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A revolução silenciosa de Scaloni leva a Argentina à semifinal contra a Inglaterra

13 jul 2026 - 17h15
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Lionel Scaloni mal chamou a atenção entre a nata dos treinadores de futebol reunidos em ‌Bilbao.

O brasileiro Tite atraiu multidões para a Cúpula Internacional de Futebol. Fabio Capello, Unai Emery e Ernesto Valverde se destacaram. Scaloni, há apenas alguns meses em um dos cargos mais exigentes do futebol mundial, pouco foi notado.

Então, o almoço foi servido. Inicialmente calado à mesa, o ex-lateral argentino foi gradualmente se soltando na conversa, aquecendo o ambiente com cordialidade e bom humor, arrancando risadas até mesmo do notoriamente severo Capello.

Seis anos depois, o discreto técnico da pequena cidade de Pujato levou a Argentina a uma semifinal de Copa do Mundo contra a Inglaterra, a uma vitória de uma segunda decisão consecutiva e à chance de conduzir a ⁠Argentina a se tornar a primeira seleção desde 1962 a conquistar títulos consecutivos da Copa do Mundo.

Em fevereiro de 2020, na cúpula de Bilbao, Scaloni ainda era mais ‌conhecido como um ex-jogador esforçado que construíra sua carreira na Espanha jogando pelo Deportivo La Coruña e pelo Racing Santander, com passagens menos memoráveis pela Inglaterra e pela Itália, antes de ingressar na estrutura da seleção argentina após atuar como assistente de Jorge Sampaoli na caótica Copa do Mundo de 2018.

A derrota da ‌Argentina nas oitavas de final na Rússia afastou Lionel Messi da seleção, exausto com a velha acusação ‌de que não conseguia reproduzir seu brilhantismo pelo Barcelona com a camisa azul e branca.

Scaloni assumiu a seleção argentina em grande parte devido ao ⁠fato de Mauricio Pochettino, Diego Simeone e outros terem recusado o "cálice envenenado" da AFA - a Federação Argentina de Futebol.

Poucos imaginavam, na época, que Scaloni se tornaria uma das figuras de maior sucesso da história do futebol do país.

UM DIA NO RIO

Sempre com a ajuda dos ex-jogadores Pablo Aimar e Walter Samuel, Scaloni primeiro convenceu Messi a voltar. Em seguida, vieram a pandemia de Covid-19, o adiamento da Copa América e, por fim, um dia no Rio de Janeiro que mudou tudo.

No Maracanã, em 2021, graças ao gol de Ángel Di María aos 21 minutos, a Argentina derrotou o Brasil na final da Copa América e encerrou um jejum de ‌28 anos sem ser campeã, dando a Messi seu primeiro grande título com a seleção principal. Foi a faísca que deu início à era de ouro que culminou ‌na vitória sobre a França na decisão da Copa ⁠do Mundo de 2022, no Catar.

No entanto, ⁠Scaloni nunca transformou Messi ou a Argentina em um meio de buscar reconhecimento por seu trabalho. Ele conquistou o mundo sem dar a impressão de acreditar ser dono dele.

Essa moderação ⁠tornou-se parte do seu poder. Em uma cultura de futebol frequentemente caricaturada como extravagante ou arrogante, ‌Scaloni construiu uma equipe em torno da força emocional, ‌sem se colocar no centro das atenções.

"Não sou técnico porque gosto do 4-3-3", disse, em uma entrevista coletiva antes da partida contra a Suíça. "Gosto de estar em um grupo com colegas, tomando mate, comendo churrasco, jogando cartas... se você pensar apenas no jogo, acaba se esgotando."

Ele também representa uma escola de treinadores argentinos que se espalhou pela América do Sul e além. Oito das dez seleções da Conmebol nas últimas Eliminatórias para a Copa do ⁠Mundo foram comandadas por argentinos. Seis treinadores argentinos trabalharam nesta Copa do Mundo.

O Brasil, em contraste, teve seu segundo pior desempenho em um Mundial, terminando em 11º lugar após a derrota nas oitavas de final para a Noruega. Pela primeira vez, nenhum técnico brasileiro esteve presente em uma Copa do Mundo, com a própria seleção brasileira comandada pelo italiano Carlo Ancelotti.

Antes da Eurocopa de 2024, o ex-lateral do Barcelona e da seleção brasileira Sylvinho, então técnico da Albânia, disse à Reuters que os jogadores argentinos costumam pensar mais cedo e com mais seriedade sobre seu ‌desenvolvimento a longo prazo.

Ele citou Scaloni, que já foi seu rival na Galícia, lembrando como o argentino costumava viajar regularmente para Madri com Eduardo Coudet — então companheiro de Sylvinho no Celta de Vigo e atual técnico do River Plate — para participar de cursos de treinadores da Federação Espanhola de Futebol enquanto ainda ⁠era jogador.

Essa disciplina ajuda a explicar o garoto de uma pequena cidade agrícola em Santa Fé e sua relação com o trabalho, a fama e a responsabilidade, mesmo depois de se tornar campeão da Copa do Mundo.

Scaloni teve todas as oportunidades para se destacar mais. Em vez disso, continuou se colocando em segundo plano, permitindo que Messi e os jogadores continuassem sendo os protagonistas.

Suas lágrimas após a virada da Argentina contra o Egito nas oitavas de final, na qual chegou a estar perdendo por 2 x 0 no fim do segundo tempo, dizem muito. Elas trouxeram à memória a imagem dele após o pênalti decisivo de Gonzalo Montiel contra a França em 2022: imóvel, com as mãos sobre o rosto, como se tentasse confirmar que a realidade não estava tentando enganá-lo.

Sua maior conquista, no entanto, parece ter sido descobrir como lidar com Messi sem se deixar consumir pela figura dele e por toda a pressão que o cerca.

Sob o comando de Scaloni, a Argentina se tornou mais do que uma seleção construída em torno de Messi. Em vez disso, os jogadores parecem se sentir inspirados e motivados por seu ícone a se tornarem pilares da mesma missão, brilhantemente descrita pelo meio-campista Leandro Paredes: "Trabalhamos para que o último jogo de Messi nunca chegue."

Scaloni, como de costume, buscou colocar as coisas em perspectiva após a vitória de sábado sobre a Suíça.

"Isso não passa de uma partida de futebol", disse.

Jogo após jogo, o ex-defensor, que antes se sentava entre técnicos mais famosos, cresceu e se tornou maior do que todos eles.

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