Em 2º na Stock, Rubinho renasce e desafia estigma de "vice"
Dez anos depois de seu último vice-campeonato na Fórmula 1 com a Ferrari, Rubens Barrichello se vê em uma posição familiar. O recordista de Grandes Prêmios na principal categoria do automobilismo mundial está hoje na Stock Car, novamente em segundo na temporada, com nove corridas a serem disputadas. Desta vez, porém, pode ser diferente: aos 42 anos, Rubinho vive um momento de renascimento e tem boas chances de superar o estigma de "quase" que o perseguiu durante a longa carreira.
O título mais relevante da carreira de Barrichello aconteceu em 1991, quando o então jovem de 19 anos foi campeão da Fórmula 3 Britânica, degrau fundamental para a ascensão até a Fórmula 1. Na categoria máxima do automobilismo, Rubinho construiu carreira sólida, mas ficou marcado como "segundo piloto" – sempre à sombra de Michael Schumacher em seis temporadas na Ferrari, quando conquistou seus dois vices mundiais, e ofuscado por Jenson Button em 2009, na Brawn GP, quando o brasileiro ficou em terceiro e o britânico terminou com o título.
O próprio Barrichello se vê em uma situação especial após voltar a competir no Brasil, depois de tantos anos representando o País na F1. "Eu acho que as pessoas estão começando a me conhecer agora, depois de tudo que aconteceu, através dos meus filhos, de um pouco da minha vida pessoal que ninguém conhecia. Eu acho que estão dando um pouco mais de valor", disse ele no mês passado.
É sintomático que um piloto veterano e mundialmente famoso fale em receber reconhecimento e valor em um estágio tão avançado da carreira: apesar de respeitado no mundo do automobilismo e dono de números que o colocam em um patamar abaixo apenas dos campeões Fittipaldi, Piquet e Senna no Brasil, Rubinho ainda é visto com dúvidas e até desdém por parte dos fãs brasileiros. O piloto já deixou transparecer mágoa em oportunidades anteriores com o tratamento dessa parcela da torcida, e agora vive seu melhor momento desde sua saída da F1 em 2011 para responder os críticos.
Sua passagem pela Fórmula Indy em 2012 foi boa – estreante em uma categoria competitiva e bem diferente da F1, somou 289 pontos e terminou em 12º lugar, deixando a KV Racing no fim do ano pelo mesmo motivo que o tirou da Williams anteriormente: falta de patrocínio. A estreia na Stock Car aconteceu ainda nos últimos meses de 2012, e em sua primeira temporada completa, 2013, Barrichello somou 120 pontos, terminando em um oitavo lugar modesto para seu currículo.
Agora, com duas vitórias na temporada – incluindo uma na cobiçada Corrida do Milhão, em agosto – e 113 pontos na temporada, ele persegue o líder Átila Abreu (119,5 pontos) para quebrar a escrita e evitar as piadas que certamente virão caso ele novamente termine um campeonato em segundo. Para Rubens Barrichello, como ele próprio já deu a entender, não importam o passado, a carreira ou o reconhecimento internacional: após 25 anos nas pistas, ele ainda tem algo a provar.