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Apelo do técnico do Egito pelos palestinos devolve a Copa do Mundo aos holofotes políticos

6 jul 2026 - 23h21
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Tensões políticas em torno da ‌Copa do Mundo se intensificaram nesta segunda-feira, quando o técnico do Egito, Hossam Hassan, aproveitou uma entrevista coletiva oficial da Fifa para pedir apoio aos palestinos antes do confronto de sua seleção contra a Argentina nas oitavas de final.

As declarações de Hassan ocorreram no momento em que a entidade que rege o futebol mundial já ⁠está defendendo seu processo disciplinar, após críticas à decisão de suspender a punição automática ‌por cartão vermelho imposta a Folarin Balogun — uma medida elogiada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

O Egito enfrenta a Argentina nas oitavas de final nesta terça-feira e, ‌embora Hassan tenha respondido a perguntas sobre Lionel ‌Messi e as chances de sua equipe contra a atual campeã, ele ⁠também falou longamente sobre os palestinos.

"Se uma pessoa, em qualquer lugar do mundo, não tem empatia pelo povo palestino, então perdeu parte de sua humanidade", disse aos repórteres depois que um deles perguntou sobre o gesto de agitar a bandeira palestina após a vitória do Egito sobre a Austrália pelos 16 avos de final em Dallas, ‌na última sexta-feira, e se ele faria isso novamente caso derrotasse a Argentina.

"O que ‌saiu de mim foi simplesmente ⁠uma reação humana. ⁠Antes de ser árabe, muçulmano, cristão ou qualquer outra coisa, sou um ser humano. Por meio ⁠do futebol — o poder brando do mundo —, ‌quero enviar uma mensagem: por ‌favor, deixem o povo palestino viver. Peço aos atletas e jornalistas de todo o mundo que ajudem a transmitir essa mensagem."

"Quando as pessoas falam sobre direitos humanos, direitos dos animais e justiça, também devemos falar sobre os civis palestinos", ⁠acrescentou Hassan.

O ataque de Israel a Gaza — que matou dezenas de milhares de palestinos, provocou uma crise de fome e deslocou internamente quase toda a população de Gaza — foi descrito como genocídio por alguns especialistas da ONU e organizações de direitos humanos, uma alegação que Israel rejeita.

Israel ‌afirma que está agindo em legítima defesa após o ataque liderado pelo Hamas em outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas, segundo dados israelenses, e ⁠durante o qual 251 pessoas foram feitas reféns. Israel rejeita as acusações de que estaria cometendo genocídio.

As Regras do Jogo da Fifa e os regulamentos do torneio proíbem slogans políticos nos equipamentos, mas a Reuters não conseguiu identificar em um primeiro momento uma regra que impeça os treinadores de expressarem opiniões políticas em entrevistas coletivas.

Hassan admitiu que sua equipe é considerada a zebra no confronto desta terça-feira, mas insistiu que eles estão longe de se sentir intimidados.

"Sabemos que estamos jogando contra os atuais campeões da Copa do Mundo e um dos maiores jogadores de todos os tempos (Messi), mas não temos medo deles."

"Temos uma responsabilidade para com o Egito, o mundo árabe e a África. Representamos todos eles."

"Essa responsabilidade nos faz focar em nós mesmos e no que podemos apresentar em campo", acrescentou.

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