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Milhares de argentinos permanecem no Brasil mesmo após Copa

25 jul 2014
08h48
atualizado às 08h52
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Lucas Bazan Pontoni vasculha seus bolsos atrás de dinheiro para pagar o almoço. Ele está na fila de sopa de uma cozinha no centro do Rio de Janeiro. Quando veio ao Brasil, um conhecido o apresentou à refeição subsidiada pelo governo nacional. Ele é apenas um dos cerca de 160 mil argentinos que tomaram o Brasil entre junho e julho para acompanhar a Copa do Mundo.

<p>Cerca de 160 mil de argentinos vieram ao Brasil para acompanhar a Copa do Mundo</p>
Cerca de 160 mil de argentinos vieram ao Brasil para acompanhar a Copa do Mundo
Foto: Leo Correa / AP

Pontoni dificilmente se encaixa na categoria dos estrangeiros endinheirados que deixaram quase R$ 7 bilhões no Brasil durante o torneio. O ator de 23 anos está “quebrado” e não tem planos imediatos para voltar para casa, mesmo cerca de duas semanas depois que a Alemanha venceu a Argentina no último jogo do Mundial, no dia 13 de julho.

"O Brasil é incrível, e eu quero ficar", disse Pontoni, que ficou acampado no Sambódromo do Rio de Janeiro e, almoçando em cozinhas do centro, segue em busca de um trabalho para cobrir a passagem de ônibus ao norte do Brasil. "Pode ser semanas, meses ou mais. Vou ver para onde a vida e a estrada me levará”, afirmou.

Segundo a imprensa local, dezenas de milhares de fãs argentinos permanecem no Brasil mesmo após a Copa do Mundo. Eles parecem ser predominantemente jovens e homens. A maioria está na faixa dos 20 anos, e menos de um terço deles são mulheres. A Polícia Federal do Brasil não confirmou quantos argentinos ainda estão no País.

Mas a perspectiva do número de estrangeiros que vendem artesanato, fazem malabarismo nos cruzamentos e dependem de serviços sociais do governo para brasileiros de baixa renda tem preocupado. Embora o crescimento econômico do Brasil tenha diminuído nos últimos anos, a situação é muito melhor do que na Argentina, que vive crise e tem uma das taxas de inflação mais elevadas do mundo.

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Antonio Pedro Figueira de Mello, que dirige uma agência turística do Rio, reconheceu que os controles ao longo dos 1.260 km de fronteira terrestre do Brasil com a Argentina podem ter sido negligentes durante o torneio.

"Fomos pegos de surpresa pelo fluxo dos argentinos”, disse Mello, ao jornal O Globo. "Em qualquer lugar do mundo, as pessoas tem que indicar onde estão indo, quanto tempo ficarão, quais os recursos que têm e se têm seguro de saúde. Isso não foi feito”, acrescentou.

Os argentinos não são os únicos torcedores que vieram para assistir à Copa do Mundo e têm a intenção de permanecer no Brasil. Na semana passada, a polícia do Rio Grande do Sul disse que centenas ganeses pediram asilo depois de entrar no País com vistos de turistas. O Brasil está estudando as aplicações. 

Fonte: AP AP - The Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser copiado, transmitido, reformado o redistribuido.
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