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Leonardo lamenta "péssimo cartão de visita" do Brasil às vésperas da Copa

Ex-jogador e dirigente do PSG comentou cenas de violência e problemas de organização do futebol brasileiro em evento da sua Fundação Gol de Letra

11 dez 2013
09h08
atualizado às 09h13
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Há anos vivendo na Europa, poliglota e seguramente um dos ex-jogadores brasileiros com maior bagagem cultural desde os tempos em que ainda atuava por Flamengo e São Paulo, o ex-lateral e meia Leonardo assistiu incrédulo aos flagrantes de violência ocorridos na Arena Joinville, no último domingo, protagonizados pelas torcidas de Atlético-PR e Vasco.

<p>Leonardo falou sobre momento vivido pelo futebol brasileiro</p>
Leonardo falou sobre momento vivido pelo futebol brasileiro
Foto: Daniel Ramalho / Terra

As imagens que correram o mundo, na opinião do ex-jogador, dirigente e técnico do Milan, da Itália, e ex-diretor esportivo do Paris Saint-Germain, da França, proporcionaram "um péssimo cartão de visita" para o País que, em seis meses, organizará o maior evento futebolístico do planeta: a Copa do Mundo de 2014.

"A gente não pode negar isso", afirmou sobre a imagem do Brasil no exterior – as cenas de selvageria foram transmitidas por TVs em todo o mundo. "Infelizmente essas coisas ainda acontecem. Se formos procurar culpados, vamos encontrar vários. É um seguimento de coisas que acaba desse jeito. Lamentável e muito feio. Uma imagem que temos que tentar apagar e evitar ao máximo. Temos que sensibilizar as pessoas", completou.

No Rio de Janeiro para participar de uma partida amistosa, ocorrida na noite da última terça-feira, entre amigos e convidados da Fundação Gol de Letra, que coordena com o também ex-jogador Raí há 15 anos, Leonardo está há cerca de duas décadas vivendo na Europa. E possui bagagem e informações de sobra para fazer um diagnóstico: erros e cenas lamentáveis, como as do último final de semana, não podem mais ser toleradas.

"Existe uma preocupação por parte da organização da Copa do Mundo, a gente não pode negar. Muitas pessoas, a Fifa, todas as organizações estão preocupadas. Acho que a gente tem que pegar isso como motivação para não errar mais", opinou o ex-lateral da Seleção Brasileira, tetracampeã do mundo nos Estados Unidos em 1994.

Atualmente desempregado, depois que pediu demissão do cargo de dirigente esportivo do PSG após ser suspenso por 13 meses por ter empurrado o árbitro Alexandre Castro, em maio, o ex-jogador analisa o atual momento do futebol brasileiro como ímpar, mas sem uma base cultural e educacional suficientes para impulsionar o esporte de forma plena.

"Não quero ser crítico, mas o Brasil passa por um processo de crescimento infinito, mas em cima de uma estrutura que não tem se organizado para isso. A gente precisa que as instituições se atualizem e criem meios de darem conta desse crescimento. Hoje nós somos a sexta economia mundial", ponderou.

O Brasil receberá, a partir de junho do ano que vem, a Copa do Mundo mais cara da história do futebol - o governo federal já admitiu que os gastos podem chegar a R$ 33 bilhões, e já estão na casa dos R$ 28 bilhões. No final do mês passado, na Arena Corinthians, palco da partida de abertura da Seleção Brasileira diante da Croácia, no dia 12 de junho, um guindaste caiu sobre um lance de arquibancadas e tirou a vida de dois operários. Além disso, o futebol nacional tem convivido com seguidos protestos por partes dos jogadores, organizados pelo grupo Bom Senso FC, que pede melhorias nas condições de trabalho atuais.

Todos estes cenários, na opinião de Leonardo, só reforçam a tese da falta de direcionamento por parte dos comandantes de todas as esferas vigentes. "Hoje o futebol brasileiro produz e cresce cada vez mais. Organiza uma Copa do Mundo, e depois uma Olimpíada. Então, se você não consegue fortalecer as instituições e criar um instrumento do Estado que comporte este tipo de organização, a gente acaba, de fato, vendo o que a gente tem visto", completou, antes de finalizar: "a oportunidade é grande, mas a consciência tem que ser maior ainda".

Fonte: Terra
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