Fórmula E: Qual Lola veremos na era Gen4?
Em meio à turbulência da categoria, a equipe britânica precisa decidir se aposta no risco, se abraça a experiência ou se começa do zero
A Lola Yamaha ainda tem duas vagas para preencher para a temporada 2026/27 da Fórmula E, mas a escolha dos pilotos deveria representar algo maior do que simplesmente completar o grid. A chegada da Gen4 coloca a equipe diante de uma oportunidade importante para definir que tipo de projeto quer construir nos próximos anos. E, entre nomes como Dan Ticktum, Victor Martins e Sam Bird, as alternativas disponíveis representam caminhos bastante diferentes.
Enquanto a Nissan vivia seu próprio “uni-duni-tê” para ocupar a vaga deixada por Norman Nato, a Lola está totalmente a flor da pele, tentando a recorrer a todas as possibilidades que surgirem no caminho. De repente, o seu piloto mais experiente anunciou a aposentadoria e levou embora metade da segurança que a equipe imaginava ter. Quando o segundo também decidiu sair, o problema deixou de ser simplesmente encontrar dois nomes para preencher as vagas, é preciso encontrar uma dupla capaz de transmitir confiança em um projeto que ainda busca se firmar. A essa altura do campeonato, a pergunta inevitável é: que tipo de confiança a própria Lola vai conseguir transmitir aos pilotos que escolher?
Em meio a um cenário de incertezas, Dan Ticktum talvez seja a opção que mais desperta curiosidade. O britânico de 27 anos já conhece a Fórmula E com a palma da mão, apesar de não ter grandes números na categoria. Dan venceu uma corrida na última temporada e, agora, realiza testes com o Gen4 da Lola. A equipe tem a chance de observar frente a frente seu desempenho com o novo carro antes de tomar uma decisão. Ticktum também oferece velocidade, algo que não deveria ser ignorado em uma categoria cada vez mais competitiva.
O problema é que velocidade nunca foi a única questão envolvendo o piloto. O então companheiro de Pepe Martí na CUPRA Kiro carrega uma personalidade difícil de administrar e um histórico de episódios controversos. Para um time que ainda está construindo sua identidade na categoria, apostar nele significaria aceitar um certo grau de risco. Pode funcionar muito bem, mas também pode criar problemas que nenhum cronômetro consegue medir.
Victor Martins apresenta um cenário diferente. O francês já demonstrou potencial em categorias de base, passou pela Fórmula 2 e acumula experiência no Mundial de Endurance, além dos testes realizados na Fórmula E. A Nissan chegou a considerá-lo para a vaga que hoje é de Zane Maloney, o que mostra que seu nome esteve seriamente envolvido nas discussões de mercado.
E talvez seja justamente aí que esteja o ponto mais interessante. Martins não seria uma aposta completamente às cegas. Ele chegaria com experiência suficiente para não precisar de uma temporada inteira de adaptação, mas ainda teria espaço para evoluir junto com a Lola. Para uma equipe que pretende crescer durante a era Gen4, esse equilíbrio pode valer mais do que um nome consagrado.
Então aparece Sam Bird, talvez a alternativa mais confortável. O britânico conhece a Fórmula E como poucos e seria capaz de oferecer experiência, leitura de corrida e conhecimento técnico em uma fase em que cada detalhe do novo regulamento pode fazer diferença. É difícil argumentar contra sua contratação olhando apenas para currículo.
A Lola não precisa necessariamente repetir a fórmula que já conhece. Lucas di Grassi cumpre há duas temporadas o papel de piloto veterano dentro do projeto, enquanto a equipe ainda tenta descobrir até onde pode chegar. Contratar Bird significaria manter uma estrutura extremamente baseada em experiência justamente quando a Gen4 pode abrir espaço para projetos mais ambiciosos e pilotos dispostos a crescer junto com eles.
No fim, a Lola não está apenas escolhendo dois pilotos. Está escolhendo uma direção. Ticktum representa risco e velocidade. Martins, potencial e construção. Bird, segurança e experiência. Nenhuma das três opções é ruim por definição, mas cada uma diz algo diferente sobre a ambição da equipe.
E talvez seja isso que a Lola precise responder antes de assinar qualquer contrato. A equipe britânica quer apenas sobreviver à chegada da Gen4 ou finalmente começar a disputar o protagonismo? Porque, depois de uma primeira temporada em que a equipe mostrou que pode incomodar gente grande, escolher simplesmente o caminho mais seguro talvez seja justamente a decisão mais arriscada.
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