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Vale prevê investimentos de US$ 5,8 bilhões em 2022 para aumentar a produção de minério

Em encontro em Nova York, a mineradora apresentou seu plano de investimentos e também definiu novas metas sociais

30 nov 2021 08h02
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NOVA YORK E SÃO PAULO - Sem projetos faraônicos na carteira de investimentos como no passado, a mineradora Vale divulgou nesta segunda-feira, 29, durante encontro presencial com analistas na Bolsa de Nova York, que pretende investir US$ 5,8 bilhões em 2022, incluindo plantas de filtragem de rejeitos, descaracterização de barragens a montante e outras frentes de crescimento. Para os anos seguintes, a empresa informou que deve desembolsar investimentos na faixa de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões anualmente.

Durante a apresentação para investidores, a Vale detalhou que a companhia deverá atingir uma capacidade de produção de 370 milhões de toneladas de minério de ferro ao fim de 2022, frente a uma capacidade atual de 341 milhões de toneladas.

Esse crescimento será resultado de investimentos feitos nos últimos anos, incluindo capacidades adicionais nas operações do Sistema Norte, como o projeto Gelado, na Serra Norte, e ampliações no S11D, no Pará. Ao longo dessa década, a produção poderá chegar a 400 milhões de toneladas por ano.

O presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, disse, em entrevista ao Estadão, que o mercado de minério de ferro vive um "ruído de curto prazo" na China, principal destino da produção da mineradora. Para ele, porém, o mercado de ficar "mais ou menos equilibrado" a partir do segundo trimestre de 2022, depois s a realização dos Jogos de Inverno de Pequim, marcados para fevereiro de 2022.

Segundo Bartolomeo, a Vale já pagou 55% dos valores relacionados à tragédia de Brumadinho (MG)
Segundo Bartolomeo, a Vale já pagou 55% dos valores relacionados à tragédia de Brumadinho (MG)
Foto: Ben Hider/Divulgação / Estadão

"A China deliberadamente segurou o crescimento para não superaquecer a economia, para bater meta de energia e de controle de poluição. Acho que o mercado vai continuar assim até a Olimpíada", ressaltou Bartolomeo. "Não vemos a China com crescimento negativo no ano que vem, produzindo menos de 1 bilhão de toneladas de aço em 2022. Seria um pouso forçado que a gente não vê", completou.

Além do minério de ferro, a Vale tem outra frente de crescimento nas operações de metais básicos - como cobre e níquel, por exemplo.

A expectativa é que a operação tenha trajetória de recuperação, após "muitos desafios" em 2021. Além da greve de funcionários na mina de Sudbury, no Canadá, a Vale sofreu com atrasos na manutenção da mina de Sossego, localizada no Estado do Pará, por causa de restrições impostas pela companhia.

Bartolomeo disse a analistas que a operação de metais básicos é uma plataforma de crescimento e diversificação. A expectativa é que a produção de níquel alcance de 175 mil a 190 mil toneladas em 2022, acima do estimado para 2021. No caso do cobre, a produção deverá ficar na faixa de 330 a 335 mil toneladas em 2022, acima do intervalo entre 295 e 300 mil toneladas registrado em 2021.

Nos cálculos do mercado, a operação de metais básicos da Vale pode valer quase US$ 30 bilhões, valor correspondente a sete vezes a geração de caixa operacional, de US$ 4 bilhões. O mercado espera que a Vale faça uma cisão do ativo e, eventualmente, parta para sua abertura de capital. O vice-presidente executivo de estratégia e transformação de negócios, Luciano Siani, disse que uma decisão nesse sentido deve ficar para 2023.

Empresa define metas sociais após tragédias

Responsável por duas das maiores tragédias ambientais e sociais do setor corporativo brasileiro - os rompimentos das barragens de rejeitos de minério em Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais -, a Vale definiu uma meta social de tirar da pobreza 500 mil pessoas que vivem em áreas de abrangência de sua operação no País e no mundo até 2030.

"Não é uma iniciativa de fazer 'Bolsa Vale'. Isso nós não vamos fazer porque não resolve o problema", disse ao Estadão/Broadcast o presidente da empresa, Eduardo Bartolomeo, acrescentando que a Vale pretende investir cerca de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) até 2030 para dar a tração inicial ao projeto de redução de pobreza.

Bartolomeo explicou que a Vale mapeou cerca de 1,9 milhão de pessoas em situação de pobreza extrema no entorno de suas operações no Brasil - ou seja, vivendo com menos de US$ 1,90 de renda domiciliar per capita por dia.

O Brasil será o foco inicial do programa da Vale em 2022, que vai expandir a ideia a outras operações em 2023. A empresa tem operações em outros países considerados pobres, como Moçambique, por exemplo.

* O repórter viajou a convie da Vale

Estadão
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