Ayrton virou o rei da chuva depois de falhar, diz Viviane
Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre
Irmã do tricampeão Ayrton Senna, Viviane Senna, afirma que o atleta se tornou "o rei da chuva" depois de treinar muito, após fracassar aos 13 anos em uma corrida de kart em Interlagos, em São Paulo. Durante a adolescência, o tricampeão mundial de Fórmula 1 aproveitava os dias de chuva para correr nas pistas da capital paulista antes de enfrentar os adversários debaixo d'água. O atleta morreu há 15 anos, em 1º de maio de 1994, após um acidente no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola.
"Começou a chover e ele começou a perder um pouco o controle do kart e acabou saindo da corrida por causa e chuva e foi para a grama. Então, o que ele fez? Toda a vez que chovia, em vez de ficar choramingando em casa, ele tinha 13 anos, (Ayrton) pegava o kart e ia para algum lugar de São Paulo e treinava até escurecer", diz Viviane, responsável pelo Instituto Ayrton Senna.
Segundo a irmã, que recorda da expectativa dos brasileiros gerada por uma prova sob chuva em que Senna participava, diz que o principal legado deixado pelo atleta para o Brasil foi valores, e a chave do sucesso dele foi aproveitar as oportunidades.
"As duas coisas (valores e oportunidade) têm de caminhar juntas. Porque se você não tiver oportunidade, pode ter imenso talento como Ayrton teve, que ele não teria saído do lugar. Você pode ter oportunidade, mas se não estiver preparado para aproveitá-la, também não vai dar certo. Parte da preparação passa por valores. Grande parte do legado que o Ayrton deixou para nós foi essa postura de, ao ter oportunidade, aproveitá-la com tudo, buscando maior perfeição, qualidade, maior esforço e conseguir chegar lá".
Para Viviane, Senna tinha grande potencial, mas não ficou só nisso, desenvolveu ele. "Ele precisou ter muito esforço, muita dedicação, muita garra para transformar esse potencial e transformá-lo em um efetivo talento. Você tem de aliar a oportunidade ao preparo para chegar ao objetivo. A garra fez muita diferença na vida do Ayrton", diz.
E Viviane acredita que "garra" seja uma boa palavra para definir o atleta brasileiro. "Ele nunca foi uma pessoa de fazer mais ou menos e nem deixar pela metade ou em alguma situação desistir. Ele nunca desistiu. Desde pequeno, inclusive, era uma pessoa muito focada em conseguir chegar em determinado objetivo e, essa garra teve por traz da vitória que ele teve em situações muito desafiantes".
Sobrinho de Senna
O filho de Viviane, Bruno Senna, está indo pelo mesmo caminho do tio tricampeão e ela confessa que o coração fica "na boca", exatamente como ficava quando o irmão corria.
"É extremamente aflitivo de ver. Qualquer pessoa correndo a 300 km/h, especialmente alguém tão próximo de você, é um pouquinho animado", descreve.