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Após erro no revezamento, brasileiras choram: "comemos mal por 30 dias"

18 ago 2013
12h38
atualizado às 13h23
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Uma grande tristeza por conta da derrota e um clima muito tenso marcaram o fim de prova da equipe brasileira feminina do revezamento 4x100 m. Depois de deixarem o bastão cair na última passagem, de Franciela Krasucki para Vanda Gomes, as atletas do Brasil não esconderam a frustração e deixaram transparecer descontentamento umas com as outras.

<p>O revezamento 4x100 m da Jamaica conquistou a esperada medalha de ouro neste domingo no Mundial de Atletismo de Moscou</p>
O revezamento 4x100 m da Jamaica conquistou a esperada medalha de ouro neste domingo no Mundial de Atletismo de Moscou
Foto: AP

Ana Cláudia Lemos foi a atleta que deu as declarações mais contundentes na entrevista depois da prova. "Não tem sabor nenhum (a derrota). É uma coisa que não dá para explicar, não dá para admitir. Bom, a gente tem que dar o nosso melhor. Estamos há 30 e poucos dias aqui. Treinamos isso e não dá para admitir", disse, em entrevista ao SporTV, deixando claro sua indignação com a falha.

Já Vanda, que entrou no lugar de Rosângela apenas na final e acabou envolvida na falha, fez duras críticas à preparação para o revezamento 4x100 m. Segundo ela, a alimentação e o descanso também não foram adequados.

"A gente não treinou o suficiente. Deixamos um pouco de lado treinar. Foi errado, é simples. Aconteceu com o Brasil hoje, serve de aprendizado. Não existe campeão sem perdedor. Saio de cabeça erguida. Não quer dizer que um errou, que o outro errou, acontece. Ficamos 30 dias dormindo mal, comendo mal", frisou, criticando a logística criada pela CBAt na Europa antes do Mundial.

Franciela Krasucki fez um discurso mais conciliador ao se referir às colegas de equipe. "Na verdade, eu tenho a sensação de que eu empurrei o bastão, mas não foi suficiente para ela pegar. Não sei nem o que eu estou sentindo. Estávamos com a medalha próxima e cometemos um erro que não podemos cometer. É um sentimento de frustração", falou a atleta, procurando responder a Ana Cláidia Lemos.

"A gente é uma equipe. Todas nós estamos frustradas, chateadas. Todas fizeram o que podiam. Não é de propósito. Tenho certeza que ninguém entrou na pista com o sentimento de que o bastão fosse cair. Todo mundo sabe o quanto eu lutei, e não foi à toa. Agora é focar no erro e melhorar. Isso ajuda mundo a gente a aprender a lidar em grupo", completou.

Rosângela Santos, que ficou fora da decisão, sendo substituída por Vanda Gomes devido a uma decisão da comissão técnica, foi flagrada chorando, talvez sentindo que pudesse ajudar o Brasil a subir ao pódio. Já Evelyn dos Santos, que abriu a prova do revezamento, preferiu não dar entrevista ao término da competição.

Também em entrevista ao SporTV, Ricardo D'Ângelo, treinador-chefe da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), falou sobre o episódio, procurando justificar a troca de Rosângela por Vanda, que fez sua estreia no Mundial justamente na final do revezamento. Ele também defendeu a preparação feita na Europa.

"Fizemos um teste na semana passada e as duas atletas estavam em uma forma parecida. Decidimos colocar a Rosângela na semifinal e a Vanda na final por isso", declarou.

"A nossa preocupação com revezamento é um projeto grande, antigo, com finais de Mundial, Olimpíada. Fizemos essa viagem para a Alemanha, elas passaram vários estágios de treinamento juntas, ela (Vanda) já tinha errado em Londres, tivemos um problema em Londres (na Liga Diamante, em 2013), quem acompanha atletismo sabe. Então ela provavelmente falou sobre a preparação em um momento de desabafo. Temos monitorado as atividades desse grupo, treinado excessivamente. Fizemos de tudo para a equipe estar bem. Não podíamos ter feito nada melhor do ponto de vista técnico", finalizou.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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