Do quartel ao milhão: como bombeiro transformou um balcão de açaí em império saudável em Salvador
Hoje, o restaurante Mana está associado ao estilo de vida saudável e tem até uma comunidade
Há 8 anos, Thiago Fonseca, de 39, nem sonhava que seu nome estaria por trás de um dos mais bem sucedidos e pioneiros restaurantes de comida saudável de Salvador (BA) – e a verdade é que ele nem tinha pretensão disso. Em julho de 2018, nascia o Mana, como um balcão de açaí dentro de uma galeria de surf. Hoje, em 2026, são dois restaurantes da marca, com faturamento que passa de R$ 1 milhão por mês.
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Thiago não se apresenta como um empreendedor nato, mas sempre foi de se virar. Em sua família, ele foi o primeiro a se aventurar pelo fantástico mundo do empreendedorismo. Na juventude, chegou a trabalhar como vendedor e tirava um dinheiro dirigindo o táxi do pai à noite, quando ele não rodava. Depois, por 12 anos, sua profissão foi de bombeiro.
“O bombeiro é o meu legado. Eu sempre fui bombeiro na prática, desde o meu primeiro dia. Fui chefe de viatura durante cinco anos e pedi o meu desligamento agora, justamente porque não estava mais conseguindo conciliar com o crescimento”, diz.
No Corpo de Bombeiros, sua escala de trabalho era de 24x72, ou seja, um plantão inteiro de um dia e folga em outros três. Desde que abriu o Mana, os dias de descanso eram dedicados a cuidar do restaurante.
“O pessoal até brincava lá no batalhão, que o dia do Corpo de Bombeiros era a parte que eu mais gostava, que era quando eu tirava a carga do estresse do dia a dia”, conta.
Apesar do gosto inegável pela profissão, foi a remuneração baixa que fez com que Thiago corresse atrás de ter o próprio negócio.
Lá em 2018, quando a atual esposa se mudou do Rio Grande do Sul para Salvador e os dois estavam construindo uma família, decidiram que precisavam de uma renda extra e encontraram, no aluguel de um balcão no Porto da Barra, a oportunidade perfeita.
De um balcão a duas lojas e mais empresas
Hoje, o Mana é uma daquelas empresas que vendem lifestyle, com direito até a uma comunidade, a Treinou, Manou. Isso porque a marca carrega o conceito de saúde e bem-estar desde a sua concepção.
Thiago conta que teve a ideia de vender açaí justamente pelo produto estar em alta, mas o diferencial foi ter escolhido a versão mais natural e saudável.
“O que tinha era sempre aqueles açaís com jujuba, com leite condensado, nada contra, mas é uma sobremesa, né? E eu praticava jiu-jitsu, gostava muito de musculação, peguei aquela época ainda no açaí raíz, batido só com xarope, que já não se encontrava mais assim”, relembra.
E a ideia foi dando certo, até que, no final de 2019, ele e a esposa conseguiram alugar um espaço próprio, também no Porto da Barra, ponto turístico da cidade e onde muita gente pratica atividade física diariamente. A ideia era expandir do açaí, produto que hoje continua como segundo carro-chefe, mas que perde para o café da manhã servido na casa.
O ponto de guinada para o negócio, surpreendentemente, foi a pandemia de covid-19.
“Eu comecei a tentar estratégias para sobrevivência mesmo. Continuava trabalhando como bombeiro, sob tensão também, com risco de contaminação. Foi um momento muito complexo, principalmente para minha família, para mim. Meu primeiro filho estava com um ano, então eu só tinha aquela opção, executar”, diz.
Com um espaço recém-alugado, eles tiveram que adiar a abertura das portas. Mas veio a oportunidade de fornecer café da manhã para hotéis da região.
“Os hotéis tinham fechado as cozinhas, por causa da vigilância sanitária, e também tinha questão relacionada ao custo de operação para eles, porque estava muito baixa a ocupação, então não fazia muito sentido preparar refeições. E por conta de já fazermos um trabalho na Barra, e algumas pessoas já conheciam o nosso café da manhã, a gente foi convidado para poder fazer, inicialmente, 20 cafés para o Grande Hotel da Barra”, relembra.
Vinte cafés acabaram virando 40, depois 80, e a receita só aumentava. Enquanto isso, na operação, estavam apenas Thiago e Andressa. “Era uma receita absurda, foi o que deu novo fôlego para gente”.
Passada a pandemia, veio a consolidação do Mana entre os soteropolitanos. Com o sucesso, Thiago se jogou em mais dois empreendimentos: a pokeria Noa Poke e o espaço terapêutico Movimento Tera. O Mana também passou a integrar o Grupo Preto, que administra uma série de restaurantes famosos na cidade.
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