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Automobilismo

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Fórmula E: Teste da Porsche em Monza evidencia transformação técnica da categoria

Equipe alemã avalia desempenho aerodinâmico do 975 RSE em preparação para a nova temporada.

18 out 2026 - 16h10
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Foto: Porsche Motorsport / Divulgação

A Porsche realizou uma sessão privada de testes no circuito de Monza, na Itália, com o 975 RSE, monoposto desenvolvido para a quarta geração da Fórmula E. A atividade faz parte da preparação da fabricante alemã para os testes coletivos de pré-temporada, programados para acontecer entre 16 e 20 de novembro, em Jarama, na Espanha. Mais do que avaliar o desempenho do novo carro, a escolha do circuito italiano evidencia uma transformação técnica que deve alterar também as características das pistas utilizadas pela categoria.

Tradicionalmente associada aos circuitos urbanos, a Fórmula E se prepara para uma geração de monopostos mais potentes, rápidos e dependentes da aerodinâmica. A mudança exige uma adaptação não apenas das equipes, mas também dos locais escolhidos para o desenvolvimento dos carros, que passam a demandar pistas com curvas de alta velocidade e condições mais exigentes de desempenho.

O calendário de 2027 acompanha essa transformação. Circuitos permanentes como Austin, Brands Hatch e Zandvoort ganham espaço, enquanto o campeonato reduz gradualmente sua dependência dos traçados de rua. No México, a categoria também utilizará uma configuração próxima daquela adotada pela Fórmula 1, preservando uma pequena chicane na reta principal para permitir um ponto adicional de recarga energética.

A mudança representa um contraste com os primeiros anos da Fórmula E, quando circuitos estreitos e sinuosos não eram apenas uma característica do calendário, mas também parte da identidade esportiva de um campeonato construído em torno da mobilidade elétrica e da eficiência energética.

Com a chegada da Gen4, entretanto, a categoria busca conciliar esses princípios com um salto expressivo de desempenho. A nova geração produzirá mais que o dobro da carga aerodinâmica dos carros Gen3, aumentando a importância da aderência gerada pelo fluxo de ar e exigindo uma compreensão mais aprofundada do comportamento dos monopostos em velocidades elevadas.

Embora o pacote aerodinâmico seja padronizado, as equipes continuam realizando estudos em túneis de vento para compreender sua influência sobre os pneus e o comportamento dos carros. O trabalho ganha importância adicional com a chegada da Bridgestone, que substituirá a Hankook como fornecedora da categoria.

Foi nesse contexto que a Porsche escolheu Monza para avaliar seu novo monoposto. Conhecido pelas longas retas e curvas de alta velocidade, o circuito italiano oferece condições diferentes daquelas encontradas nos tradicionais traçados urbanos da Fórmula E. A fabricante utilizou a configuração completa da pista, sem chicanes adicionais, e colocou seus pilotos oficiais ao volante durante a atividade.

Entre os aspectos avaliados estavam as configurações de alta e baixa carga aerodinâmica, que terão aplicações distintas ao longo dos finais de semana de corrida. Enquanto a primeira será utilizada nas classificações e nas provas sprint, priorizando o desempenho, a segunda será destinada às corridas mais longas, nas quais a eficiência energética e o gerenciamento do consumo continuam sendo determinantes.

Segundo técnicos envolvidos no desenvolvimento dos novos carros, ouvidos pelo Motorsport.com, as diferenças entre os dois pacotes são significativas e provocam alterações perceptíveis no comportamento dos monopostos.

A necessidade de testar essas configurações em circuitos de alta velocidade demonstra como a evolução tecnológica também influencia as decisões esportivas da categoria. Se anteriormente a aderência mecânica desempenhava um papel predominante, a aerodinâmica passa a assumir maior relevância na busca por desempenho.

O movimento, porém, também levanta questionamentos sobre a identidade da Fórmula E. Desde sua criação, a presença em centros urbanos funcionou como uma maneira de aproximar o automobilismo elétrico do cotidiano das cidades e associar a competição ao debate sobre mobilidade sustentável. A ampliação do calendário em autódromos permanentes pode modificar essa relação, ainda que não represente necessariamente o abandono de suas origens.

Nesse cenário, o teste da Porsche em Monza vai além da preparação de uma fabricante para a próxima temporada. A atividade antecipa os desafios de uma categoria que pretende alcançar novos patamares de desempenho sem deixar de lado a eficiência energética, característica que ajudou a diferenciá-la de outras competições do automobilismo mundial.

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