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UE convoca ministros da Agricultura para garantir apoio a acordo com Mercosul

6 jan 2026 - 10h41
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A União Europeia convocou os ministros da Agricultura do bloco para conversações de última hora na quarta-feira, a fim de convencer a Itália e outros países membros hesitantes a assinarem um acordo de livre ‌comércio com o Mercosul.

No mês passado, a Itália e a França frustraram as esperanças de um acordo em dezembro, dizendo ‌que não estavam prontas para apoiá-lo até que fossem resolvidos os temores dos agricultores de um influxo de commodities baratas do Mercosul, como carne bovina e açúcar.

Todos os 27 ministros da Agricultura da UE foram convidados para a reunião na Comissão, informou o Chipre, atual presidente da UE, nesta terça-feira, embora ainda não estivesse claro quantos compareceriam.

Espera-se que os comissários ‍europeus de Agricultura, Comércio e Saúde ofereçam garantias sobre o futuro financiamento para os agricultores no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) da UE, incluindo um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros (US$7,4 bilhões) no próximo orçamento da UE.

A iniciativa da Comissão de fundir os fundos de coesão regional e o dinheiro da PAC ‌no próximo orçamento de sete anos alarmou as nações agrícolas.

Eles também analisarão os controles ‌de importação, incluindo os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas, disseram dois diplomatas da UE.

"É um momento crítico para discutir as demandas dos agricultores", disse um dos diplomatas, acrescentando que se espera que a Comissão envie uma carta aos membros definindo o apoio à renda dos agricultores.

O Executivo da UE, apoiado pelos defensores do acordo UE-Mercosul, como a Alemanha e a Espanha, está tentando reunir a ampla maioria de 15 membros da UE, que representam 65% da população do bloco, necessária para autorizar a assinatura do acordo pela UE, possivelmente já em 12 de janeiro.

Eles afirmam que o acordo, que vem sendo negociado há 25 anos e seria o maior da UE em termos de redução de tarifas, é vital para impulsionar as exportações afetadas pelas tarifas de importação dos EUA e para reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais essenciais.

Com a Polônia e a Hungria se opondo ao acordo e a França sendo crítica, a posição da Itália será um fator determinante para a assinatura do acordo. Espera-se uma votação na sexta-feira.

A Comissão manteve discussões com os Estados-membros nas últimas duas semanas e o bloco está no caminho certo para assinar o acordo em breve, disse um porta-voz do órgão.

A Itália não se opõe ao acordo, disseram ‌duas fontes italianas à Reuters nesta terça-feira, mas quer garantias -- principalmente sobre reciprocidade -- para que os produtos agrícolas importados atendam aos padrões ambientais e de saúde da UE. Essas questões deverão ser discutidas na quarta-feira.

Um segundo diplomata da UE disse que a Itália ainda não estava totalmente de acordo.

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