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Vendas do varejo crescem 0,6% em fevereiro, em novo patamar recorde, aponta IBGE

O varejo ampliado — que inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício — cresceu 1,0% em fevereiro ante janeiro, alcançando também novo pico histórico

15 abr 2026 - 16h49
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RIO E SÃO PAULO - O comércio varejista voltou a mostrar força em fevereiro. O volume vendido cresceu 0,6% em relação a janeiro, e o setor passou a operar em novo patamar recorde na série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, iniciada no ano 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O varejo ampliado — que inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício — cresceu 1,0% em fevereiro ante janeiro, alcançando também novo pico histórico.

O resultado reforça a ideia de resistência da atividade econômica no início de 2026, segundo Carlos Lopes, economista do banco BV. Para ele, os principais setores varejistas tiveram bom desempenho, confirmando a expectativa de aceleração da economia no primeiro trimestre deste ano, mas os dados não devem mudar as projeções de corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central na reunião de 29 de abril.

A expansão no comércio varejista brasileiro em fevereiro foi o segundo resultado positivo consecutivo, período marcado por uma migração do consumo para itens básicos
A expansão no comércio varejista brasileiro em fevereiro foi o segundo resultado positivo consecutivo, período marcado por uma migração do consumo para itens básicos
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

"O Banco Central já esperava uma leve aceleração da atividade no primeiro trimestre. É um quadro consistente com continuar reduzindo (a Selic) nesse ritmo, enquanto aguarda os efeitos e o desenrolar da guerra no Oriente Médio", avaliou Lopes.

A expansão no comércio varejista brasileiro em fevereiro foi o segundo resultado positivo consecutivo, período marcado por uma migração do consumo para itens básicos, observou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio no IBGE. Segundo o pesquisador, a trajetória do varejo é de uma renovação de picos históricos desde os últimos meses do ano passado.

"No final do ano passado, em que houve renovação daquele patamar (recorde na série) em novembro de 2025, a alta estava mais calcada em atividades que não ofertam produtos básicos. Tinha um protagonismo de equipamentos de informática, de móveis e eletrodomésticos, de outros artigos de uso pessoal e doméstico. Eram atividades que estavam puxando mais o crescimento em outubro e novembro", lembrou. "Mas neste ano de 2026, a gente já nota o deslocamento dessa expansão para atividades que ofertam produtos mais básicos. Principalmente nesse mês de fevereiro, a gente tem um peso maior para supermercados, que estão com crescimento de 1,1%, acima do comércio varejista como um todo, e vem puxando. Mas também está no campo positivo a outra atividade que também concentra esses produtos básicos, que é a atividade de farmacêuticos e de perfumaria."

Assim como a média global do varejo, o setor de supermercados inaugurou novo patamar recorde de vendas em fevereiro. Os supermercados têm um peso de 56,8% na pesquisa, enquanto farmacêuticos pesam 10,2%.

"É mais uma mudança de perfil de consumo, com mais foco no consumo de produtos mais básicos", acrescentou Santos.

Na passagem de janeiro para fevereiro, houve expansão nas vendas dos seguintes segmentos:

  • Supermercados (1,1%)
  • Livros e papelaria (2,4%)
  • Combustíveis (1,7%) e
  • Artigos farmacêuticos e de perfumaria (0,3%).

As quedas ocorreram nos seguintes sementos:

  • Equipamentos para escritório, informática e comunicação (-2,7%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que incluem lojas de departamento (-0,6%)
  • Vestuário e calçados (-0,3%) e
  • Móveis e eletrodomésticos (-0,1%).

No comércio varejista ampliado, veículos subiram 1,6%, material de construção avançou 0,5%.

"A gente não divulga ainda esses dados (com ajuste sazonal para atacado alimentício, por conta da série histórica curta para a dessazonalização), mas o atacado alimentício vem no sentido contrário. O atacado alimentício vem segurando um pouco a expansão do varejo ampliado", contou Santos.

Qual é o efeito da isenção de Imposto de Renda?

As vendas no varejo devem ficar mais sustentadas no primeiro trimestre, impulsionadas pela isenção de Imposto de Renda e pelo aumento do salário mínimo, previu o Itaú Unibanco.

"Em fevereiro, tanto as categorias sensíveis a crédito quanto as sensíveis a renda avançaram", notou o relatório do Itaú Unibanco, assinado por Natalia Cotarelli e Marina Garrido.

A expansão no crédito, a manutenção do crescimento na massa de renda do trabalho e a trégua da inflação em alguns itens relevantes da cesta de consumo das famílias estão ajudando o desempenho do comércio varejista, corroborou Cristiano Santos, do IBGE.

"O crédito a pessoa física teve variação positiva, alta de 0,3% em fevereiro em relação a janeiro. O crédito a pessoa física para aquisição de veículos também vem com resultado positivo, alta de 1,3%. A Pnad (Pnad Contínua, do IBGE) tem o fator positivo que é a massa de rendimentos que continua crescendo, mas o número de pessoas ocupadas tem queda", lembrou Santos.

Qual é o impacto da queda do dólar?

A redução na ocupação pode influenciar a migração do consumo das famílias para itens básicos.

"O número de pessoas ocupadas caindo também significa uma opção para produtos básicos. Isso é uma vertente. Se mais pessoas estão sendo ocupadas, estão conseguindo emprego, aumenta a confiança em relação a como pode se comportar em relação ao consumo. Se há queda, isso pode começar a mudar", disse.

Quanto à depreciação do dólar ante o real, Santos explicou que a dinâmica de repasse aos preços mudou, por isso não houve impacto no varejo.

"Isso não se reflete nas principais atividades que têm esse componente mais forte. Tanto equipamentos para escritório, informática e comunicação quanto a atividade de móveis e eletrodomésticos não cresceram. Isso porque a dinâmica desses setores tem mudado ao longo do tempo. Essa correlação que existe está mais tênue. Quando o dólar cai, as empresas aproveitam para fazer estoques, mas esses estoques não necessariamente vão se reverter em promoções", explicou.

Quando ao cenário de elevado endividamento das famílias e taxa básica de juros em patamar ainda alto, Santos responde que a correlação se dá via crédito, que permanece em expansão.

"Certamente quando você aumenta o endividamento você diminui a capacidade de consumo. Mas fato é que o crédito a pessoa física não tem caído. Então você pode estar mais endividado mas seu crédito continua em expansão. E se está em expansão, esse crédito pode ir parar no consumo", concluiu.

Estadão
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