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Fórmula 1

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F1: Cadillac termina primeiro turno de 2026 sem pontos, mas convence pela solidez

Equipe estreante fecha a pausa de verão em último no Mundial de Construtores, mas surpreende com evolução

31 jul 2026 - 10h20
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Foto: Cadillac F1 / Reprodução

Quando a Fórmula 1 entrou de férias após o GP da Hungria, no último fim de semana, a Cadillac fechou as primeiras 11 corridas da temporada 2026 exatamente onde a maioria dos analistas projetava: na lanterna do Mundial de Construtores, sem nenhum ponto somado. Sergio Pérez e Valtteri Bottas, contratados como uma aposta em experiência para conduzir o projeto mais ambicioso da história recente do grid, ainda não cruzaram a linha de chegada entre os dez primeiros. Mas reduzir a temporada de estreia da montadora americana a esse único número seria um erro de leitura.

A entrada da Cadillac na Fórmula 1 sempre foi tratada como um caso à parte. Apoiado pela General Motors e pela TWG Motorsports, o projeto nasceu sob um cronograma apertadíssimo, a aprovação definitiva da FIA saiu apenas em março de 2025, deixando a equipe com menos de um ano para projetar, homologar e produzir um carro de F1 do zero. Historicamente, isso é receita para o desastre: a última equipe totalmente nova a estrear na categoria, a Haas, precisou de anos para se estabilizar, e antes dela o histórico de estreantes é uma sucessão de fracassos técnicos e financeiros, com a HRT como o exemplo mais doloroso.

É sob essa régua que o início de temporada da Cadillac deve ser avaliado, e por essa régua, o balanço é mais positivo do que os zero pontos sugerem. O time comandado por Graeme Lowdon, que já viveu o colapso da Marussia e sabe exatamente os riscos de um projeto novo na F1, priorizou desde o primeiro dia a confiabilidade acima da performance pura. E entregou: o carro MAC-26, movido por motor Ferrari, completou a esmagadora maioria das provas sem grandes quebras, um contraste e tanto com o histórico de estreantes da categoria.

O melhor resultado da equipe até aqui foi o 13º lugar de Bottas no GP da China, ainda em março, a apenas três posições da zona de pontos. De lá para cá, o ritmo de classificação também evoluiu: em Suzuka, por exemplo, Pérez já havia superado os dois carros da Aston Martin no traçado japonês, uma inversão que seria impensável na aposta inicial para a temporada.

Foto: Cadillac F1 / Reprodução

Não por acaso, a briga pela lanterna do campeonato se transformou numa disputa direta entre Cadillac e Aston Martin, duas equipes com propósitos e recursos completamente diferentes, mas que chegaram à pausa de verão nas duas últimas posições da tabela. A Aston Martin, projeto de Adrian Newey e Lawrence Stroll, garantiu seu único ponto da temporada com Fernando Alonso no GP de Mônaco, o que a coloca uma posição acima da Cadillac no Mundial de Construtores. A diferença é mínima, mas simbólica: mesmo com um dos maiores nomes da engenharia de F1 no projeto, a equipe de Silverstone não conseguiu se distanciar da estreante americana.

Do lado dos pilotos, a temporada tem sido de reconstrução. Pérez, que retornou à categoria após deixar a Red Bull ao final de 2024, ainda busca o ritmo que o levou a duas temporadas de vice-campeonato mundial, e chegou a reconhecer publicamente as dificuldades do carro em Budapeste. Bottas, por sua vez, tem sido o piloto mais regular da dupla, largando da parte de trás do grid corrida após corrida sem deixar de somar quilômetros de aprendizado para a equipe.

Foto: Cadillac F1 / Reprodução

O calendário da segunda metade da temporada, que recomeça no fim de agosto com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort, deve ser o verdadeiro teste para a Cadillac. Depois de passar o primeiro turno provando que consegue chegar ao fim das corridas, o que já não era garantido, o próximo objetivo natural é romper a barreira dos pontos. Não seria surpresa se isso acontecer ainda em 2026: a diferença para a zona pontuável, hoje ocupada pela Audi com 12 pontos, é pequena o suficiente para que um fim de semana atípico, com abandonos à frente ou uma classificação favorável em pista molhada, seja o suficiente para a Cadillac comemorar sua primeira pontuação na Fórmula 1.

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