"De um limão fizemos uma limonada", comemora Vitor Meira
"Pegamos um limão e fizemos uma limonada bem docinha". Foi dessa maneira irreverente que Vitor Meira definiu seu desempenho no GP de Toronto, nona etapa da temporada da Fórmula Indy, no último domingo. Largando em último entre os 26 participantes, consquência de um problema com os freios nas tomadas de tempos, o piloto brasileiro da A.J. Foyt Racing terminou a corrida em 11ª e ganhou uma posição na classificação do campeonato. Agora, é 12º.
Meira e a A.J. Foyt apostaram numa estratégia diferente de pit stops para as 85 voltas da corrida. "A gente tem se dado bem em pistas de rua, mas Toronto não oferece muitos pontos de ultrapassagem. Era nossa única chance de terminar a corrida na metade de cima da classificação", justificou. A situação do brasileiro tornou-se mais difícil na largada, quando perdeu contato com o pelotão por conta do ritmo lento de Milka Duno, que estava a seu lado na última fila.
Na tentativa de alcançar o pelotão, Meira foi parar numa área de escape. Com um "cavalo de pau", voltou à pista, quase meia volta atrás dos líderes. Com dez voltas de disputa, já havia alcançado o pelotão de trás. Na 16ª volta, era o 24º, quando a corrida foi posta sob bandeira amarela pela primeira vez em função do acidente entre Takuma Sato e Mário Moraes. Só o brasileiro e o canadense Paul Tracy permaneceram na pista, adiando seus pit stops.
A estratégia elevou Tracy à liderança da prova e Meira ao segundo lugar. Dada a relargada, o também brasileiro Helio Castroneves, então em terceiro com o carro da Penske, pressionou o piloto da A.J. Foyt e acabou batendo na traseira de seu carro. Castroneves, como consequência do toque, acabou batendo na barreira de pneus e abandonou a corrida. Com isso, a bandeira amarela foi acionada novamente.
Na volta 33, Meira figurava em quarto. Aproveitou uma bandeira amarela e fez seu primeiro pit stop. A equipe decidiu devolvê-lo à pista com os pneus de lateral vermelha, mais macios. "Os mecânicos deram mais asa dianteira para eu conseguir aproveitar melhor os pneus macios e fizeram um trabalho muito rápido, o que me permitiu ganhar a posição do Tracy depois da parada", lembrou. O seu segundo pit stop ocorreu na 51ª volta. Estava em 17º.
"Eu fui um dos primeiros a parar na última janela de pit stops. Tinha dado poucas voltas com os pneus vermelhos, então precisamos de menos tempo para encher o tanque. Foi um pit stop bem rápido", disse. A 11 voltas do final, Meira era o nono, quando um incidente entre Alex Tagliani e Tomas Scheckter provocou a sexta e última bandeira amarela da corrida. Na relagada, duas voltas depois, sua tentativa de superar Simona de Silvestro resultou num leve toque.
"A aproximação foi muito rápida, eu tive que frear muito forte na curva 3 e o toque acabou acontecendo. Naquelas 10 últimas voltas, eu tive que tomar muito cuidado com os pneus, o ritmo não era mais o mesmo", admitiu. A duas voltas do final, Meira foi superado por Dan Wheldon e perdeu a chance de terminar a prova entre os 10 primeiros. A vitória foi do australiano Will Power, da Penske, que abriu vantagem ainda maior na liderança do campeonato.
"Foi uma corrida muito louca", definiu o brasileiro. "Considerando de onde nós largamos, conseguimos este resultado porque fomos espertos. A estratégia da equipe não poderia ser melhor. Tivemos bons pit stops, o carro vinha melhorando volta após volta, mas no incidente com a Simona os meus pneus dianteiros foram para o espaço, foi por isso perdemos a chance de terminar entre os 10 primeiros nas últimas voltas", avaliou o piloto da A.J. Foyt Racing.