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Votorantim tem lucro de quase R$2 bi em 2023

2 abr 2024 - 10h12
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O conglomerado industrial Votorantim teve lucro líquido de 1,8 bilhão de reais em 2023, queda ante os 5,5 bilhões obtidos em 2022, em meio a um ano marcado por entrada da empresa em novos segmentos e pressionado por baixa no preço de commodities metálicas.

Apesar disso, o diretor financeiro, Sergio Malacrida, afirmou que a empresa tem expectativa do grupo apresentar elevação de resultados neste ano, impulsionado pelo desempenho de suas operações de cimentos e suco de laranja, melhoria nos preços internacionais de metais e desempenhos de investidas como a operadora de concessões de transporte CCR.

"Em 2024 queremos consolidar os investimentos feitos nos últimos anos, avançar com as plataformas já criadas, e dada a nossa estrutura de capital, também temos prontidão para novas oportunidades de negócio", disse o executivo.

A Votorantim teve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado em 2023 de 9,6 bilhões de reais, queda de 8% sobre o desempenho de 2022, com o resultado sendo apoiado pelo desempenho recorde da Votorantim Cimentos.

A participação da cimenteira no Ebitda ajustado da Votorantim passou de 47% em 2022 para 69% no ano passado, enquanto a fatia da CBA (alumínio) encolheu de 15% para 4% e a da Nexa (zinco) caiu de 32% para 23%.

"No caso de cimento, o resultado foi impulsionado pelo internacional, com mercado muito forte na América do Norte e na Península Ibérica", disse Malacrida.

No total, o maior conglomerado industrial do Brasil teve receita líquida de 48,5 bilhões de reais no ano passado, uma queda de 8% ante o faturamento de 2022.

"Tivemos um ano mais desafiador na Nexa e CBA ... mas em 2024 esperamos lucro e Ebitda com números um pouco melhores que em 2023 (para a Votorantim)", disse o executivo em entrevista sobre o resultado. Malacrida citou ainda que a Citrosuco, 50% controlada pela Votorantim, deve dar uma "contribuição importante" ao grupo diante dos preços de suco de laranja em patamares históricos.

A Votorantim, que afirma ser a única empresa não listada do Brasil com grau de investimento pelas três principais agências de risco do mundo -- S&P, Moody's e Fitch, terminou 2023 com uma alavancagem financeira de 1,08 vez, ante 1 vez em 2022.

"Estamos com muita liquidez na holding e essa é uma liquidez que é para a gente fazer investimento... e pode ser que nesse momento de investimento a alavancagem suba um pouco", disse o presidente-executivo, João Schmidt.

"O portfólio está muito saudável e estamos muito líquidos", acrescentou, citando que a companhia tem mais espaço para se diversificar geograficamente seja onde a empresa já tem presença, seja em novos mercados. Atualmente, a Votorantim está presente em 22 países.

Schmidt, afirmou que a companhia segue de olho no setor de infraestrutura, após o investimento conjunto com a Itaúsa na CCR em 2022, incluindo em saneamento. Mas o executivo evitou fazer comentários específicos sobre o futuro leilão da estatal paulista Sabesp, previsto para meados deste ano.

"Saneamento é um setor que tem uma oportunidade de investimento secular, vai acontecer ao longo do tempo. É muito interessante", disse o executivo. "Estamos estudando saneamento há bastante tempo", acrescentou. Atualmente, a Votorantim não tem nenhuma participação direta no setor.

Sobre a Altre, a plataforma da Votorantim no setor imobiliário que fez em 2023 o primeiro investimento nos Estados Unidos, Schmidt comentou que o grupo quer colocar mais capital na companhia para investir em novas propriedades. "Ela representa a estratégia da Votorantim para investimentos nos EUA", comentou o executivo.

Na Argentina, o presidente da Votorantim afirmou que a empresa segue apoiando as investidas que incluem a produtora de aços longos Acerbrag, que apurou resultado recorde no ano passado, apesar da crise econômica no país.

"É um ativo muito competitivo lá e muito bem administrado. Seguimos tranquilos com eles. O país tem desafios, mas a Acerbrag está bem cuidada", afirmou.

Enquanto isso, a Votorantim segue apoiando a 23S, gestora que opera em um modelo de private equity em que a empresa tem 60% de participação e o restante fica com a Temasek , de Cingapura.

A 23S tem um fundo de 700 milhões de dólares para investimento em teses de "alto crescimento" no Brasil e tem aplicado recursos em setores como saúde e educação.

"É uma plataforma interessante, que faz coisas que a Votorantim sozinha não faria", disse Schmidt, explicando o foco da 23S em fatias minoritárias e apoio a empreendedor ante as participações de controle e grandes volumes de investimento do grupo. Em 2023, a 23S entrou no setor de educação aplicando recursos na empresa de ensino a distância Vitru Educação e na administradora de consórcios Ademicon.

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