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Varejo tem 'ressaca' da Copa do Mundo em julho e registra queda de 0,8% nas vendas

Resultado ocorre após pico de vendas em maio e junho; queda de 4,9% em móveis e eletrodomésticos foi a mais intensa desde dezembro de 2023

15 set 2026 - 12h21
(atualizado às 12h46)
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Resumo
As vendas do varejo brasileiro caíram 0,8% em julho de 2026, pressionadas pelo recuo de 4,9% em móveis e eletrodomésticos, segundo o IBGE. O resultado reflete uma "ressaca" após o pico de consumo gerado pela Copa do Mundo, além do impacto dos juros altos e do endividamento recorde das famílias, que encarecem o crédito. Apesar da queda mensal, o setor mantém estabilidade em patamar elevado, acumulando alta de 1,8% no ano e projeção de avanço de 2,3% ao fim de 2026, de acordo com a CNC.

RIO - A venda de móveis e eletrodomésticos, com queda de 4,9%, pressionou o resultado do varejo em julho de 2026. O volume de vendas no comércio varejista caiu 0,8% frente a junho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda em julho ocorre após dois meses de resultados positivos. A PMC apontou altas de 0,2% em maio e 0,3% em junho, após um recuo de 1,5% em abril. "A queda interrompe dois meses de alta, embora com resultados muito próximos de zero", destacou Cristiano dos Santos, gerente da pesquisa.

Para o pesquisador, o panorama de 2026 segue positivo. Ele lembrou que o primeiro trimestre teve três altas consecutivas, movimento que levou o indicador ao topo da série histórica em março de 2026, renovando o recorde anterior, de novembro de 2025. "O mês de julho está 1,5% abaixo do topo da série. O pico continua muito próximo", disse.

Na comparação com julho de 2025, vendas do varejo tiveram alta de 1,2% em julho, segundo o IBGE
Na comparação com julho de 2025, vendas do varejo tiveram alta de 1,2% em julho, segundo o IBGE
Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão / Estadão

De acordo com o técnico, o comportamento mostra um arrefecimento após o avanço do início do ano, mas não rompe o patamar elevado atingido recentemente. O varejo acumula alta de 1,8% no ano e de 1,6% em 12 meses.

Segundo Santos, a Copa do Mundo influenciou o movimento do varejo, com uma espécie de ressaca em julho após um pico de vendas de maio a junho. Santos ressaltou que o resultado se relaciona mais com a parte de eletrodomésticos devido à venda de televisores.

"É um retorno ao que aconteceu na maior parte do ano e, principalmente, no primeiro semestre de 2026 para móveis e eletrodomésticos", explicou ao comentar os resultados.

Ele destacou que a queda de 4,9% em móveis e eletrodomésticos em julho de 2026 foi a mais intensa desde dezembro de 2023, quando recuou 6,6%. Em junho, a atividade variou 0,1% após alta de 2,2% em maio.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o crédito caro e o orçamento familiar comprometido por dívidas seguiram limitando compras de maior valor no comércio varejista brasileiro em julho.

"Parte do comércio é altamente dependente de financiamento e o custo do parcelamento ajuda a explicar a queda nas vendas", diz o economista da CNC João Vitor Gonçalves.

Em livros, jornais e revistas (que inclui papelaria e bancas), que recuaram 4,2%, também houve influência da Copa. Santos lembrou que maio teve alta forte (17,3%), enquanto junho registrou queda (-11,7%) por um efeito específico de vendas de álbuns de figurinhas. Em julho, segundo ele, a novidade foi a continuidade do recuo na margem e o início de queda também na comparação com julho de 2025.

Na comparação com julho de 2025, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1,2% em julho.

As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 1,8% no ano, que tem como base de comparação o mesmo período do ano anterior. No acumulado em 12 meses, houve alta de 1,6%, ante avanço de 1,6% até junho.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção, de veículos e de atacado alimentício, as vendas subiram 0,4% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com julho de 2025, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 1,8% em julho. As vendas do comércio varejista ampliado acumularam avanço de 1,9% no ano. No acumulado em 12 meses, houve alta de 1,2%, ante avanço de 0,8% até junho.

Perspectiva

Para o fechamento de 2026, a CNC projeta uma alta de 2,3% para o comércio. A inflação mais baixa de alimentos deve favorecer o consumo nos supermercados nos próximos meses. No entanto, a recuperação do varejo tende a ser desigual. O recorde do endividamento das famílias e o nível ainda elevado dos juros devem continuar limitando, em especial, o varejo mais dependente de crédito.

"A taxa Selic segue em patamar restritivo para a economia, embora o Banco Central siga com o ciclo de cortes. Simultaneamente, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela CNC, mostrou que 82,0% das famílias brasileiras estão endividadas, um recorde histórico", ressalta Gonçalves.

Estadão
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