Michael Johnson diz que atletismo estaria morto sem as Olimpíadas
O lendário ex-velocista americano Michael Johnson alertou nesta quarta-feira em Doha, no Catar, que o atletismo precisava se reinventar e "estaria morto" sem as Olimpíadas.
Dono de quatro medalhas de ouro olímpicas, Johnson, que detém até hoje o recorde dos 400 m rasos, lamentou a falta de iniciativa da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) para dar mais vitalidade ao esporte.
"Para ser sincero, acho que sem as Olimpíadas, o atletismo estaria morto, teria sumido da face da terra", afirmou.
Apesar do surgimento de Usain Bolt, que ajudou a manter a popularidade da modalidade, Johnson alega que a IAAF ficou passiva demais e deveria ter aproveitado mais o potencial midiático do astro jamaicano.
"Ninguém pode reclamar de Usain Bolt, ele é a incarnação do atletismo. Mas a IAAF não trabalha com ele para promover o esporte", lamentou.
"Se eles oferecessem a ele de trabalhar para promover o atletismo, e não apenas promover Usain Bolt, tenho certeza de que ele toparia", opinou.
A britânica Kelly Holmes, campeã olímpica dos 800 e 1.500 m nos Jogos de Atenas-2004, também participou do debate, e concordou com o americano.
"É preciso mudar o projeto do atletismo, é sempre a mesma coisa", criticou. "O atletismo precisa de glamour, tem que ter todo um teatro em torno das competições. O esporte não fala mais aos jovens, precisamos de novos formatos", completou a inglesa.