Perto da Copa, produção de bandeiras vive momento frenético
Mutirão de costureiras e prateleiras de estoque que não ficam cheias, tamanha a procura. Às vésperas do início da Copa do Mundo, a produção e venda de bandeiras das seleções que disputam o Mundial está frenética, segundo uma das fábricas do produto no Rio de Janeiro. "A nossa produção aumentou em cerca de 20% por causa da Copa. É assim: a costureira faz na máquina e já vendemos logo depois", conta Ruth Mansur Rodrigues, sócia da Casa Marítima.
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Na empresa, as cerca de 15 costureiras estão às voltas com a fabricação dos kits de 32 bandeiras (a partir de R$ 802), das seleções que disputam a Copa, que passaram a ser encomendados justamente para o torneio, principalmente por empresas e hotéis.
Se algumas são feitas em dez minutos, outras levam até duas horas para serem finalizadas. “A bandeira do Irã e a da Coreia do Sul são as mais difíceis. A do Irã é um pesadelo para as costureiras, por causa das letras bordadas", diz Ruth. A Casa Marítima produz bandeiras de tecido, com símbolos bordados ou feitos com silk screen. Para fazer a do Irã, por exemplo, é preciso carimbar no tecido as letras do diferente alfabeto, bordar e recortar o excesso de pano. Tudo isso sem sequer entender o que está escrito. “As mais simples são as que têm listras apenas, como a da Alemanha”, diz a revisora de bandeiras Raimunda Sampaio Barbosa.
Em tempos de Copa, as bandeiras avulsas que mais têm saído na Casa Marítima não são as do Brasil, apesar de estarem sendo vendidas aproximadamente seis mil delas por mês. "Na venda individual, as que mais vendemos são as da Alemanha, Portugal, Espanha e Holanda. Não aumentou tanto a procura pela do Brasil, porque muitas pessoas já têm. E porque no comércio de rua, as pessoas acham bandeiras de plástico ou só de silk screen por R$ 3, mas fora do padrão correto”, explica Ruth.
Na fábrica, fundada há 50 anos, as bandeiras do Brasil custam a partir de R$ 6 (bandeira para colocar na mesa, de 14cm x 20cm). A mais cara custa R$ 330 e tem um brilho que salta aos olhos. “É a nossa bandeira de luxo, de cetim, com letras e estrelas bordadas. Por isso é que ela custa mais que as de tergal. Quem compra mais são órgãos do governo”, disse Ruth.
Para a bandeira brasileira, é preciso obedecer a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A cor e as proporções têm que seguir padrões pré-determinados, com uma pequena margem de erro em relação ao tamanho. “Para as estrelas, por exemplo, há um tamanho e posição certos. O tamanho da bandeira não pode ser qualquer um. Nada é aleatório”, disse Ruth. A maior bandeira fabricada pela empresa tem 6,75m por 9,60m. “Para essa, é preciso um mastro enorme. E para fazê-la, precisamos alugar um salão para fazer”, conta Ruth, dizendo que nesta Copa não recebeu encomendas de bandeiras gigantes.