustes.”
As primeiras alterações no regulamento das unidades de potência já foram aprovadas para 2027 e 2028. Entre elas está a mudança gradual da distribuição de potência entre motor a combustão e sistema elétrico para um modelo de 60% e 40%, reduzindo alguns dos problemas de gerenciamento de energia vistos na atual temporada.
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